Como sabemos a idade da Terra?

Por , em 28.11.2012

Discussões religiosas de lado, a ciência estabeleceu claramente que a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos.

Quem definiu isso? O geofísico Clair Patterson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (conhecido como Caltech), em 1955.

Naquele ano, Patterson publicou um estudo no periódico “Geochimica et Cosmochimica Acta”, que relatava proporções de chumbo encontradas em um meteorito em Canyon Diablo (um cânion que fica em Arizona, EUA).

Os meteoritos de ferro encontrados nesta região são pedaços que sobraram de um único grande meteorito que criou a Cratera de Meteoro no Arizona cerca de 50.000 anos atrás.

Mais importante ainda, eles são também restos da formação do sistema solar, que antes da publicação do trabalho de Patterson, não tinha data mais exata do que “bilhões de anos atrás”.

Conforme Patterson explicou em uma entrevista no ano em que morreu, os meteoritos de Canyon Diablo não continham qualquer urânio, um metal que radioativamente decai em chumbo em taxas já bem estabelecidas pela ciência, que levam centenas de milhões de anos.

Outras rochas continham chumbo e urânio, o que anteriormente tinha atrapalhado as estimativas de idade da Terra.

Assim, ao relatar a proporção de taxa de chumbo encontrada nesses meteoritos “imaculados” e comparando-os com as proporções encontradas nas outras rochas e meteoritos da Terra, Patterson foi capaz de calcular a idade do sistema solar quando a Terra se formou: 4,55 bilhões de anos, com uma margem de erro de 70 milhões de anos.

Essa estimativa sobrevive correta já faz cinco décadas. Ao longo do tempo, foi refinada e confirmada por outras investigações e só ficou mais sólida.

Argumentos e discussões sobre a idade da Terra (seja por motivos religiosos ou por “negadores”) irritam e decepcionam muito geoquímicos como Francis Albarede, da École Normale Supérieure, na França, um especialista sobre a geologia dos planetas. “Eu entendo que temos de ser sensíveis aos sentimentos das pessoas, mas, com toda a honestidade, não há nenhum cientista sério que não reconheça todas as evidências de que a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos”, diz. “Não há desculpa para ensinar qualquer coisa diferente a nossas crianças”.

Patterson, o “ambientalista”

Clair Cameron Patterson (1922 – 1995) foi mais do que um geoquímico americano. Apesar de ter descoberto a idade da Terra – o que com certeza é um grande feito -, ele se importava mais com outras coisas, como o meio ambiente e a saúde das pessoas.

Tanto que creditou o seu trabalho (e a descoberta) aos cientistas que vieram antes dele. Ao invés de ser focar em ser o “bam bam bam”, ele se dedicou a luta contra o chumbo em produtos como tinta e gasolina por décadas.

Seu principal interesse era química ambiental. A capacidade de detectar traços de chumbo em rochas de bilhões de anos de idade permitiu que Patterson percebesse que a Era Industrial estava inundada em chumbo.

Em 1965, ele relatou que o chumbo na gasolina, solda, pintura e pesticidas aumentava os níveis da substância na corrente sanguínea da maioria dos americanos em 100 vezes mais do que o normal, um resultado que levou a audiências no Congresso americano e desacordos com os cientistas empregados pela indústria do petróleo.

Analisando múmias peruanas de 1.600 anos, ele denunciou, em 1975, que as pessoas modernas estavam expostas a milhares de vezes mais chumbo do que no passado – níveis próximos de serem venenosos, com efeitos debilitantes sobre o cérebro, rins e quase todos os outros órgãos.

A luta levou à remoção do chumbo em muitos produtos modernos. E, nas décadas desde suas descobertas, os cientistas só chegam à conclusão de que o chumbo parece cada vez mais perigoso.

A Agência de Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças diz que a exposição, mesmo que pouca, à chumbo pode afetar a inteligência das crianças. Pó de chumbo também já foi ligado à violência.

Se hoje a indústria tem que limitar seu uso de chumbo, o mundo todo tem que agradecer a Patterson por isso.

“Patterson é um exemplo muito claro da ligação entre a ciência básica que parece sem relação com a vida cotidiana, a idade da Terra e a ciência que faz uma diferença crucial em cada momento em nossas vidas diárias”, afirma o geólogo John Eiler, do Caltech. [USAToday, USP]

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26 comentários

  • Leonardo G. de Souza:

    Pra quem quiser continuar o assunto, o Minuto da Terra fez um vídeo no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=LOhNfiIH71s

  • Chaeltre:

    Muito bom! Cheguei aqui depois de ter visto o oitavo episódio da série “Cosmos uma odisseia no espaço-tempo” onde conta-se a historia de Clair Patterson. Recomendo que assistam. Nessa série também é mencionado que a luz das estrelas que enxergamos viajou por muitos anos-luz até chegar aqui e que dessa forma, a luz das estrelas mais distantes que podem ser vistas através de nossos aparelhos não poderiam ser vistas se a Terra fosse tão jovem como alguns dizem.

    • Chaeltre:

      Corrigindo, sétimo episódio “Sala limpa”.

    • Leonardo G. de Souza:

      Chaeltre, pelo visto você gosta de assuntos científicos, sugiro conhecer o Minuto da Terra https://www.youtube.com/watch?v=LOhNfiIH71s

  • bengf:

    Esse argumento pode ser usado contra ou a favor da sua posição, afinal, se existir, nunca saberemos, e logo não poderemos saber se é real ou não. E mesmo se for usado como argumento, isso tornaria qualquer crença válida.
    No fim das contas, vale mais a pena viver na realidade e pensar nela. (a sua posição também implicaria que as divindades não interagem conosco, o que vai contra a premissa de todas as religiões.)

  • Cesar Grossmann:

    E como o ser humano poderia tomar consciência de qualquer realidade “sobre humana”? Os nossos sentidos são a porta de entrada para o conhecimento que temos do mundo. Não há nada que saibamos que não seja baseado direta ou indiretamente em observações. Se alguma coisa não pode ser observada, como pode ser afirmada? Não pode. É ilógico e irracional achar que pode.

  • bengf:

    Infelizmente para você, seja qual for a raça alienigena ou divindade mitológica que tenha inventado o mundo em sua concepção, a radioatividade é uma coisa que você não pode simplesmente burlar, e ela é a chave na identificação de idade de coisas em geral, o material tem uma meia vida definida e decai neste tempo, queira o seu alienígena criador ou não.

  • Giovane:

    Pra mim, essa teoria é tão irrelevante quanto à teoria de que a Lua é feita de queijo, ou de que a Terra é plana.

    • Cesar Grossmann:

      Tem gente que é curioso, e tem gente que não é. A maioria das pessoas se pergunta de onde viemos, quem somos e para onde vamos. A explicação da idade da Terra faz parte da resposta a estas perguntas.

    • claudiohagra:

      Discordo parcialmente do Cesar, talvez sim, talvez não!

  • Danilo Moço:

    Flávio,isso é uma linda mentira!!!

  • Alex Sander:

    Clair Cameron foi um verdadeiro herói digno de todo respeito pela humanidade,pois se preocupou em denunciar o envenenamento da população pela industria capitalista que só visa o Lucro mesmo sabendo que isso poderia diminuir os recursos para as suas pesquisas.
    Um homem com um caráter desse jamais teria criado uma teoria apenas para desacreditar a Crença Crista , pois seu objetivo era apenas a verdade e isso só da mais crédito a sua descoberta.

  • Cesar Grossmann:

    É interessante que esta teoria é na verdade uma heresia. Faz de Deus, que teria que ser eterno e verdadeiro, um falsário, por que criou uma fraude, um planeta jovem com aspecto de velho.

    E uma heresia destas, de chamar Deus de mentiroso e fraudador, seria um pecado dos que mandam a alma das pessoas para o inferno. O que prova que os criacionistas não acreditam em deus nenhum, por que não respeitam o nome dele, nem temem o castigo do inferno…

    • Glauco Ramalho:

      O César tá certo, mas é engraçado ouvir ele falar isso =D

    • Danilo Moço:

      Cesar grossmann, não vale apena discutir com os criacionistas com suas “verdades absolutas´´eles sempre questionam e na hora de serem questionados, ficam citando versículos da bíblia achando que aquilo é uma prova sólida e fazendo pose de sábios.Mas como dizia Einstein “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.´´

    • Cesar Grossmann:

      Que sofisma! Velhice tem a ver com idade, e não com humanidade – todas as coisas tem idade, e não só o ser humano. Parecer velho significa parecer ter mais idade, e não parecer com um ser humano velho.

      Uma lição de teologia para ti: não pode haver movimento nem mudança naquele que é eterno, e não pode haver falsidade naquele que é verdadeiro, assim como também não pode haver imperfeição naquele que é perfeito.

      Afirmar que Deus criou o planeta há 6.000 anos (ou 10.000 anos, ou 40.000 anos), parecendo ter 4,5 bilhões de anos é uma heresia. Qualquer teólogo competente vai repetir a mesma coisa, pode procurar.

      Se bem que pode ser que o mundo tenha sido criado há 5 minutos atrás, todo mundo já com lembranças de anos de vida, quem sabe? Se dá para afirmar que ele foi criado há 6.000 anos, também dá para afirmar que foi criado 5 minutos atrás, afinal de contas, tudo que temos à nossa volta e nossas lembranças – traumas, realizações, medos, aspirações – pode ser uma fraude perpetrada por um demiurgo…

    • claudiohagra:

      Já aqui, concordo com seu argumento Cesar!

  • Glauco Ramalho:

    Eu acho q não entendi bem a matéria, hehehe…

  • Glauco Ramalho:

    Se a história do homem vai muito além de 6000 anos atrás, imagine a do planeta…

  • Glauco Ramalho:

    Mas esse estudo contou com todas as reviravoltas do terreno que aconteceu nesses bilhões de anos? Pq nada impede que rochas mais antigas estejam sobre rochas mais novas ou vice-versa. É igual às rochas lunares: não dá prá saber se são rochas lunares ou meteoritos que caíram lá com o tempo.

    • Cesar Grossmann:

      Glauco, se você estudasse geologia veria que estes argumentos não tem pé nem cabeça…

    • Glauco Ramalho:

      É, eu admiti ali em cima que não entendi bem o processo, então é melhor eu ficar quieto. Mas rochas mais antigas por cima de rochas mais novas é a coisa mais comum da Terra, e eu posso provar.

    • Cesar Grossmann:

      A antiguidade das camadas não é medida pela posição delas em uma pilha de camadas geológicas.

      E mais, você não encontra as camadas em ordem diferente – onde elas aparecem, mesmo que estejam invertidas (e existem fenômenos geológicos que invertem a posição das camadas), a ordem delas não muda, é sempre consistente. Por exemplo, você sempre encontra uma camada de cretáceo justaposta a uma camada do terciário, separadas por uma camada de fuligem rica em irídio – a testemunha geológica do asteroide associado à extinção dos dinossauros.

      E falando em dinossauros, cada camada tem seus fósseis característicos. Você não encontra fósseis de seres do devoniano em terrenos terciários. Assim como não encontra fósseis de dinossauros do jurássico na camada do terciário.

    • Glauco Ramalho:

      Encontra-se camadas aleatórias misturadas sim. Vou procurar na minha biblioteca pq sei q topei com esses dados em algum lugar. Mas vou mandar no seu email, pq não rola ficar aki esperando dias pro comentário ser liberado e nem ficar demonstrando meu parco conhecimento como se fosse grande coisa.

    • Alvaro Alexandre C. Pereira:

      vcs falam de idade sem nem mencionarem os posicionamentos e arranjos das camadas geológicas ou tempo de aquecimento de formação de corpos celestes, esses estudos são extremamente tendenciosos ” não existem cientistas sérios ” acho q essa reportagem tem uns 200 anos. Alem do mais…todas as rochas de chumbo provem do mesmo lugar? se sim teriamos um problema entrópico, pq o universo teria sido criado todo ao mesmo tempo, talvez possamos conevrsar. Vi um dia que pra se criar um 1cm de solo são necessários 10.000 anos, onde se comprovou isso? ate agora não vi nenhuma prova coerente… isso não bate com a taxa de formação das camadas ou com o desenvolvimento dos seres vivos, ou como os dados de relatórios de aquecimento ou com qualquer outra coisa…se quiserem provar algo vendo apenas um ponto, talvez até consigam, mas se olharmos o todo… isso sem entrar nos seres vivos… rapaz…tenho minhas dúvidas… e Carbono 14… peno amor de Deus… tem dezenas de estudos falando de sua falibilidade e sua imprecisão.

    • Cesar Grossmann:

      Ninguém está falando de todo o chumbo do universo, mas do chumbo presente em asteroides.

      Não existe nenhum estudo falando que o teste de Carbono 14 não é confiável, se houvesse você teria citado, em vez de vir apenas com um vago “tem dezenas de estudos”.

      Sobre os 1 cm de solo serem preciso 10.000 anos, se você não disser onde leu, a gente não vai poder saber se é besteira ou se você entendeu mal o que estava escrito.

      Aliás, por que misturar tanta coisa? Existem diversas provas da idade da Terra, a porcentagem de isótopos de chumbo em um meteorito é só uma delas. E todas as outras provas concordam, respeitadas as margens de erro dos métodos usados.

      Ah, e o teste de Carbono 14 não pode ser usado para medir a idade da Terra, se a gente estabelecer que a vida surgiu depois da Terra estar formada. Você tem certeza que sabe do que está falando?

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