Google finalmente abre as portas de seus data centers secretos

Por , em 18.10.2012

Data center em Douglas County, Georgia (EUA)

O Google é, sem dúvida alguma, uma das empresas mais influentes do universo, senão a mais influente, por ter mudado permanentemente a forma como navegamos na internet.

Toda vez que alguém compara o Google a um “Big Brother”, o olho que tudo vê e tudo sabe sobre todo mundo no planeta, tenho certeza que lhe surge uma imagem mental de labirintos de informação à espera para serem usadas contra você.

Você não precisa mais imaginar: pode conferir essas imagens dos data centers do Google, feitas pela própria empresa, e divulgadas no Street View.

Elas revelam a capacidade do Google de construir, organizar e operar uma rede enorme de servidores e cabos de fibra óptica com eficiência e velocidade inexplicáveis através de um arquipélago global de grandes edifícios.

Cerca de uma dúzia desses “palácios de informação” estão espalhados por locais tão diversos como Iowa (EUA), St. Ghislain (Bélgica), Hong Kong e Cingapura, onde um número não especificado, mas com certeza enorme de máquinas processam continuamente as experiências humanas na internet.

Essa infraestrutura bilionária permite que a empresa indexe 20 bilhões de páginas por dia, lide com mais de 3 bilhões de buscas diárias, conduza milhões de leilões de anúncios em tempo real, ofereça armazenamento de e-mail gratuito a 425 milhões de usuários do Gmail, compacte milhões de vídeos do YouTube para usuários todos os dias, mostre resultados de busca antes de o usuário terminar de digitar sua consulta, etc.

Esses centros de dados do Google são sua vantagem competitiva mais importante, é claro. Até agora, apenas os funcionários mais altos na hierarquia da empresa podiam sequer “dar uma olhada” nos data centers. O que mudou? Bom, a empresa deve ter relaxado um pouco sua segurança, porque pelo menos um visitante pode adentrar a fortaleza digital mais famosa do mundo: Steven Levy, do site tecnológico Wired.

Sala de servidores em Council Bluffs, Iowa (EUA)

O primeiro data center

Conforme o Google crescia, percebeu que, para ter sucesso, teria que construir e operar seus próprios data center, de forma mais barata e eficiente do que qualquer outra empresa.

A missão recebeu o codinome de “Willpower” (em português, “força de vontade”). O primeiro construído a partir do zero foi o de The Dalles, uma cidade no Oregon (EUA).

A equipe criou uma unidade que custou US$ 600 milhões (cerca de R$ 1,2 bi) baseado no conceito de que salas de servidores não tinham que ser mantidas tão frias. As máquinas liberam quantidades prodigiosas de calor e, tradicionalmente, os centros de dados resfriam esse calor com gigantes condicionadores que requerem grandes quantidades de energia (data centers consomem até 1,5% de toda a eletricidade do mundo). O Google inventou um sistema mais eficiente, dispensando tal tecnologia de esfriamento cara.

A empresa também acabou com mais uma fonte de desperdício: os sistemas de abastecimento que protegem servidores de falhas de energia na maioria dos data centers. Google otimizou essa tecnologia e reduziu a perda de energia elétrica em cerca de 15%.

Todas as inovações da empresa ajudaram o Google a economizar energia sem precedentes. A medida padrão de eficiência de um data center é chamada de eficácia de uso de energia. Um número perfeito seria 1,0, ou seja, toda a energia do local está sendo aproveitada. Especialistas consideram 2,0, indicando que metade da energia é desperdiçada, um número razoável para um centro de dados. Google estabeleceu um 1,2 inédito.

Segredo de indústria

O Google tinha ouro em suas mãos, um diferencial que tornava seus produtos mais eficientes e baratos. Seria lógico escondê-lo dos competidores. Mas isso foi ficando cada vez mais difícil.

Em 2007, a empresa se comprometeu formalmente com a neutralidade de carbono, o que significa que cada molécula de carbono produzida por suas atividades operacionais seria compensada (neutralizada).

Manter sigilo sobre sua economia de energia minaria esse ideal: se os concorrentes soubessem o quanto de energia Google estava economizando e fizessem o mesmo, isso poderia ter um verdadeiro impacto ambiental positivo, o que tinha tudo a ver com os objetivos “verdes” da empresa.

Além disso, a propriedade do Google no Oregon tornou-se uma questão de registro público, e seria cômico se a empresa continuasse negando o data center por muito tempo.

Em 2009, em um evento, o Google anunciou seus resultados mais recentes de economia de energia e deu algumas dicas sobre suas técnicas. Foi como um divisor de águas para a indústria, e agora empresas como Facebook e Yahoo têm taxas de aproveitamento semelhantes.

Os avanços do Google, no entanto, vão muito além da energia, o que significa que a empresa ainda possui vantagens.
Enquanto o Google é pensado como uma empresa de internet, também tem crescido como um dos maiores fabricantes de hardware do mundo, graças ao fato de que constrói grande parte de seu próprio equipamento (nem preciso dizer o que isso economiza para eles).

Até agora, porém, há uma área na qual o Google ainda não se aventurou: projetar seus próprios chips. Mas o encarregado de plataformas da empresa, Bart Sano, sugere que até isso pode mudar. “Nunca diga nunca”, contou. “Na verdade, eu ouço essa pergunta todo ano. Do Larry [dono da empresa]”.

Já a velocidade do serviço Google tem a ver com outra tecnologia. Seria lento e pesado para a empresa se milhões de pessoas assistem vídeos do YouTube vindos somente dos “poucos” data centers do Google. Então, a empresa criou várias “mini redes” de fibras ópticas, o que significa que você provavelmente não está recebendo seu vídeo de gato engraçado de The Dalles, mas de uma rede a poucos quilômetros de onde você está.

Por fim, no quesito segurança, Google tem uma equipe de “teste de recuperação de desastres”, que ataca a própria empresa todos os anos, tentando roubar informações, desligar servidores, dentre outras ações, para que a companhia tenha certeza de que é segura o suficiente e consegue controlar os ataques. Em caso negativo, a missão é abortada para não prejudicar usuários.

Problemas reais também já foram contidos com sucesso. Como na manhã de 17 de abril desse ano, em que 1,4 % dos usuários do Gmail (um grande número de pessoas) não conseguiram acessar suas contas. Imediatamente, uma conferência identificou que o problema tinha sido uma mudança de programação feita no Gmail. O diagnóstico do erro levou 20 minutos, e a correção mais 25 minutos.

Exterior do data center de Council Bluffs

Visitando Lenoir

O data center visitado por Levy foi Lenoir, na Carolina do Norte (EUA). O repórter relatou que “grande” nem começa a descrever o lugar.

No dia de sua visita, havia 49.923 funcionários operacionais na instalação. Ele também fala sobre uma placa datada de 9 de julho de 2008 que comemora o milionésimo servidor do Google. Levy conta que os executivos da empresa explicaram que este é um número cumulativo, não necessariamente uma indicação de que o Google tem um milhão de servidores em operação ao mesmo tempo.

Encantando com o “santuário do Google”, Levy descobre algumas semanas depois porque sua visita foi concedida. A intenção da empresa é tornar esse data center obsoleto.

Levy perguntou o que mudaria nos próximos data centers do Google. Os especialistas responderam design, velocidade de implantação e flexibilidade. Detalhes? Nenhum. Segundo a empresa, eles gastam o próprio sangue, suor e lágrimas nessas inovações, e os competidores terão que fazer o mesmo se quiserem avanços.

Confira aqui uma galeria de fotos dos data centers do Google. Abaixo, um vídeo do Street View para você explorar Lenoir.[Wired]

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4 comentários

  • Warlen Antonio:

    BACANA DEMAISSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

  • Tibulace:

    Essa empresa, tem má fama.Vez por outra, é acusada de espionar, querer dominar etc etc.Entretanto, é pioneira em muitos campos.O Google Earth, por exemplo, tem como maior defeito, não ser mais específico,fotos atualizadas mais rápidamente.Temos que ter em mente, que é GRATUITO e a concorrência não se preocupa em criar serviços semelhantes.Espero que Google continue inovando e um dia desses, consiga criar mecanismos de buscas na Web, REALMENTE específicos, pois são necessários.

  • Ademar Walter Reisdorfer:

    Impressionante!

  • elisa:

    “…havia 49.923 funcionários operacionais na instalação”
    IMPRESSSSSSIIIIOOONAAANTE

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