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Arsênico, um conhecido veneno, também pode ser usado como remédio. Como?

Um intrigante composto do arsênico, chamado arsenito, acaba de ser desvendado pelos cientistas. O mistério estava em como a substância capaz de nos matar também pode funcionar como um eficaz agente terapêutico contra doenças e infecções.

De acordo com uma nova pesquisa publicada na edição deste mês da revista Genetics, cientistas das universidades Johns Hopkins, Baylor e Stanford descobriram que o arsenito, um contaminante de águas comum em muitas partes do mundo, afeta um mecanismo especial de dobramento de proteínas (processo químico pelo qual as proteínas assumem sua forma funcional) em leveduras, chamado TCP, que também está presente em humanos.

Uma descoberta que abre as portas para o desenvolvimento de remédios baseados em arsenito e ao mesmo tempo permite aos pesquisadores driblar os efeitos negativos do envenenamento que o composto pode causar.

“Ao entender melhor o arsenito, talvez possamos proteger os humanos de seus riscos no futuro”, diz Jef D. Boeke, Ph.D, coautor do estudo no Departamento de Biologia Molecular e Genética da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore. “O arsenito também tem efeitos benéficos, e pelo seu estudo talvez possamos encontrar maneiras mais seguras para colher tais benefícios sem os riscos inerentes que envolvem o uso de um composto derivado do arsênico”.

Para fazer a descoberta, os cientistas usaram ferramentas genômicas avançadas e experimentos bioquímicos, mostrando que o arsênico atrapalha algumas funções do mecanismo que permitiria a maturação de muitas proteínas dentro das células das leveduras – mecanismo esse que também está presente numa série de outros organismos, de bactérias a mamíferos.

“Com o crescimento da população humana, as reservas de água doce se tornam cada vez mais preciosas, mas infelizmente parte dessa água está contaminada com arsenito”, afirma Mark Johnston, editor-chefe da revista Genetics. “Quanto mais aprendermos sobre como esse composto afeta nosso organismo, mas próximos estaremos de contra-atacar seus efeitos mortais. Além disso, sabemos que sob certas doses controladas, o arsenito tem ação terapêutica. Espera-se que essa pesquisa nos aproxime de uma nova geração de drogas que alcancem o máximo benefício com o mínimo risco.”

[ScienceDaily]

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