Abstinência sexual ajuda nas competições: mito ou realidade?

Por , em 1.08.2012

Nadadora italiana Federica Pellegrini com seu namorado, Filippo Magnini

Dos gregos herdamos muita coisa: a filosofia, a democracia, os esportes, as Olimpíadas e a ideia de que a prática do sexo poderia prejudicar a performance dos atletas. Por anos os atletas e treinadores praticaram abstinência na véspera ou até mesmo semanas antes de um grande evento, mas depois da entrega das medalhas, ninguém garante mais nada: 150.000 camisinhas serão distribuídas para os 10.500 atletas que estão competindo nos Jogos de Londres.

A prática da abstinência é bastante difundida. O boxeador Mohamed Ali ficava sem sexo por seis semanas antes de uma grande luta, e durante a Copa do Mundo de 1998 o treinador inglês Glenn Hoddle proibiu a equipe de praticar sexo durante todo o evento – um mês inteiro.

Mas o mito do “sem sexo antes do esporte” está sendo questionado por especialistas. A maior parte das pesquisas tem sido feita só sobre o impacto fisiológico e, até agora, a prática do sexo parece não ter diminuído a força física, a energia ou a resistência dos atletas.

Mas o aspecto psicológico também pode ser importante, e este tem sido pouco explorado em pesquisas – a alegação é que a queda na performance decorre da diminuição do foco, ou agressão ou tensão, mas nenhum estudo até agora realmente estudou esta possibilidade.

O que foi testado

Um dos testes fisiológicos estudou 14 ex-atletas casados. Eles realizaram testes de força na manhã seguinte a uma noite de coito, e depois de seis dias de abstinência. Os cientistas não encontraram diferença nem na força, nem na resistência dos músculos nas duas situações. Outro teste foi feito com 10 homens casados e em forma física, com idades entre 18 e 45 anos, também sem encontrar diferenças nesses quesitos. Um terceiro estudo não encontrou efeitos significantes em potência aeróbica, pulso, oxigenação ou pressão sanguínea.

O que não foi testado

Há uma hipótese de que a frustração sexual deixa as pessoas mais agressivas, e que a ejaculação consome testosterona, um hormônio ligado à performance, mas essas ideias ainda não foram testadas.

Martin Milton, especialista em psicoterapia e aconselhamento psicológico na Universidade de Surrey, Inglaterra, acredita que o efeito do sexo depende muito da pessoa que está fazendo, da frequência, da duração e da forma como é feito. Além do sexo, há a questão do repouso, tanto físico quanto mental – se você exagerar no sexo, vai estar cansado e desconcentrado no outro dia.

O que Londres pensa sobre isso

Os Jogos de Londres de 2012 têm sua dose de controvérsias sobre o assunto. A equipe australiana ganhou as manchetes quando seu comitê decidiu que o atirador Russel Mark não poderia dividir um quarto na vila dos atletas com sua esposa e competidora em tiro, Lauryn Mark. Mark, que já participa de seis olimpíadas e tem 2 medalhas de ouro, contou que estava planejando fazer uma visita escondida à sua esposa. O comitê olímpico australiano minimizou a controvérsia, dizendo que o ato do casal seria inconveniente a outras atletas femininas.

Na Itália, a atleta mais famosa, Federica Pellegrini, que ganhou uma medalha de ouro na natação nos 200 metros livres na Olimpíada de Beijing, China, em 2008, namora o também nadador italiano Filippo Magnini, que disse que o casal iria evitar fazer sexo antes das competições em Londres. Federica, 23 anos, que apareceu nua e pintada de ouro na capa da revista Vogue, não estava tão decidida quanto seu amor. “Abstinência?”, disse ela, “você está maluco?”.[Reuters]

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