As 85 pessoas mais ricas do mundo têm o mesmo dinheiro que as 3,5 bilhões mais pobres

Por , em 21.01.2014

As pessoas mais ricas do mundo certamente não são conhecidas por andarem de ônibus, mas estes 85 indivíduos, que juntos controlam tanta riqueza quanto a metade mais pobre da população mundial, poderiam caber em um único biarticulado.

Quem expõe esse dado chocante é a Oxfam International, uma confederação de 13 organizações e mais de 3.000 parceiros que busca soluções para o problema da pobreza e da injustiça através de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais.

Seu novo relatório adverte que as 85 pessoas mais ricas em todo o globo compartilham uma riqueza combinada de £ 1 trilhão (cerca de R$ 3,8 trilhões), enquanto 3,5 bilhões dos mais pobres dividem outro £ 1 trilhão.

“[O relatório da Oxfam] é mais uma confirmação de que a economia global está distorcida”, afirma Philip Jennings, secretário-geral da UNI Global Union, uma federação internacional de sindicatos com sede em Genebra. “Estes são níveis de desigualdade que não vemos desde 1920”.

Os 1% mais ricos do mundo concentram quase metade de todo o dinheiro no globo. Ele possuem juntos US$ 110 trilhões (cerca de R$ 257 trilhões), o equivalente a 65 vezes mais do que a riqueza total da metade mais pobre do mundo junto. Os dados, compilados do relatório World Wealth do Credit Suisse e da lista de bilionários da Forbes, mostra que os mais ricos aumentaram suas fortunas em 24 dos 26 países pesquisados entre 1980 e 2012.

A Oxfam teme que esta concentração de recursos econômicos ameace a estabilidade política e movimente tensões sociais. “Esta concentração maciça de recursos econômicos nas mãos de poucas pessoas representa uma ameaça significativa para os sistemas políticos e econômicos inclusivos. Ao invés de avançar juntas, as pessoas estão cada vez mais separadas por poder econômico e político, inevitavelmente aumentando as tensões sociais e o risco de colapso da sociedade”, diz o relatório.

A desigualdade de riqueza é um dos tópicos que líderes políticos e grandes empresários vão discutir nos picos nevados de Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial esta semana. Poucos, se algum deles, irão chegar ao fórum de ônibus. Jatos particulares e helicópteros devem descer nas redondezas enquanto algumas das pessoas mais poderosas do mundo se reúnem para discutir o estado da economia mundial ao longo de quatro dias.

Winnie Byanyima, diretor-executivo da Oxfam, vai participar das reuniões e disse: “É impressionante que, no século 21, metade da população do mundo – que é 3,5 bilhões de pessoas – não possuem mais do que uma pequena elite cujo número poderia caber confortavelmente em um ônibus de dois andares”.

Oxfam também argumenta que isso não é acidente – a crescente desigualdade tem sido impulsionada por uma “tomada de poder” pelas elites ricas, que cooptaram o processo político para fraudar as regras do sistema econômico em seu favor. Desde o final de 1970, as taxas de impostos para os mais ricos caíram em 29 dos 30 países para os quais existem dados disponíveis, segundo o relatório.

A organização postula que a luta contra a pobreza não pode ser vencida até que a desigualdade seja abordada. “Ampliar a desigualdade é criar um círculo vicioso, onde a riqueza e o poder estão cada vez mais concentrados nas mãos de poucos, deixando o resto de nós a lutar por migalhas”, argumenta Byanyima.

Brasil tem diminuição de desigualdade

O presidente dos EUA, Barack Obama, identificou a igualdade econômica como uma das questões que definem a nossa época. Em um discurso em dezembro, ele disse que o aumento da desigualdade “desafia a própria essência do que somos como povo”. Nos EUA, os 1% mais privilegiados representam 95% do crescimento pós-crise financeira desde 2009, enquanto os 90% da parte de baixo da lista tornaram-se mais pobres.

“Nos últimos 30 anos, 7 em cada 10 pessoas têm vivido em países onde a desigualdade econômica tem aumentado”, explica Nick Galasso, um dos coautores do estudo. “Esta é uma tendência que vem se desenrolando globalmente nas últimas duas ou três décadas. Nós não vimos qualquer vontade política de coibir isso”.

Felizmente, a América Latina segue na contramão desta tendência –temos diminuído a desigualdade na última década. “Entre os países do G20, as economias emergentes geralmente eram aquelas com maiores níveis de desigualdade (incluindo África do Sul, Brasil, México, Rússia, Argentina, China e Turquia) enquanto os países desenvolvidos tendiam a ter níveis menores de desigualdade (França, Alemanha, Canadá, Itália e Austrália)”, explica o relatório. “Agora, todos os países de alta renda do G20 (exceto a Coreia do Sul) estão vivendo o crescimento da desigualdade, enquanto Brasil, México e Argentina estão vendo um declínio”.

No documento, a Oxfam aponta o Brasil como um caso de sucesso na redução da desigualdade, em parte devido ao crescente gasto público social, um programa de transferência de renda de larga escala que impõe condições para o recebimento (Bolsa Família) e um aumento no salário mínimo de mais de 50% desde 2003.

No entanto, a instituição deixa claro que a democracia ainda é frágil e a desigualdade ainda é muito alta no país. A boa notícia é que as ações recentes mostram que as enormes disparidades de renda podem ser combatidas com intervenções políticas.

A Oxfam pediu que os participantes do Fórum Econômico Mundial firmem um compromisso pessoal para resolver o problema, abstendo-se de se esquivar de impostos ou de usar sua riqueza para buscar favores políticos (como indicou uma pesquisa da confederação em seis países – Brasil, Espanha, Índia, África do Sul, Grã-Bretanha e Estados Unidos -, a maioria dos entrevistados acredita que as leis são distorcidas para favorecer os ricos).

Entre outras coisas, a Oxfam sugere o estabelecimento de uma meta global para acabar com a desigualdade extrema em todos os países, uma regulamentação maior dos mercados para promover crescimento sustentável e diminuição dos poderes dos ricos de influenciar os processos políticos.

Além de ser moralmente duvidosa, a Oxfam defende que a desigualdade econômica também pode agravar outros problemas sociais, como a desigualdade de gênero. Até as reuniões dos poderosos já sofrem nesta área, com o número de participantes mulheres caindo de 17% em 2013 para 15% este ano. [TheGuardian, USAToday, BBC]

Dica de artigo de Rafael Slonik.

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15 comentários

  • Paulo Batista Gomes:

    Bem, vivemos hoje num mundo quase que totalmente “Capitalista”, então ricos e pobres
    vão sempre conviver no mesmo ambiente, as diferenças entre estes dois extremos
    vão sempre ser motivos de observações. Se observarmos a História mundial, isso de
    alguma forma sempre existiu, “Reis e Plebeus”, “Fazendeiros e Escravos” e nos dias de
    hoje na maioria dos lugares mundo a fora, “Patrões (normalmente Ricos) e Empregados
    (quase sempre Pobres)”. Aqui no Brasil no tempo dos Coroneis do Café, por exemplo, os
    Escravos e mais tarde empregados, não tinham moradias próprias, moravam nas
    fazendas onde trabalhavam, se olharmos a História mais uma vez, vamos observar que
    na época da industrialização no Brasil, os Empresários também ofereciam moradias
    próximo ao local de trabalho dos empregados, (ideia fantástica que deveria ser
    copiado hoje para minimizar os problemas com transporte nas grandes e até nas pequenas
    cidades industrializadas). Então vamos observar os países onde estas diferenças
    são menores ou podemos até admitir mais justas, devemos nos questionar, por que então
    nestes países isso foi possível? Simplesmente porque seus Governantes são menos
    incompetentes, mais justos com a distribuição, porque estes Governantes oferecem
    EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA, MORADIA E DIGNIDADE de verdade e com qualidade para os
    menos privilegiados no cruel mundo Econômico.
    Se fizermos um passeio pelas periféria destes países, não vamos encontrar “FAVELAS”
    e no lugar delas encontraremos montanhas e morros verdes ou limpos sem moradores, mas
    encontraremos sim Condomínio Habitacionais, equipados com tudo que esta população
    precisa para viver; Escolas, Universidades e Faculdades Técnicas, Hospitais e
    Postos de Saúde, Agências Bancaria, Serviços dos Correios, Grandes Supermercados e
    Shopping Centers, Ciclovias, Grandes Praças Verdes, Quadras de Futebol, Volei e Basquete
    com esta população morando com todo esse conforto e sossego, temos muito menos violência
    local, (rotina dentro de nossas favelas ou comunidade como está na moda hoje),
    sem precisar sair dali, a não ser para trabalhar ou fazer eventuais visitas, resolvesse
    também parte do problema de transportes com esta população.

    Como podemos ver, se houvesse vontade Politica, não teriamos uma desigualdade tão grande assim.er…

  • leigo:

    Meu comentário abaixo foi sarcasmo. Só escrevi um argumento tosco, usado por muitos capitalistas idiotas.

  • Cesar Grossmann:

    85 pessoas tem muito mais do que possivelmente poderiam precisar, enquanto 3,5 bilhões tem o mínimo necessário ou muito menos que o necessário.

    Isto lembra um caso de uns 25 anos atrás, um empresário fazia uma retirada mensal correspondente a 10x a folha de pagamento de todo o resto da empresa. Em outras palavras, se ele abrisse mão de 10x de sua retirada mensal, poderia DOBRAR o salário de todo mundo. Obviamente ele nunca fez isso. Só lembrem disso quando falarem que o salário mínimo oficial é muito baixo…

  • Ronaldo Junior:

    O foda e saber que essas pessoas vao morrer sem conseguir gastar tanto dinheiro enquanto outros sofrem pela falta de dinheiro….E muita desigualdade.

  • Cati Ane:

    A maioria dos ricos baseiam suas fortunas na exploração da mão de trabalho de todo tipo, no burlamento de lei de proteção à natureza de toda sorte entre outras falhas morais e sociais que muita gente não esta disposta a fazer.
    Então creio que esse merecimento que tanto falam é questionável. A os bilionários negocias seus valores morais, enquanto grande parte acredita na ascensão por meios que não abalem sua honra.
    Além disso, creio que não exista ingênuo que o lucro de marcado não envolve a necessidade de que haja miseráveis e ponto de fazer qualquer coisa por um prato de comida. Uma realidade triste!

  • Vanivaldo Lima:

    tanto pra poucos e pouco pra tantos! embora muitos mereçam o que tem, é muita injusta as coisas desse mundo..

  • Hugo Machado:

    Bacano. Inteligentes? Seres que vivem à conta da miséria de biliões…Seres que tem o direito de decidir quem morre ou não à fome.Inteligentes…FDX ?!!! ABRAM OS OLHOS…MUNDO….

  • leigo:

    Essas 85 pessoas merecem o que têm, afinal, eles são mais inteligentes, e batalharam por isso.

    • Striker Hero:

      kkkkkkkkkkkkkk foi ironia né?

    • Lucy Soares Chaves:

      Conheço muitos ricos que batalham muito e muitos pobres que apesar de batalharem não conseguem sequer pagar a cesta básica em casa. E muitos ricos que são contemplados pela sorte e pobre que não tem iniciativa.
      Porém, penso que a elite no Brasil está muito brava com esta distribuição de renda aos menos favorecidos o que na verdade sou a favor, pois não se deve falar com quem tem fome antes de oferecer pelo menos um prato de comida. E é muito triste você ver rico tomando banho de leite para embelezar a pele enquanto o pobre não tem como oferecer este mesmo leite a seu filho. Eu particularmente não me conformo com isto. E está é minha opinião.

    • Sheila Monteiro:

      Ou conseguiram o que tem através da exploração do trabalho de bilhões de cidadãos pobres.

    • DiegoPEs:

      Não compactuo nem um pouco com a ideologia socialista, mas 1 pessoa dessas mais ricas tem simplesmente 41 milhões de vezes mais dinheiro do que 1 das mais pobres, em média. Isso não pode significar que 1 merece 41 milhões de vezes mais dinheiro que a outra, por mais genial que ela seja. A desigualdade é inevitável, mas a esses níveis ela não é nem um pouco saudável pra harmonia da civilização.

    • Cati Ane:

      Inteligência? Creio que eles tenham a coragem de passar por cima de muitos valores que a maioria não tem. Há pessoas que não negociam seus valores.
      A maioria das multinacionais exploram o trabalho escravo, minam c natureza e cerceiam qualquer tipo de manifestação por um mundo mais justo. Leia mais sobre a situação mundial e verá muitas coisas da qual parece ainda desconhecer.

    • Naldo Soares:

      Eles são mais inteligentes, e batalharam por isso Ou conseguiram o que tem através da exploração do trabalho de bilhões de cidadãos pobres?

      Acho que uma mistura dos dois.

    • Cesar Grossmann:

      Não. Muito provavelmente eles nasceram ricos, ou então nasceram em um ambiente com as conexões certas para que ele se tornassem assim ricos. Você poderia ser tão inteligente e trabalhar tanto quanto eles, mas sem as conexões certas, sem ter nascido na família correta, sem o acesso a certos ambientes e pessoas, você jamais chegará perto do que eles tem.

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