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Estudo: evidência genética da orientação sexual masculina pode ter sido encontrada

Por , em 10.12.2017

Não, não existe um “gene gay”.

Mas cientistas da NorthShore University HealthSystem (EUA) descobriram fortes evidências de ligações genéticas da orientação sexual masculina, no primeiro estudo de mapeamento do genoma que examinou esse traço.

A amostra

“Como a sexualidade é uma parte essencial da vida humana – para os indivíduos e para a sociedade -, é importante compreender o desenvolvimento e a expressão da orientação sexual humana”, disse um dos autores da pesquisa, o psiquiatra Alan Sanders. “O objetivo deste estudo foi buscar bases genéticas da orientação sexual masculina e, portanto, aumentar o conhecimento de mecanismos biológicos subjacentes à orientação sexual”.

Os pesquisadores recrutaram mais de 2.000 homens – 1.077 homossexuais e 1.231 heterossexuais – e analisaram seu DNA, identificando duas regiões genéticas que parecem estar ligadas ao fato de os indivíduos serem homossexuais ou heterossexuais.

Esses homens eram de ascendência principalmente europeia, e foram recrutados de festivais comunitários (no caso dos homossexuais) e de uma pesquisa nacional (no caso dos heterossexuais). Foram os próprios participantes que informaram sua identidade sexual. Cada indivíduo forneceu uma amostra do seu DNA na forma de sangue ou saliva.

SNP nos cromossomos 13 e 14

Quando os pesquisadores verificaram os dados, eles isolaram várias regiões genéticas onde variações chamadas de “polimorfismos de nucleotídeos únicos” (SNP, na sigla em inglês) sinalizavam alterações de uma única letra no DNA, com duas das congregações mais proeminentes localizadas perto dos cromossomos 13 e 14.

“Os genes mais próximos desses picos têm funções plausivelmente relevantes para o desenvolvimento da orientação sexual”, explicaram os pesquisadores em seu artigo.

No cromossomo 13, as variantes estavam localizadas ao lado de um gene chamado SLITRK6, que é expresso no diencéfalo – uma parte do cérebro que varia em tamanho dependendo da orientação sexual masculina, conforme estudos anteriores mostraram.

Embora os mecanismos não sejam totalmente compreendidos, os pesquisadores explicam que a família de genes SLITRK é importante para o desenvolvimento neurológico e pode ser relevante para uma série de fenótipos comportamentais, não apenas a orientação sexual.

No cromossomo 14, as associações mais fortes foram centradas em torno do gene do receptor do hormônio estimulante da tireoide (TSHR), e pensa-se que o conjunto de variantes SNP aqui poderia afetar a orientação sexual devido à expressão alterada no hipocampo, além de produzir função tireoidiana atípica.

Nada de “gene gay”

Essa não é a primeira vez que cientistas examinam o código genético humano a procura de sugestões quanto a orientação sexual.

Embora existam numerosos fatores ambientais a serem considerados, pesquisas anteriores já haviam vinculado um marcador genético no cromossomo X chamado Xq28 à orientação sexual masculina na década de 1990.

Isso deu origem à ideia de um “gene gay”, mesmo que essa nomenclatura seja tecnicamente incorreta, uma vez que o grupo Xq28 contém vários genes, e que a ciência por trás de seu papel na sexualidade não esteja ainda clara.

Em termos dos novos resultados, os pesquisadores enfatizaram que suas descobertas são amplamente especulativas por enquanto, uma vez que ainda há muito que não sabemos sobre o que essas variações genéticas realmente significam.

Há também a questão do tamanho relativamente pequeno e a base europeia da amostra, além de ser limitada apenas a homens, o que nos diz pouco sobre os embasamentos genéticos para a orientação sexual de forma mais ampla em linhas de raça e sexo.

No futuro…

Apesar desses fatores limitantes, há muito para outros pesquisadores aprenderem e considerarem a partir deste estudo.

A equipe espera que seus resultados iniciais possam estabelecer um assentamento para investigações futuras que penetrem mais profundamente nos fatores genéticos que ajudam a influenciar nossas identidades sexuais.

“Compreender as origens da orientação sexual nos permite aprender muito sobre motivação sexual, identidade sexual, identidade de gênero e diferenças de sexo, e trabalhos posteriores podem nos levar mais longe nesse caminho de descoberta”.

Os resultados foram relatados na revista Scientific Reports. [ScienceAlert]

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