Cientistas realizam importante avanço na criação de vacinas

Por , em 11.02.2014

As vacinas são, talvez, a segunda maior descoberta da medicina, atrás apenas dos antibióticos, e consistem em provocar uma resposta do sistema imunológico expondo-o a uma versão atenuada, morta ou parcial de um patógeno.

As vacinas funcionam por que o sistema imunológico “lembra” do agente que causou a resposta imunológica e, quando o encontra novamente, responde de forma mais imediata e eficaz. Este é um dos motivos por que as pessoas têm certas doenças apenas uma vez na vida.

O problema é que o desenvolvimento de novas vacinas está no seu limite. Para alguns vírus com alta taxa de mutação, como HIV e hepatite C, ainda não temos uma boa proteção. Além disso, o método atual é empírico, baseado em observação e experimentação, o que leva a muitos fracassos.

Entra em cena um novo método de provocar o surgimento de anticorpos que poderia revolucionar essa área da saúde.

A ideia é do pesquisador Bruno Correia, do Instituto Gulbenkian Ciência e do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (IQTB) de Portugal, e colegas do Departamento de Bioquímica da Universidade de Washington (EUA), além do Instituto de Pesquisas The Scripps.

A técnica usa os epítopos, as partes dos vírus que são reconhecidas pelo sistema imunológico, criando um tipo de vacina “focada em epítopos”. Utilizando um programa especial, os pesquisadores criaram uma proteína que funciona como envelope ou estrutura portadora do epítopo e provoca uma reação do sistema imunológico, levando-o a produzir anticorpos para aquele epítopo.

Para testar seu novo design, um vírus que é responsável por 7% das mortes infantis e para o qual ainda não há uma vacina, o vírus sincicial respiratório (RSV), foi usado. Primeiro foram criadas 40.000 possíveis estruturas, que então foram selecionadas pelo computador, restando apenas 8 consideradas promissoras, das quais 6 foram selecionadas.

As seis estruturas foram testadas em ratos e em macacos rhesus. Exames feitos posteriormente mostraram que os ratos produziram alguns anticorpos, embora não fossem capazes de neutralizar o vírus.

Já nos macacos que a resposta foi incrível – eles produziram anticorpos mais potentes que o anticorpo profilático usado para tratar pacientes de alto risco, provando que o método é capaz de produzir anticorpos terapêuticos.

Entretanto, as estruturas proteicas geradas ainda precisam ser aperfeiçoadas para uso em humanos. O Dr. Correia aponta que estes resultados são apenas a primeira parte do protocolo para desenvolver uma vacina contra o RSV.

Além disso, abre-se a porta para usar esta mesma estratégia em outras doenças, incluindo o HIV. O trabalho foi publicado na edição de 5 de fevereiro deste ano, no periódico científico Nature. [Science 2.0]

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4 comentários

  • Evaristo Matule:

    Principalmente nós os Africanos concretamente na Africa SubSahariana, precisamos urgentemente dessa ajuda antes de perecermos, as descobertas são vencidas, precisamos muito dessa vacina….

  • WPantuzzo:

    Deve-se lembrar que os macacos Rhesus possuem o sistema imunológico entre os mais fortes do reino animal, o que significa que sua reação promissora, pode não ser atingida entre nós meros Homo-sapiens.

    • Cesar Grossmann:

      Vamos torcer para que o efeito se repita conosco, então.

  • Daniel Iserhard:

    Meus caros, há um erro comum para o público mas que não deveria ser cometido aqui. Houve uma tradução errada na frase: “Já nos macacos que a resposta foi incrível – eles produziram anticorpos mais potentes que o antibiótico profilático usado para tratar pacientes de alto risco, provando que o método é capaz de produzir anticorpos terapêuticos.”

    Uma doença viral JAMAIS pode ser tratada com um ANTIBIÓTICO que é feito para combater BACTÉRIAS. A palavra correta é “anticorpos” mesmo.

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