Dificuldade em pegar um bronzeado, artrite, dormir tarde: veja quais características os neandertais passaram para nós

Por , em 6.10.2017

De acordo com novos estudos genéticos que identificaram quantos de nossos traços nós devemos aos nossos antepassados, se você tem dificuldade em pegar um bronzeado, é uma pessoa muito noturna ou possui artrite, então seus ancestrais neandertais podem ser os culpados.

Esses parentes antigos chegaram no norte da Europa milhares de anos antes dos humanos modernos, o que lhes deu tempo para que sua pele ficasse mais pálida, pois seus corpos se esforçavam mais para absorver a luz solar.

Quando eles cruzaram com humanos modernos, esses genes pálidos foram transmitidos.

Da mesma forma, outras mutações genéticas humanas vieram dos neandertais: as que predispõem as pessoas à artrite e a propensão a ser uma pessoa noturna que fica acordada até tarde, em vez de render mais durante o dia (esta última se deve ao fato de que as latitudes do norte alteraram o relógio circadiano dos neandertais).

Os artigos foram publicados nas revistas Science e American Journal of Human Genetics de Neanderthal.

Europa x África

Os cientistas compararam o DNA neandertal antigo com 112 mil britânicos que participaram do estudo UK Biobank. O Biobank inclui dados genéticos juntamente com informações sobre muitos traços relacionados à aparência física, dieta, exposição ao sol, comportamento e doenças.

Eles agora pensam que cor de cabelo, humor, propensão a fumar ou a ter um transtorno alimentar são todos traços que podem estar relacionados ao cruzamento da espécie humana moderna com neandertais.

Quando os humanos modernos chegaram na Eurásia há cerca de 100 mil anos, os neandertais já viviam ali há milhares de anos e estavam provavelmente bem adaptados a níveis mais baixos e variáveis de luz solar do que os recém-chegados da África.

“A cor da pele e do cabelo, os ritmos circadianos e o humor são todos influenciados pela exposição à luz”, disse a Dra. Janet Kelso, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha. “A exposição ao sol pode ter moldado os fenótipos neandertais e esse fluxo de genes em seres humanos modernos continua a contribuir para a variação nestes traços hoje”.

Com base em novo material genético retirado de uma mulher neandertal que viveu na Croácia há cerca de 50 mil anos, os cientistas agora estimam que os europeus devem 2,6% de seu DNA aos neandertais, e não os 2,1% que se pensava anteriormente.

Endogamia

Um estudo separado da Universidade de Cambridge, no Reino Unido também deu indícios de por que as populações neandertais se extinguiram, enquanto os humanos modernos prosperaram.

Os primeiros humanos parecem ter reconhecido os perigos da endogamia (na união entre indivíduos aparentados, geneticamente semelhantes) há pelo menos 34 mil anos, e desenvolveram redes sociais e de acasalamento surpreendentemente sofisticadas para evitar isso.

Estudos genéticos de esqueletos do Paleolítico Superior na Rússia não mostram endogamia nos seres humanos modernos, ao contrário dos neandertais, onde a consanguinidade pode ser vista em mutações genéticas.

Objetos e joias encontrados no local, ligados a diferentes tribos, também sugerem que os seres humanos modernos selecionavam parceiros a partir um grupo maior de pessoas e podem ter realizado cerimônias de casamento rudimentares, trocando objetos preciosos. A variedade de parceiros é certamente importante do ponto de vista da evolução; a seleção natural atua escolhendo os melhores genes. [Telegraph]

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