Confirmado o sucesso do primeiro transplante de pênis e escroto do mundo, depois de um ano

Por , em 7.11.2019

Depois de um ano do procedimento, médicos declaram o sucesso total do primeiro transplante de pênis e escroto do mundo.

O homem, um veterano americano que permanece anônimo, está se recuperando bem e suas partes estão “totalmente funcionais”.

O caso

O ex-soldado perdeu boa parte das suas pernas, os órgãos genitais e um pedaço do abdômen ao pisar em um granada e sofrer com uma explosão no Afeganistão em 2010.

Até então, o único outro transplante de pênis que havia sido realizado tinha sido um caso malsucedido de 2006 na China. Na ocasião, o corpo do homem rejeitou o órgão, que mostrou sinais de necrose, e a operação foi desfeita logo em seguida.

Em 2013, especialistas em cirurgia reconstrutiva do Hospital Johns Hopkins (EUA) conheceram o veterano, e decidiram que ele seria um bom candidato para o transplante.

Mesmo assim, demorou cinco anos entre preparação (incluindo diversas experiências em cadáveres) e encontrar um órgão adequado de um doador falecido para que a cirurgia pudesse ser feita.

A boa notícia é que, quando chegou a vez do soldado, três outros transplantes de pênis haviam sido realizados no mundo, com sucesso: dois na África do Sul que derivaram de problemas com circuncisão e um nos EUA derivado de problemas com câncer no pênis.

Desafio

Essa seria uma operação diferente, no entanto: a primeira a envolver pênis e escroto, muito mais ambiciosa que as demais.

11 médicos passaram 14 horas transplantando um único pedaço de tecido englobando pênis, escroto e parede abdominal inferior, pesando mais de dois quilos e medindo cerca de 25 centímetros, no paciente.

Os especialistas tiveram que costurar centenas de pequenos vasos sanguíneos com apenas um milímetro ou dois de largura sob um microscópio, mas valeu a pena: mais de um ano após o transplante, suas conexões nervosas foram restabelecidas e o órgão está funcionando tão bem quanto se poderia esperar.

“Ele tem ereções quase normais e a capacidade de atingir o orgasmo. Ele tem sensação normal no corpo e na ponta do pênis transplantado e pode localizar a sensação ao toque. O paciente urina em pé, sem esforço, frequência ou urgência, com a urina descarregada em um fluxo forte”, escreveram os médicos em um artigo sobre o estudo de caso.

Sucesso

É claro, os pesquisadores tiveram que tomar algumas medidas para garantir esse sucesso. Uma delas foi uma infusão de medula óssea do doador a fim de diminuir a necessidade de medicamentos de imunossupressão, que ajudam o corpo a aceitar o novo órgão.

Atualmente, o paciente toma apenas um comprimido por dia. Com os avanços na medicina, os pesquisadores esperam que o soldado não precise mais de remédio no futuro.

Outra questão foi que os médicos optaram por não transplantar os testículos do doador, uma vez que o paciente poderia vir a ter filhos com DNA do falecido. O veterano é jovem e ainda não tem herdeiros, mas ficou tranquilo com a decisão.

No geral, o procedimento melhorou significativamente sua qualidade de vida. Ele voltou a estudar, e agora pode morar sozinho e ter uma rotina normal, andando com a ajuda de uma prótese.

“Ele relata uma autoimagem melhorada, ‘se sente completo’ novamente e afirma que está muito satisfeito com o transplante e as implicações que isso traz para o futuro”, disseram os pesquisadores.

O estudo de caso foi publicado na revista científica The New England Journal of Medicine. [ScienceAlert]

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