As amebas são mais sensuais do que você pensa

Por , em 13.04.2011

A expressão “assexuado que nem uma ameba” está com seus dias contados. Depois de dar uma olhada mais atenciosa a um dos seres vivos mais simples e primitivos hoje em dia, investigadores estão reavaliando a assexualidade de amebas, considerada até então o tipo ideal de da castidade. Eles agora têm a evidência da vida sexual dos ameboides, e ainda sugerem que não se trata de um comportamento recente, ele sempre existiu.

Amebas são criaturas em forma de bolha que existem há cerca de um bilhão de anos – os mais antigos membros do domínio chamado de eucariontes (seres com células dotadas de membrana protegendo o núcleo). As espécie das amebas estão espalhadas por vários ramos da biologia, intercaladas com linhagens familiares, como animais e plantas. Elas são conhecidas pela forma como se movem, lentamente estendendo porções de suas membranas celulares como se fossem pés.

“A descoberta muda a maneira como interpretamos a evolução dos organismos”, acredita Daniel Lahr, pesquisador da Universidade de Massachusetts, Estados Unidos. “Se o último ancestral comum dos eucariotos foi sexual, então na prática não há nenhuma evolução no sexo”, conclui.

Revisando o que já foi publicado na literatura científica sobre o assuntos, os pesquisadores chegaram à conclusão de que as amebas são mais sexualmente ativas do que pensamos.

“Quando se discute o sexo dos protistas ameboides, a evidência existente não nos faz lembrar de castidade, mas sim do Kama Sutra”, compara Lahr em seu relatório publicado na edição de março da revista Procedimentos da Sociedade Real B: Ciências Biológicas.

O sexo da ameba por ter passado despercebido porque, quando cultivadas em laboratório, muitos deles não mostram quaisquer sinais de atividade sexual já que elas possuem a capacidade de se reproduzir assexuadamente por clonagem copiando-se, indefinidamente. Não há necessidade, portanto, do ato sexual na reprodução. E quando as amebas mostraram algum sinal de sexualidade, os pesquisadores podem ter considerado-o uma rara exceção à regra.

É por isso que a maioria dos pesquisadores acreditam que as amebas (e todos os eucariontes) evoluíram de um ancestral assexuado.

Para estes organismos inferiores, o sexo não é um ato realizado entre um homem e uma mulher com toda a beleza, a tensão e as complicações que vêm com ele. Para amebas, o sexo é uma forma especial de divisão de material genético. Dois indivíduos entram em contato para uma troca de genes com o objetivo de criar duas novas amebas, com carga genética misturada dos dois “pais” (algo como o que acontece entre os humanos, mas de forma muito mais simples).

Apesar da vantagem evolutiva de menos indivíduos com a carga genética exatamente igual, as amebas não costumam se reproduzir através do sexo. Em certos ambientes, a reprodução assexuada pode ser mais bem sucedida. “A velocidade de divisão é imediatamente vantajosa para o indivíduo “, diz Lahr. “Mas na maioria dos casos, essa é uma condição que está condenada à extinção”.

Assexualidade é um jogo perdedor a longo prazo, porque os erros se acumulam no genoma e, transmitidos de geração para geração, pode acabar matando os indivíduos mais novos. Essa teoria é chamada de “catraca de Muller”, e é tradicionalmente usada para explicar por que o sexo evoluiu.

“A mensagem que levo para os biólogos é: precisa-se pensar mais amplamente quando se trata de sexo e os papeis do sexo na reprodução”, sintetiza Fred Der Spiegel, cientista da Universidade de Arkansas. “Sexo é a regra e não a exceção”. [LiveScience]

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6 comentários

  • Felipe Jurema:

    Existe um erro em: “os mais antigos membros do domínio chamado de eucariontes (seres com células dotadas de membrana protegendo o núcleo)”. Seres eucariontes são seres cujo material nuclear é revestido por uma membrana, se não existe uma membrana não existe um núcleo. Seres eucarióticos possuem núcleos, mas os procarióticos não possuem núcleo, já que os mesmos materiais não são revestidos por uma membrana, pois um núcleo é toda a estrutura, assim como um prédio é toda uma estrutura, se não existem pilastras o sustentando, não existe prédio. Concluindo, dizer que um núcleo é revestido por uma membrana é ser redundante, porém, como não é esse o caso, existe um erro.

    Obrigado pela atenção.

    P.S.: Gostei muito do artigo.

  • Bernardo D:

    Cara adorei essa matéria sobre as Amebas. É bem informativa, pois sou fã de seres unicelulares…

  • squish:

    A expressão “assexuado que nem uma ameba” cai e dá lugar a uma nova (mas não tão nova) expressão!

    As amebas se multiplicam sexuadamente, umas “enzimas” das outras! 8D

  • luciana:

    Multirracialidade é uma vantagem genética.

  • Matheus:

    Mais simples de hoje em dia? De onde você tirou essa informação?

  • Ícaro:

    não conhecia essa expressão “assexuado que nem uma ameba”

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