Eliminar células velhas pode aumentar nosso tempo de vida saudável

Por , em 7.11.2011

Cientistas da escola de Medicina da Clínica Mayo, em Minnesota (EUA), sugerem que pode haver um método relativamente simples para aumentar a qualidade de vida a longo prazo: remover células velhas do organismo.

É o que aponta uma série de experimentos feitos com ratos. Pelo simples procedimento de retirar células velhas do organismo, os cientistas conseguiram retardar ou evitar a incidência de catarata, envelhecimento da pele e perda de musculatura nos roedores. Para que a medida tivesse efeito, foi preciso remover constantemente as células velhas, desde que os ratos eram jovens.

Em corpos de ratos ou de seres humanos, todas as células têm vida útil. Quando o período de maior atividade celular acaba, ela se torna obsoleta, e o organismo tem mecanismos para “desligá-la”. Isso evita que a célula cause danos graves ao corpo, tais como um câncer.

No momento em que acontece o desligamento, é natural que a célula morra e deixe de existir. Em alguns casos, no entanto, ela continua vagando pelo corpo no estado que os cientistas chamam de “célula senescente”. Nessa condição, a célula perde sua função, mas não fica inativa: passa a liberar proteínas de propriedades desconhecidas.

Recentemente, tais proteínas foram descobertas como aceleradoras do envelhecimento. Isso faz da existência de células senescentes, no organismo de animais ainda jovens, um problema a ser combatido.

Conforme o tempo passa, os tecidos do corpo envelhecem, e o número total de células senescentes presentes no corpo tende a aumentar. Por essa razão, o estudo da Clínica Mayo focou em remover células senescentes do organismo de ratos desde a tenra juventude.

O primeiro passo do experimento foi desenvolver uma raça de ratos “programada” para morrer com 10 meses de idade, período durante o qual a catarata, a perda de peso e o enfraquecimento de músculos foram degenerando gradualmente a saúde dos animais. Após isso, dividiram os ratos em dois grupos: aqueles que seriam tratados com um medicamento que mata as células senescentes, de um lado, e os que foram deixados à própria sorte, do outro.

No aniversário de três semanas de vida, os ratos receberam a primeira dose da droga que força as células senescentes a cometer suicídio. Após isso, recebiam uma dose da substância a cada três dias. Como resultado, os ratos marcados para receber o medicamento apresentaram menores índices de envelhecimento nos quesitos de catarata, pele e músculos.

É importante destacar que a remoção de células velhas não aumentou a longevidade: nenhum rato viveu mais por causa disso. Mas o benefício não deixa de ser importante, já que o tempo de “vida saudável” é consideravelmente maior sem a presença de células inativas acumuladas no organismo.

E quanto à possibilidade de aplicar essa técnica em humanos? Os cientistas são otimistas, mas com ressalvas. O tratamento não pode ser executado exatamente da mesma forma que nos ratos, devido a diferenças de reação às substâncias e à genética. O princípio da ideia, no entanto, serve para que os médicos desenvolvam terapias no futuro. [LiveScience]

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6 comentários

  • José Calasans:

    Já passou da hora de se usar um marcador para células cancerígenas,e depois aplicar uma droga desse tipo,para extermina-las.

  • Nika Pinika:

    “O primeiro passo do experimento foi desenvolver uma raça de ratos “programada” para morrer com 10 meses de idade…”

    🙁

    • Icaro:

      triste..

    • Mari:

      Sim, isso é muito triste 🙁
      Devemos muito a esses ratinhos cobaias… :/
      Para fazer testes para tentar fabricar fármacos, deixam os ratos com a determinada doença… E depois de décadas de estudos, muitas doenças ainda não tem cura ou tratamento…

  • Gororoba:

    Muito interessante a pesquisa. Não sabia do fato de que as células, após morrerem, ainda poderiam liberar alguma quantidade de proteínas relacionadas com o envelhecimento. Muito bom o avanço obtido pela Mayo. Só faltou mesmo isso aumentar a longevidade! Mas de qualquer forma, se pensarmos nos benefícios para a pele, por exemplo, seriam ótimos.

    E Simon, por que a pesquisa é “relativamente velha”?

  • Simon:

    mas essa pesquisa e relativamente velha.. e so publicaram aqui agora? ..

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