Como evitar que sua filha engravide na adolescência

Por , em 21.10.2012

Já se tornou até clichê, no cinema ou em novelas das oito, a imagem de uma jovem aflita sentada na cama, retirando uma fita roxa de um copinho e caindo no choro: ela está grávida. O risco deste drama chegar à vida real tira o sono dos pais do século XXI, já que a situação não é tão incomum.

Mas existem formas inovadoras de prevenção.

Uma das mais recentes, que está sendo experimentada com mais afinco apenas este ano, chama-se Intervenção para Redução de Risco Sexual (SSR Intervention, em inglês). O trabalho é liderado pela Universidade do Sul da Flórida, estado americano que produziu mais de 450 mil adolescentes grávidas de 1991 a 2008.

No Brasil, o governo se esforça para enfatizar que as taxas de gestação adolescente estão em queda, mas o problema continua presente. O que se recomenda “oficialmente”, no entanto, são apenas as normas médicas que nem sempre são seguidas.

O Ministério da Saúde pede que as meninas tenham, desde a primeira menstruação, acesso a pílulas anticoncepcionais e até injeções de hormônio, e alertam que métodos como o da “tabelinha” requerem muita disciplina. Em outras palavras, o governo não confia em nossas adolescentes. Segundo os pesquisadores da Flórida, isso não seria a maneira certa de abordar a questão.

Questão que fica, inclusive, para você refletir: será que vale mais fazer com elas uma catequese profunda sobre todos os meios médicos de prevenir a gravidez, ou a orientação deve ter outro enfoque?

Como o SSR funcionou

Este novo método consiste, de maneira geral, em provocar mudanças comportamentais nas meninas. Foram criados jogos mentais e dinâmicas de grupo que pretendem aumentar, psicologicamente, a propensão à abstinência sexual em grupos sociais, digamos, “de risco” (populações de baixa renda das periferias urbanas, por exemplo).

No caso da pesquisa na Flórida, 738 meninas de idades entre 15 e 19 anos foram submetidas a quatro sessões semanais (de duas horas cada) de intervenção SSR, depois outras duas sessões, três e seis meses após o início. Depois de um ano, os resultados mostraram baixo índice de sexo desprotegido e gravidez nestas meninas, em comparação com um grupo que não havia passado pela intervenção.

Os pesquisadores destacam que o trabalho psicológico nas jovens não aborda diretamente o assunto da contracepção e das DSTs. O que se faz é uma mudança de mentalidade que visa antes à preservação do próprio corpo em todos os sentidos, não apenas o sexual. Tudo com a finalidade de torná-las menos vulneráveis no futuro próximo.

Outras universidades americanas estão juntando esforços com a Flórida para aprimorar as pesquisas sobre a intervenção SSR. [Medical Xpress/EBC/Portal da Saúde do Governo Federal]

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6 comentários

  • Jessica Mapo:

    “Como evitar que sua filha engravide na adolescência”. É simples: a ensine, desde cedo, que sexo não é sujo, que sexo não é proibido, que sexo é bom na hora que ela esteja segura, e que é de suma importância cuidar da saúde e do futuro dela. Ensine suas filhas e filhos a usarem preservativos, anticoncepcionais, mostrem que o sexo é maravilhoso quando praticado com segurança. O problema dos pais até hoje é quererem reprimir sexualmente seus filhos, os fazendo pensar que sexo é errado, os deixando cada vez mais inseguros e não os preparando para o ato. O mais certo é garantir que seus filhos tenham o máximo de informação possível para não desperdiçarem suas adolescencias cuidando de neném pequeno.

  • Raí Carlos:

    Realmente essas questão de trabalhar um lado e deixar outro não dá, o trabalho deve ser feito tanto com as meninas quanto com os meninos. Mas acho que esse método dificilmente funcionaria no Brasil, nos EUA acredito que não tenha tanta vulgaridade igual temos na cultura brasileira de hoje em dia, a primeira coisa que deveria mudar por aqui é esse ponto, diminuir a vulgaridade, seja ela na mídia ou nas musicas, já ajudaria bastante com isso.

  • Igor Jmm:

    Acredito que a grande falha desses “métodos” é se focar exclusivamente no sexo feminino, e deixarem o masculino de lado.

    Se esquecem que sexo não se faz sozinho, e de nada adianta “catequizar” uma garota se os garotos são tarados de plantão. Uma hora ela vai cair na conversa de um. O que deve ser feito é a conscientização dos dois lados dessa moeda, e se possível, juntamente com os pais também, pois não é dificil achar famílias que não discutem esse assunto com seus filhos, ou então incentivam seus filhos a serem os “pegadores” (no caso dos garotos).

    Sexo é algo pra ser feito com responsabilidade, pois se sair algo “errado”, o resultado é um filho ou uma DST. E mesmo que seja feito de forma segura, faça com uma mão na consciência, pois não é por que o seu carro tem Airbag que você vai correr a 120 km/h no centro da cidade.

  • elisa:

    A conversa franca entre pais e filhos ainda é a melhor prevenção.

  • Carlos:

    Esta geração de hoje, o único jeito de evitar é trancando 24 horas dentro de casa! Estas meninas, quando morrerem, um joelho vai comentar com o outro: enfim juntos!

  • Vinny Rigo:

    Nossa, minhas ideias normalmente são meio foras de si, sei lá, mas tive uma ideia muito legal sobre esse assunto…
    Que tal educar direito, tanto as meninas, quanto os meninos e até mesmo os pais, por que não?

    Nossa, seria fantástico né?

    KkKkK, utopia…

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