Sistema de alerta contra asteroides é planejado por empresa

Por , em 5.05.2014

Sistema de alertas pode salvar muitas vidas

Uma das constatações mais assustadoras do século passado é que a Terra está em uma galeria de tiro-ao-alvo cósmica, na desconfortável posição de alvo. As marcas de colisões espaciais passadas estão presentes, mas o que é mais perturbador é que o tiroteio ainda não acabou.

Para entender e alertar os governos do perigo que estamos correndo, uma empresa criada por astronautas, a B612 Foundation, utilizou dados da rede de sensores que monitora explosões nucleares para colocar no mapa os impactos que ocorreram entre 2000 e 2013.

Esta rede de sensores é operada pela Nuclear Test Ban Treaty Organization, uma organização criada para monitorar o uso de artefatos nucleares no planeta, fiscalizando os tratados de limitação de uso e teste de armas nucleares.

Neste período, a rede de sensores que ausculta o planeta em busca da assinatura de infrassom das explosões nucleares detectou nada menos que 26 explosões com energia variando entre 1 e 600 kilotons. Só que elas não eram explosões nucleares, e sim impactos de asteroides.

Para colocar isso em perspectiva, a energia da bomba atômica que destruiu Hiroshima em 1945 era de 15 kilotons. Felizmente, parte destas explosões aconteceram na atmosfera, o nosso verdadeiro escudo anti-impactos de asteroides, e grande parte aconteceu sobre oceanos e áreas desertas. Mas, como afirmou Ed Lu, CEO da Fundação B612, “a única coisa que está impedindo que aconteça uma catástrofe e a destruição de uma cidade é pura sorte”.

Embora a NASA tenha um projeto para detectar asteroides próximos à Terra, isto não tem impedido impactos sem aviso prévio. Para mudar a figura, a Fundação B612 está fazendo uma parceria com a Ball Aerospace para construir o Sentinel Infrared Space Telescope Mission (ou Missão de Telescópio Espacial Infravermelho Sentinela, em tradução livre).

A ideia é colocar este satélite orbitando o sol próximo à Vênus, usando o monitoramento em infravermelho para detectar asteroides com mais de 140 metros de tamanho vindos em nossa direção, já que este é um dos pontos cegos do projeto da NASA (corpos que estão entre o sol e a Terra).

Com este telescópio, a Fundação espera, durante o período de seis anos e meio da missão, catalogar pelo menos 90% dos astroides maiores que 140 metros em nossa volta, montando um banco de dados dos objetos mais perigosos.

E o que acontece se for descoberto um asteroide a caminho de uma cidade? A princípio, extrapolando a partir dos dados obtidos, um impacto com potencial de destruir uma cidade deve acontecer pelo menos uma vez a cada 100 anos, e Lu acredita que eles sejam mais espaçados, acontecendo a cada 150 a 200 anos, o que é assustadoramente mais frequente que a estimativa anterior, de 3.000 anos entre eventos.

Esperamos, sinceramente, que o aviso seja dado com algumas décadas de antecedência, para que possa ser lançada uma missão de desvio do asteroide – ou, pelo menos, com antecedência suficiente para uma evacuação da cidade. [PhysOrg, PhysOrg 2, SlashGear, Space.com, Gizmag, USA Today]

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2 comentários

  • sergio_panceri:

    Sem dúvida uma maneira ousada e eficaz de detectar os asteroides entre o sol e a terra
    Ótimo artigo!

  • Andre Luis:

    Sem dúvidas, um dinheiro muito bem investido! 🙂

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