Cogumelos mágicos podem explicar Papai Noel e suas renas “voadoras”

Por , em 2.01.2013

Este Natal, como muitos outros, a história do Papai Noel e suas renas voadoras foi contada, incluindo como o “velho alegre” percorreu todo o mundo em uma só noite, dando presentes para todas as crianças.

Mas, de acordo com uma teoria, a história do Papai Noel e suas renas voadoras tem uma origem improvável: cogumelos alucinógenos ou “mágicos”.

John Rush, antropólogo e professor no Sierra College em Rocklin, na Califórnia (EUA), aponta que “Papai Noel é a contraparte moderna de um xamã, que consumiu plantas e fungos que alteram o estado mental e entra em comunhão com o mundo espiritual”.

De acordo com a teoria, a lenda do Papai Noel deriva de xamãs das regiões siberianas e árticas que deixam de presente nas casas um pacote cheio de cogumelos alucinógenos, para celebrar o final de dezembro.

Segundo conta a história, até alguns séculos atrás estes xamãs e sacerdotes ligados à antiga tradição coletavam o Amanita muscaria (o Cogumelo Sagrado), secavam-no, e o distribuíam como presente no solstício de inverno. Como a neve estava bloqueando as portas, as pessoas entravam e saíam por um buraco no teto, e daí veio a história do velho Noel entrando e saindo pela chaminé.

Mas esta é só a primeira das conexões simbólicas entre o cogumelo Amanita muscaria e a iconografia do Natal, de acordo com vários historiadores e etnomicologistas, ou pessoas que estudam a influência que os fungos tiveram nas sociedades humanas. Porém, é claro, nem todos os cientistas concordam que a história do Papai Noel esteja ligada a alucinógenos.

Presentes sob a árvore

No livro “Mushrooms and Mankind” (“Cogumelos e a Humanidade”, ed. The Book Tree, 2003), o falecido autor James Arthur nota que o Amanita muscaria, também conhecido como agário-das-moscas, desenvolve-se no hemisfério norte sob coníferas e bétulas, e que estas árvores têm um relacionamento simbiótico com o cogumelo vermelho. Isto explicaria a árvore de Natal, e a colocação de presentes vermelho-e-brancos embaixo dela.

“Por que as pessoas trazem pinheiros para suas casas no solstício de inverno, colocando pacotes coloridos (vermelho e branco) embaixo delas, como presentes para mostrar seu amor aos outros?”, pergunta Arthur. “É por que é debaixo do pinheiro que se pode encontrar a substância ‘Mais Sagrada’, o Amanita muscaria, na floresta”.

As renas também são comuns na Sibéria, e buscam estes cogumelos alucinógenos da mesma forma que os habitantes da região. Donald Pfister, um biólogo que estuda fungos na Universidade de Harvard (EUA), sugere que as tribos siberianas que ingeriam o agário-das-moscas poderiam ter visto renas voando em suas alucinações.

Renas “voadoras”

“À primeira vista, parece ridículo; quem já ouviu falar de uma rena voadora? Acho que já está se tornando um lugar comum, todo mundo achando que Papai Noel estava ‘viajando’ com suas renas”, aponta Carl Ruck, professor de estudos clássicos na Universidade de Boston (EUA).

“Entre os xamãs siberianos, você tem um espírito animal que pode te guiar em sua busca por uma visão espiritual, e renas são comuns e familiares à pessoas na sibéria oriental. Eles também têm uma tradição de se vestir como um cogumelo, usando roupas vermelhas com manchas brancas”, continua ele.

Ornamentos com a forma dos cogumelos Amanita e outras representações dos cogumelos são comuns nas decorações de natal no mundo inteiro, particularmente na Escandinávia e norte da Europa. Apesar disto, segundo Pfister, a conexão entre o Natal moderno e a prática ancestral de ingerir cogumelos é uma coincidência, sem nenhuma conexão direta conhecida.

Muitas destas tradições foram misturadas ou projetadas em São Nicolau, um santo do quarto século conhecido pela sua generosidade, conforme conta a história.

A Conexão Noel

Há pouco debate sobre o consumo de cogumelos por tribos do Ártico e da Sibéria, mas a conexão com as tradições de Natal é mais tênue, ou “misteriosa”, conforme aponta Ruck.

Muitos dos detalhes modernos do Papai Noel moderno vem de “A Visit from St. Nicholas” (“Uma Visita de São Nicolau”, que mais tarde se tornou “Twas the Night Before Christmas” ou “Na noite da véspera de Natal”), um poema de 1823, creditado a Clement Clarke Morre, um acadêmico aristocrático que viveu na cidade de Nova Iorque, nos EUA.

As origens da visão de Moore não são muito claras, embora se acredite que provavelmente foram derivadas de motivos europeus, por sua vez derivados de tradições xamânicas siberianas ou árticas – o trenó e as renas de Papai Noel aparecem em vários mitos do norte da Europa. Por exemplo, o deus nórdico Thor (conhecido na Alemanha como “Donner”) voa em uma carruagem puxada por dois bodes, que foram trocados no conto moderno de Papai Noel por renas.

Rudolf é outro exemplo da imagem do cogumelo ressurgindo; seu nariz parece com um cogumelo vermelho.

Dúvidas

Outros historiadores parecem não crer em uma conexão entre Papai Noel e os xamãs ou cogumelos mágicos, como Stephen Nissenbaum, que escreveu um livro sobre as origens das tradições de Natal, e Penne Restad, da Universidade do Texas (EUA).

Um historiador, Ronald Hutton, acredita que a conexão não tem bases. “Se você examinar a evidência do xamanismo siberiano, como eu fiz, vai descobrir que os xamãs não viajavam de trenó, não lidavam corriqueiramente com espíritos de renas, raramente ingeriam cogumelos para entrar em transe, e não tinham roupas vermelho-e-branco”.

Mas, segundo Rush e Ruck, estas afirmações estão incorretas: xamãs lidavam com espíritos de renas, e a representação das cores de suas roupas tem mais a ver com os cogumelos que com roupas xamãnicas. E sobre os trenós, o ponto não é o meio de transporte, mas que a “viagem” envolve transporte para um reino diferente, celestial.

“As pessoas que conhecem o xamanismo aceitam esta história. Há outro motivo para Papai Noel viver no Polo Norte? É uma tradição que remete à Sibéria”, diz Ruck. [LiveScience]

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4 comentários

  • pmahrs:

    Se eu viesse daquele tempo e visse um avião voando eu iria pensar que comi cogumelo demais e estava doidão. Não são bem renas, mas também não são pássaros e transportam pessoas e cargas; os aviões e naves, cada vez têm mais autonomia e velocidade.

  • Joaquim Guedes Batista:

    Nos dias de hoje, o Natal é uma base do tempo, é o ponto de separação de um ano com o outro, começo das plantações, é uma formo do novo que está chegando, é uma esperança de uma nova vida ou de uma vida melhor, nós os humanos gostamos de ter sonhos, veja que todo ano, queremos ir a algum lugar, fazemos economia pra curtir a fantasia que na verdade não é o seu dia a dia. Qualquer outro dia, dependendo de cada um, pode fazer um natal semelhante e mais barato, reunir com amigos, palestrar sobre coisas boas, alertar sobre os perigos, faz parte de uma sociedade sadia, Tenham um brilhante e rendoso ano de 2013. JOAQUIM GUEDES BATISTA.

  • D. R.:

    Mais uma teoria para a coleção!

    Embora seja interessante, ainda prefiro a versão tradicional de São Nicolau:

    “…

    O verdadeiro Papai Noel foi uma pessoa de carne e osso, mais precisamente São Nicolau Taumaturgo – um arcebispo turco. São Nicolau costumava ajudar pessoas pobres da cidade de Mira colocando moedas de ouro nas chaminés de suas casas durante a época de Natal. Mais tarde, diversos milagres foram atribuídos a São Nicolau fazendo-o por se tornar santo. Sua imagem como símbolo natalino teve origem na Alemanha, e de lá se espalhou para mundo inteiro.

    Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente Papai Noel é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto. Essa imagem se tornou popular nos EUA e Canadá no século XIX devido à influência da Coca-Cola, que na época lançou um comercial do bom velhinho com as vestes vermelhas. Essa imagem tem se mantido e reforçado por meio da/dos mídia (português brasileiro) ou meios (português europeu) publicitária(os), como músicas, filmes e propagandas.

    Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do Papai Noel foi Clemente Clark Moore, um professor de literatura grega de Nova Iorque, que lançou o poema Uma visita de São Nicolau, em 1822, escrito para seus seis filhos. Nesse poema, Moore divulgava a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas. Ele também ajudou a popularizar outras características do bom velhinho, como o fato (português brasileiro) ou facto (português europeu) dele entrar pela chaminé.

    O MITO DA COCA-COLA

    É amplamente divulgado pela internet e por outros meios que a Coca-Cola seria a responsável por criar o atual visual do Papai Noel ou Pai Natal (roupas vermelhas com detalhes em branco e cinto preto)[2], mas é historicamente comprovado que o responsável por sua roupagem vermelha foi o cartunista alemão Thomas Nast[3], em 1886 na revista Harper’s Weeklys.

    Papai Noel ou Pai Natal até então era representado com roupas de inverno, porém na cor verde (com detalhes prateados ou brancos), tipico de lenhadores[carece de fontes]. O que ocorre é que em 1931 a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ou Pai Natal ao mesmo modo de Nast[carece de fontes], com as cores vermelha e branca, o que foi bastante conveniente, já que estas são as cores de seu rótulo. Tal campanha, destinada a promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período em que as vendas da bebida eram baixas na época), fez um enorme sucesso[carece de fontes] e a nova imagem de Papai Noel ou Pai Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo. Portanto, a Coca-Cola contribuiu para difundir e padronizar a imagem atual, mas não é responsável por tê-la criado.

    …”.

    FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Papai_Noel

    • Yazmin Gatti:

      Hoje , muita gente ia adorar receber cogumelos alucinógenos como presente de Natal XD

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