Egípcios mumificavam os mortos muito antes do que pensávamos

Por , em 17.08.2018

Os egípcios já mumificavam seus mortos muito antes do que imaginávamos. A múmia S. 293 (RCGE 16550) fica no Museu Egípcio em Turin (Itália), e passou por análise que mostrou que o ritual de embalsamamento dela aconteceu 5,6 mil anos atrás, ou seja, 1,5 mil anos antes do que pensávamos até agora.

Até 2014, acreditava-se que este corpo teria sofrido um processo natural de mumificação pelo ambiente extremamente seco do Egito.

“Nossas descobertas representam a incorporação literal do início da mumificação clássica, que mais tarde se tornaria um dos pilares centrais e icônicos da cultura egípcia antiga”, diz o arqueólogo e químico Stephen Buckley, da Universidade de York (Reino Unido).

A múmia S. 293 foi levada para Turin em 1900, comprada por Ernesto Schiaparelli sem nenhuma documentação para provar sua origem. Até agora, ninguém tinha realizado nenhuma análise detalhada deste corpo mumificado, e ele também não tinha passado por nenhum tratamento de preservação.

Neste estudo recente, vários testes foram conduzidos, como datação por radiocarbono dos vestígios de tecido enrolados na múmia, a análise química de amostras de tecido através de cromatografia de espectrometria de massa, e também dessorção térmica. O material genético das amostras também foi analisado em busca de doenças.

A análise química da múmia revelou a presença de substâncias usadas na mumificação, feitas principalmente de um óleo vegetal misturado com uma resina, extratos e gomas de plantas. Esses materiais também continham agentes antibacterianos em proporção semelhante à usada 2,5 mil anos depois, quando a mumificação era mais popular.

Os pesquisadores também conseguiram determinar melhor a data em que ele morreu, quantos anos tinha e se ele tinha alguma doença conhecida. Estima-se que o ritual de mumificação tenha acontecido ao redor de 3,6 mil anos a.C. no corpo de um homem jovem, entre 20 e 30 anos de idade. Isso situa a múmia no período Nacadano.

Este trabalho foi publicado na revista Journal of Archaelogical Science. [Science Alert]

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