Este maluco injetou células-tronco no pênis para tentar aumentá-lo

Por , em 27.02.2018

Ben Greenfield é um biohacker e entusiasta fitness que monitora meticulosamente seus dados biométricos para obter informações sobre sua saúde pessoal, bem como se sujeita a diversos procedimentos arriscados e ainda não aprovados para tentar “melhorar” seu corpo.

A última das malucas alterações a que ele se submeteu foi uma injeção de células-tronco no seu pênis, a fim de tentar aumentar o tamanho do membro.

O marketing pessoal de Greenfield

Greenfield tem mais de 50.000 seguidores no Twitter, 60.000 fãs no Facebook e 30.000 assinantes no YouTube. Ele é uma espécie de experimento científico ambulante, sempre disposto a testar qualquer coisa em si mesmo, em nome de alguma publicidade.

Ele já se submeteu, por exemplo, a injeções de plasma ricas em plaquetas e à terapia de ondas sonoras, tudo em busca de melhorias corporais e mais saúde. Também já injetou células-tronco em seu joelho e quadril para ajudá-lo a se recuperar de uma lesão, e em seu braço como um “intensificador de desempenho” em trabalhos manuais.

Em novembro do ano passado, Greenfield recebeu uma nova injeção de células-tronco, desta vez no pênis, administrada pela clínica U.S. Stem Cell. “Eu queria ir do bom ao excelente, e ter um pênis maior. Eu não vou mentir”, disse.

Em um vídeo, Greenfield e Kristin Comella, a principal autoridade científica da clínica, explicam aos seguidores do americano como o procedimento funcionou: primeiro, eles isolaram células-tronco a partir de células de gordura do próprio Greenfield, e em seguida as injetaram no tecido de seu pênis. Segundo o biohacker, “você não sente nada além de um pouco de pressão”.

Três ou quatro dias após o procedimento, Greenfield disse que seu pênis parecia maior, bem como mais duro, que suas ereções também estavam maiores e que seus orgasmos estavam melhores – essa última “vantagem”, no entanto, pode ter sido um efeito placebo.

“Eu não medi com uma régua”, ele disse ao portal Gizmodo, explicando que o tamanho flutuava demais para que ele pudesse fazer uma medida consistente. “Quando estou dentro da minha esposa, ela pode notar a diferença”, acrescentou.

A controversa clínica

A U.S. Stem Cell é uma clínica polêmica da Flórida que no ano passado cegou não intencionalmente três pacientes em um ensaio clínico de uma terapia com células-tronco ainda não aprovada pelo órgão de saúde americano, a Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA).

Em agosto de 2017, a FDA fez uma advertência à U.S. Stem Cell e à Kristin Comella por “comercializar produtos de células-tronco sem aprovação” e por “desvios significativos de requisitos atuais de boas práticas de fabricação, incluindo alguns que podem afetar a esterilidade de seus produtos, colocando pacientes em risco”.

Segundo a FDA, a clínica tentou inclusive interferir na investigação do órgão governamental, negando aos funcionários acesso às suas instalações.

A controversa ciência

Vários estudos em estágio inicial de fato mostram que células-tronco podem ser promissoras no tratamento de disfunção erétil em homens, incluindo um de 2016 em que tais células foram usadas para tratar essa condição em 17 pacientes que haviam passado por prostatectomia radical como resultado de câncer de próstata.

Esse estudo foi citado no comunicado de imprensa da U.S. Stem Cell sobre o procedimento realizado em Greenfield. As células-tronco foram injetadas na base dos pênis dos 17 pacientes. Os homens sofreram efeitos colaterais limitados, e oito conseguiram obter ereções e ter relações sexuais novamente.
Greenfield, no entanto, não estava tentando consertar qualquer problema médico. A evidência de que tal tratamento pode sequer curar disjunção erétil já é fraca, e não há absolutamente nenhuma garantia de que sirva para “melhorar” uma ereção normal.

A fisiologista molecular Kiki Sanford explicou ao portal Gizmodo que, embora o estudo sugira que as injeções não são prejudiciais, é muito pequeno para concluirmos que o tratamento realmente funciona, mesmo em homens com problemas eréteis. O procedimento pode até ser “seguro” em si, mas ainda há risco de complicações como infecção, o que não é nada interessante para algo que tem poucas chances de dar resultado.

Greenfield, por outro lado, disse que pesquisou muito sobre o processo antes de realizá-lo. “Ainda há um risco. Mas a recompensa em termos de saúde é muito grande. Você nem sempre pode esperar que as coisas sejam estudadas minuciosamente”, opinou. Todos os cientistas e todas as pessoas com bom senso provavelmente discordam dessa afirmação, no entanto.

Mercado x ciência

As células-tronco realmente têm um enorme potencial terapêutico, mas a maioria dos tratamentos sendo estudados ainda são em grande parte teóricos.

Apesar disso, devido a motivações financeiras, cada vez mais clínicas oferecem procedimentos com células-tronco nos EUA. Por exemplo, atualmente, vários locais comercializam melhor sexo através de injeções de células-tronco em homens e mulheres, a preços acima de US$ 1.000.

O marketing em torno desse tipo de terapia a torna bastante rentável, e os regulamentos não muito claros da FDA permitem a aplicação de tais injeções desde que essas células-tronco venham do próprio paciente e atendam a certos critérios, como “manipulação mínima”.

Alguns tratamentos, incluindo alguns dos oferecidos pela U.S. Stem Cell, parecem violar essas regras, mas o órgão tem dificuldade de fiscalização.

Para Sanford, é uma pena que essas terapias já estejam sendo comercializadas quando poucas delas estão em um estágio avançado o suficiente em ensaios clínicos para de fato obter a aprovação da FDA. [Gizmodo]

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