Foi assim que Leonardo Da Vinci fez o sorriso de Mona Lisa

Por , em 18.08.2015

A famosa obra prima de Leonardo Da Vinci, Mona Lisa, tem cativado pessoas durante séculos e mais séculos por conta de um sorriso fugaz e intrigante. De um ângulo, ela parece estar sorrindo, mas quando você olha diretamente para seus lábios, seu sorriso parece se achatar. É realmente um truque visual inteligente, que envolve uma mistura sutil de cores que explora nossa visão periférica.

Isso você já sabia

Sim, se você teve aula de artes na escola, na faculdade ou teve um mínimo interesse em pesquisar este assunto maravilhoso, já deve ter se deparado com este assunto. O que os cientistas acabaram de descobrir, e torna o sorriso da Mona Lisa ainda mais interessante, é que ele não é único.

Parece que da Vinci já tinha usado o truque antes.

Um recém-descoberto retrato do gênio italiano, chamado de “La Bella Principessa”, usa o mesmo efeito visual para criar a impressão de um sorriso igualmente fugaz.

Bianca, La Bella Principessa

A menina no retrato recém-descoberto é Bianca, a filha ilegítima de Ludovico Sforza, que governou Milão durante a década de 1490. Seu pai encomendou a pintura em 1496, em honra do próximo casamento de Bianca com um comandante do exército de Milão. Ela tinha 13 anos na época.

O retrato de Bianca transmite toda a tensão e complexidade de sua situação que, convenhamos, não devia ser lá muito fácil.

Uma segunda Mona Lisa

Esta obra está sendo legitimamente comparada com a famosa Mona Lisa porque, quando vista de uma distância, Bianca parece sorrir. Mas, de perto, sua boca parece se inclinar para baixo, dando-lhe um olhar sombrio e melancólico.

Como a Mona Lisa, o sorriso de Bianca aparece mais facilmente na visão periférica dos telespectadores, e desaparece quando olhamos diretamente para seus lábios.

sorriso de mona lisa 2

De acordo com os pesquisadores Alessandro Soranzo e Michael Newberry, da Universidade Sheffield Hallam, na Inglaterra, é como se o sorriso desaparecesse assim que a gente tentasse admirá-lo.

Admire se for capaz

Para descobrir como as sutis ilusões de Leonardo da Vinci funcionavam, Soranzo e Newberry executaram uma série de experimentos em que as pessoas ou viram os retratos de uma determinada distância ou viram versões borradas para simular a visão periférica. Essa lógica foi estabelecida tendo em vista que nós enxergamos as coisas no centro do nosso campo de visão de forma mais acentuada do que nas bordas.

Percepções diferentes

As pessoas concordaram que a Mona Lisa e a “La Bella Principessa” pareciam mais felizes de acordo com a distância que viam as obras. Mas, em contrapartida, a distância não fez diferença alguma para o “Retrato de uma menina”, pintado em 1470 por Piero del Pollaiuolo, que não usou a ilusão visual de da Vinci. Cópias digitais das imagens borradas criaram o mesmo efeito que essa distância entre espectadores e obras.

Em seguida, para testar o quão precisamente essa ambiguidade foi alcançada, os pesquisadores mostraram cópias das pinturas com retângulos pretos ao longo dos olhos, boca ou ambos.

Com as bocas cobertas, a ambiguidade desapareceu. O que indicou que as expressões mutáveis das damas foram provenientes de suas bocas mesmo.

Aqui está o truque

As bocas dos retratos de Leonardo da Vinci parecem mudar o estado de espírito das moças conforme a inclinação com que admiramos a obra. E isso acontece devido uma técnica chamada sfumato, que mistura cores e tons para produzir transições suaves e graduais entre as formas, sem contornos claros. Tanto na Mona Lisa quanto na “La Bella Principessa”, da Vinci usou sfumato para suavizar os contornos da boca, então não há nenhuma linha clara entre os lábios e o resto do rosto.

Quando um espectador foca seus olhos nos olhos destas obras, a técnica sfumato cria a ilusão de lábios inclinados para cima. Mas quando você olha direto para os lábios, eles parecem um pouco franzidos – e talvez tristes.

É por isso que a Mona Lisa parece sorrir mais quando você não está olhando para a boca dela.

De acordo com o pesquisador Soranzo, um dos líderes deste estudo, Leonardo da Vinci mostra total domínio da técnica, em ambas as vezes que a utilizou. Por isso, concluímos que a ambiguidade do efeito foi realmente intencional.

Da Vinci pode ter experimentado esta mesma técnica ainda mais cedo, em 1483, na também famosa obra “A Virgem das Rochas” – apesar disso ainda não ter sido comprovado.

Muitos dos seguidores de Leonardo da Vinci usaram uma técnica semelhante, mas não foram capazes de alcançar o mesmo resultado, enfatiza Soranzo. [discovermagazine]

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