Transplante de fluido vaginal tratou doenças incuráveis: estudo

Por , em 11.10.2019

Um estudo clínico piloto conduzido por pesquisadores israelenses mostrou o surpreendente potencial dos transplantes de fluido vaginal para tratar doenças vaginais incuráveis em mulheres.

Os resultados podem revolucionar a forma como tratamos condições que afetam o aparelho reprodutor feminino.

As participantes

O ensaio clínico envolveu cinco mulheres com idades entre 27 e 47 anos que sofriam de casos incuráveis de vaginose bacteriana – ou seja, que tiveram pelo menos quatro episódios intratáveis no último ano.

Essa condição é marcada por alterações na comunidade microbial que vive normalmente na vagina, o que pode levar a uma série de problemas como secreção com mau odor, maior risco de infecções do aparelho reprodutor, complicações na gravidez e maior suscetibilidade a infecções sexualmente transmissíveis.

Todas as cinco participantes haviam tomado antibiótico diversas vezes para tentar tratar sua vaginose, sem sucesso. Isso havia afetado significativamente suas vidas, incluindo seus relacionamentos e autoestima.

A metodologia

As cinco pacientes foram tratadas com transplantes vaginais coletados de três doadoras rigorosamente selecionadas – seus fluidos sugeriam uma comunidade microbiana vaginal saudável, tipicamente dominada por Lactobacillus.

As voluntárias, com idades entre 35 e 48 anos, também foram testadas medicamente, não tinham histórico de vaginose nem de doenças sexualmente transmissíveis, não estavam tomando nenhuma medicação e não haviam feito sexo por pelo menos uma semana antes do transplante.

Primeiro, os pesquisadores utilizaram um regime antibiótico intravaginal nas pacientes, e depois transplantaram a nova microbiota vaginal 60 minutos depois de coletarem os fluidos das doadoras.

Resultados

Duas participantes demonstraram remissão total da vaginose depois de apenas um transplante. Os pesquisadores as acompanharam por até 11,5 meses.

Duas outras receberam três transplantes até atingir a remissão total, e foram acompanhadas por até 21 meses.

Uma das participantes atingiu apenas uma reversão parcial da vaginose, mas seu caso foi influenciado por uma infecção de garganta que exigiu que ela tomasse antibiótico depois de receber seu transplante de fluido vaginal.

Os cientistas realizaram análises genéticas nas participantes, comprovando que suas microbiotas vaginais haviam se transformado para se parecerem com àquelas das doadoras. No caso da participante que não foi totalmente curada, sua microbiota vaginal parecia uma mistura da original com a da doadora.

“Coletivamente, relatamos a viabilidade do uso do transplante de fluido vaginal como tratamento de longo prazo para vaginose recorrente intratável, que não responde a antibióticos”, concluíram os pesquisadores.

Próximos passos

Os pesquisadores provaram a segurança e os benefícios do transplante, no entanto, uma vez que se tratou de um estudo pequeno, a eficácia da terapia ainda precisa ser verificada em estudos randomizados maiores, controlados por placebo.

Pelo menos dois desses estudos já estão em andamento.

A pesquisa israelita foi publicada na revista científica Nature Medicine. [ArsTechnica]

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