“É irresponsabilidade ter famílias grandes”, afirma biólogo apresentador da BBC

Por , em 17.09.2013

O veterano apresentador da Rede BBC, de Londres, Inglaterra, David Attenborough declarou que é uma irresponsabilidade ter uma família grande no mundo superlotado onde vivemos hoje. Attenborough não está otimista sobre o futuro e pensa que, daqui a 100 anos, as pessoas vão olhar para trás e sentir saudades de um planeta menos cheio e mais feliz. Será que isso vai mesmo acontecer?

O apresentador é a voz e muitas vezes o criador dos documentários de biologia da BBC como “Vida”, por exemplo. Todos já ouvimos suas palavras e assistimos a programas criados por ele em algum momento.

Hoje com 87 anos, Attenborough advertiu as gerações futuras sobre as grande probabilidades de enfrentarem vidas menos felizes e menos saudáveis, à medida que os recursos naturais da Terra forem se tornando cada vez mais escassos e as maravilhas naturais forem desaparecendo.

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Ele até mesmo apoiou a política de controle de natalidade da China, baseada no conceito do filho único, elogiando o país por ter reconhecido que, se sua população mantivesse o ritmo acelerado de crescimento, em pouco tempo teria bocas demais para alimentar.

O assunto surgiu enquanto o apresentador concedia uma entrevista coletiva sobre seu novo documentário, cujo tema é a ascensão e o sucesso dos animais vertebrados, e que estreia ainda neste mês no Reino Unido.

Quando o papo chegou no controverso tema da política chinesa de um filho por casal, ele declarou: “O grau no qual a política tem sido aplicada é terrível, e sem dúvida esta medida produziu todos os tipos de tragédias pessoais. Não há nenhuma dúvida sobre isso”. E emendou: “Por outro lado, os próprios chineses reconheceram que isso teria de ser feito agora, senão seriam mais diversas milhões de mais bocas a mais no país para serem alimentadas do que as que existem agora”.

O apresentador, que tem dois filhos, acrescentou: “Se você for capaz de convencer as pessoas de que é um ato irresponsável ter grandes famílias neste momento da história e de que a riqueza material é de tal ordem importante que as pessoas a valorizem muito e não sofram as consequências de uma família pequena, então tudo isso é feito para o bem”.

“Mas eu não sou particularmente otimista sobre o futuro. Temos sorte de vivermos agora, porque as coisas vão piorar. Sou mais sortudo que meu avô, que nunca saiu de um raio de 8 quilômetros da aldeia onde nasceu. Eu tenho todos os tipos de prazeres e luxos que eu aprecio e estou muito, muito feliz. Acho que isso se aplica à maioria das pessoas deste país”, considera.

E continua: “Mas eu acho que, em 100 anos, as pessoas vão olhar para trás e se lembrar de mundo que já foi menos cheio, com muitas maravilhas naturais e mais saudável”. Apesar desta convicção, o inglês não acredita que os seres humanos corram riscos de entrarem em extinção em um mundo cada vez mais superlotado.

“Nós somos muito inteligentes e extremamente capazes de utilizarmos os recursos aos quais temos acesso. Vamos encontrar maneiras de preservarmos a nós mesmos, tenho certeza. Porém, se a nossa vida vai ser tão rica e boa como é agora, é outra questão. A população mundial pode, eventualmente, se reduzir – o que seria certamente uma ajuda – embora as chances de isso acontecer no próximo século seja muito pequena. Eu acho que é impossível, na verdade”.

O apresentador ainda comentou que nós, seres humanos, nos tornamos tão avançados que paramos de evoluir. Ele explicou por quê: “Se a seleção natural, como proposta por Darwin, é o mecanismo principal da evolução, então nós paramos a seleção natural. Isso aconteceu quando começamos a ser capazes de criar de 95 a 99% de nossos bebês”.

Attenborough, que recebeu um marca-passo em junho deste ano depois de sofrer um problema no coração, disse que não possui planos de se aposentar. “Nunca quero parar de trabalhar. Claro que eventualmente não serei mais capaz de fazê-lo, mas enquanto posso – e enquanto o público também quiser – terei o maior prazer em continuar trabalhando”, disse. “Se eu estivesse ganhando o meu dinheiro empregado em uma mina de carvão, ficaria muito contente com a perspectiva de me aposentar. Mas eu não estou, eu viajo para os quatro cantos do mundo atrás das coisas mais incrivelmente interessantes. Tenho muita sorte”, concluiu. [Daily Mail]

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7 comentários

  • Carlos CorrÊa:

    Acredito que o problema de nossas alterações gênicas não serem fatais como eram a milhares de anos não é bem a questão (embora acredite que merecemos parabéns a isso, se fossemos como outros animais, gripes e infecções que hoje são corriqueiros já teriam matado muitos de nós, além de usarmos todo tipo de instrumentos para nos facilitar a vida diminuindo nossas limitações.
    A questão, na verdade é que existem um crescimento demográfico, que resulta em inúmeros pontos negativos e positivos. Mas não é explosão demográfica, pois futuramente teremos o inverso: a população mundial irá estabilizar, por um período, e logo em seguida diminuirá. São perspectivas boas, pois indica que naturalmente a ser humano estará encontrando um ponto de equilíbrio na Terra. O uso de políticas de controle é viável, mas depende de cada cultura, cada nação.

  • Tibulace:

    Concordo PLENAMENTE com o entrevistado.Creio, que a ÚNICA maneira de reduzirmos a BRUTAL população humana atual, SEM GUERRAS, seria a adoção da política do FILHO ÚNICO, por TODAS as nações do planeta.Ao longo de GERAÇÕES, o nosso número diminuiria,sem maiores traumas, para algo como UM BILHÃO de pessoas, razoável, a meu ver.Se essa meta, é coisa do DEMÔNIO, devo concordar que ele é um cara EXTREMAMENTE sensato.No longo prazo, as ALTERNATIVAS ao que proponho, são TODAS muito penosas, guerras, fome,sede, superpopulação,fim de muitos recursos naturais, péssima qualidade de vida.

    • Cesar Grossmann:

      Não sei se é uma meta realista, acho que um ou dois filhos por casal seria apropriado.

      O problema do filho único é que é mais difícil ensinar ele a compartilhar, a ter tolerância, a negociar — ele já sai de casa acostumado a ter todos seus desejos atendidos, e a ter tudo como seu…

    • xandao:

      Concordo, porém, o tiro pode sair pela culatra… por exemplo: Pais mais instruídos, mais preocupadas com o bem estar e a educação, teriam cada vez menos filhos, enquanto que os mais desenformados, popularizariam cada vez mais o planeta, podendo desencadear aí uma enorme geração de ignorantes! (não sou Nostradamus não, é só uma hipótese)

  • Carlos Saavedra:

    Não discordo, mas acho muito difícil propagar isso, apesar da mídia em massa. As pessoas tem filhos por vários motivos: crenças, fundamentos, etc. Elas não veem isso como irresponsabilidade. Não gosto quando tocam no assunto ‘seleção natural’, não somos objetos para sermos manipulados a esse ponto. É preocupante que continuemos crescendo mais e mais. Imagine o número de guerras que estão por vir, justificadas por esses fatos.

    • Ricardo Noface:

      infelizmente meu caro para o planeta não passamos de meros “objectos”
      que vive em função da selecção natural ou seja evolução sabe o que aconteceu , acontece e acontecerá a qualquer espécie que não evolua é eliminada. a Natureza é justa e correcta mas não é a base de amor e perfeição ela é cruel aos nossos olhos o que na verdade não passa de um acto natural. por isso somos o único planeta do sistema solar vivo.
      Por mais que nos custe essa é a realidade dos fatos..
      saúde
      e muita paz…

    • Filipe Freitas:

      “saúde e muita paz…” << Aí já mentiu! Hehuaehuae

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