Por que alguns pais são deixados para criar os filhotes sozinhos

Por , em 7.04.2013

Um fato estranho na natureza tem desafiado os biólogos há mais de um século. Darwin, em 1871, havia notado que, na maior parte dos animais, é a fêmea que cuida dos filhotes, enquanto os machos ficam competindo entre si por elas.

A explicação evolutiva é que as fêmeas investem quantidades significativas de energia na produção dos ovos (no caso dos mamíferos, no nascimento), e assim é de interesse delas garantir a sobrevivência de suas crias.

Mas, em algumas espécies, existe uma reversão nos papéis dos sexos, com machos cuidando dos filhotes em vez das fêmeas. Um estudo recente aponta que talvez a razão para isto seja a disparidade entre o número de fêmeas e machos.

Depois de mais de vinte anos de investigação, o grupo de pesquisadores da Universidade de Bath e Veszprém , da Hungria, determinou que, nestas espécies, há claramente uma taxa muito maior de machos do que fêmeas, comparado com as espécies em que as fêmeas cuidam dos filhotes.

Segundo o professor Tamás Szekely, os modelos matemáticos sugeriam que o comportamento dos animais era influenciado pelo ambiente social, e as observações na natureza confirmam estas predições.

Segundo ele, “quando existem muitos machos na população, é mais difícil encontrar fêmeas, o que faz com que os machos permaneçam com suas parceiras e cuidem da cria. Só que as fêmeas geralmente usam esta vantagem a seu favor, abandonando o macho com o filhote”.

Para completar o quadro, nas espécies em que os papéis são trocados, as fêmeas também são maiores e assumem o papel masculino de competirem entre si por outros machos.

Apenas entre os mamíferos a troca de papéis não é comum, já que os machos não podem produzir leite, o que torna difícil que assumam sozinhos a criação dos filhos. Uma das espécies mamíferas em que as inversões de papéis já foram observadas são os humanos. [Phys.Org]

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4 comentários

  • Leandro Pereira:

    Gerbilos são matriarcais. As mães não necessariamente abandonam as crias, mas fazem todo o papel “de macho” cuidando dos arredores, saindo das tocas, enquanto os machos aquecem os filhotes e limpam o ninho. Acho que colocar seres humanos no último parágrafo foi bem ruim. Quantos casais vc conhece que o pai saiu fora, enquanto a mãe dá a vida pelos filhos?

  • grasisuperstar:

    Fêmeas que abandonam os seus filhos provavelmente seriam uma péssima mãe, principalmente se forem da nossa espécie.
    Melhor que deixem por conta dos machos que as vezes são mães ótimas (tirando a dificuldade do leite materno)tiram de letra a maternidade.
    Conheço alguns pais solteiros e divorciados que criaram muito bem seus filhos.

    • Leandro Pereira:

      Felinos abandonam seus filhotes com certa frequência. Não é que sejam péssimas mães, é o que está descrito ali em cima: é um gasto enorme de energia cuidar de filhotes. E pior ainda, quando crescem, vão disputar território e recursos. Não é que fêmeas que abandonam os filhos sejam péssimas mães, o ponto de vista aqui é o puramente biológico. Péssimas mães são as incapazes de gerar filhotes. Claro que pais solteiros, divorciados e viúvos podem ser grandes pais – mas isto não é, em absoluto, inversão de papéis. Nós somos os animais que têm maior dependência da mãe quando nascemos. Demoramos muitos anos pra poder sobreviver com nossos próprios recursos, ao passo que uma girafa cai da mãe (quase 2 metros), se levanta e já sai correndo do leão. No nosso caso, precisamos tanto de pai quanto de mãe, mas mais da mãe. Na falta de um, obviamente, o outro pode assumir. Acho que a infelicidade de citar humanos ali é que somos justamente o animal em que o papel da mãe pode ser substituído. Não existem mamadeiras no mundo animal.

  • Marko Costa:

    Por isso q eu falo, falta de fêmea Nunca é bom kkkkk

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