Estudo: mulheres se beneficiam de múltiplos casamentos, homens não

Por , em 14.08.2019

Um estudo inovador da Universidade da Califórnia (EUA) e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha) descobriu que uma teoria reprodutiva amplamente aceita pode estar na verdade completamente errada.

Você já deve ter ouvido tal teoria: em termos simples, ela dita que há vantagem na variabilidade de parceiros sexuais para os homens, que se reproduzem através dos espermatozoides em seu sêmen. Porque eles podem espalhar seu sêmen por aí, é melhor que o façam.

Já as mulheres, que soltam apenas um óvulo por mês durante um período muito menor, por sua vez se beneficiariam em ter um parceiro fixo de longo prazo.

E, no entanto, uma comunidade do leste africano, localizada na parte ocidental da Tanzânia, Pimbwe, demonstrou exatamente o contrário.

O estudo

A dupla de pesquisadores, Monique Mulder e Cody Ross, queria testar a teoria do geneticista e botânico britânico Angus John Bateman, proposta em 1948, sobre a variabilidade no sucesso reprodutivo.

Eles escolheram a comunidade de Pimbwe porque ela é pequena, podendo ser estudada por inteiro, além de possuir um conceito “livre” de casamento – os casais podem se deixar a hora que quiserem.

Ao contrário do esperado, eles descobriram que, no que diz respeito ao sucesso reprodutivo, as mulheres se beneficiavam de vários casamentos, enquanto os homens pareciam sofrer com isso.

Metodologia e resultados

Mulder e Ross examinaram dados cobrindo 2.000 pessoas e 20 anos de uniões, separações, nascimentos e mortes.

Eles concluíram que as mulheres que se casaram múltiplas vezes tinham mais crianças sobreviventes do que as que se casaram menos vezes. O oposto foi visto nos homens: os que se casaram mais tinham menos filhos sobreviventes.

Por quê? Isso ainda é um mistério. Por enquanto, só o que eles podem dizer é que este estudo claramente desafia os princípios de Bateman e que as estratégias de reprodução femininas devem ser mais complexas do que os cientistas vêm assumindo.

A caixinha de surpresas chamada mulher

Esta não é a primeira vez que uma pesquisa mostra que possuímos estereótipos errôneos sobre a sexualidade feminina. Outros estudos têm debatido – e contestado – a teoria de Bateman, e você pode ler um deles aqui.

Já o novo estudo foi publicado em um artigo na revista científica Proceedings of the Royal Society B. [Phys]

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