Cirurgiões criam pênis para homem transgênero usando pele do antebraço

Por , em 3.07.2018

Cirurgiões criaram um pênis para um homem transgênero usando a pele de seu antebraço. O órgão dá a ele todas as sensações normais da pele, e é capaz de causar orgasmos.

O jovem de 28 anos chamado Elijah Stephens iniciou sua transição de gênero aos 18 anos. Ele conta que sempre se sentiu diferente. “No ambiente que eu cresci em New Jersey nos anos 1990 não havia uma única palavra para descrever o que eu sentia. Eu não me sentia ‘lésbica’. Eu não ouvi a palavra ‘transgênero’ até ter 18 anos, e não foi nem na TV ou jornais. As pessoas simplesmente usavam o termo ‘mudança de sexo’”, relembra ele ao site Dailymail.

A partir daí, ele começou a pesquisar o que significa ser transgênero, e percebeu que se sentia assim. Veio então o alívio e a sensação de pertencimento. “Eu pensei: tem outras pessoas por aí como eu”, diz. Ele começou então o acompanhamento psicológico no Centro Mazzoni na Filadélfia, e em 2014 começou a planejar suas primeiras cirurgias.

Em 2016 ele passou por uma dupla mastectomia e reconstrução da região do peito. Um ano depois, passou por uma histerectomia para remover o útero, antes de remover o canal vaginal com uma vaginectomia. Os pequenos lábios e uretra foram mantidos para criar o escroto e para permitir que ele urinasse normalmente.

O próximo passo foi a faloplastia, ou construção de um pênis a partir da transferência tecidual, para estabelecer funcionalidade ao órgão. Os nervos podem ser conectados à uretra reconstruída, e o clitóris pode ser reposicionado para ficar na base do pênis. O relacionamento sexual é possível depois dessa cirurgia, algumas vezes usando próteses para criar uma ereção, embora alguns pacientes digam que isso não é necessário.

O médico responsável pela cirurgia de Stephens se chama Jonathan Keith, e é especialista em microcirurgias, ou, como ele mesmo brinca, em “mudar a pele de um lugar do corpo para outra”. Para o procedimento de Stephens, Keith usou a pele do antebraço esquerdo do paciente para criar um “tubo dentro de outro tubo”. Ele conectou os nervos da pele do braço com os nervos do clitóris para que Stephens tivesse a sensação de tato neste novo órgão. Já as veias da pele foram conectada às artérias principais do fêmur. Parte de tecido da coxa foi utilizado para substituir o tecido do antebraço.

Realizar a cirurgia não foi nada fácil. Kleith conta que já era capaz de realizar o procedimento há algum tempo, mas que não tinha a equipe especializada para trabalhar com ele. “É falta de responsabilidade fazer esse tipo de operação sem a equipe certa. Você precisa de um ginecologista, urologista e cuidados psiquiátricos. Eu dizia aos pacientes: ‘vou fazer a cirurgia, mas você precisa me dar tempo para montar a equipe’”, descreve o médico.

Ele levou três anos para montar o grupo de profissionais. “Quanto mais centros oferecerem o procedimento, mais podemos reunir e comparar nossas informações e torná-lo mas seguro e melhor”, defende Keith.

Stephens incentiva outras pessoas com histórias semelhantes a lutarem pelos seus sonhos: “Sei que as pessoas vivem com medo de se assumirem, de retaliações, das repercussões nas redes sociais que hoje eu enfrento. Mas isso não deveria intimidá-las. Essas pessoas da internet não te conhecem. Não tem nada mais assustador que se esconder de si mesmo”, diz ele. [Dailymail]

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