Humanos poderiam se reproduzir em longas viagens interestelares?

Por , em 4.10.2011

Se construir uma nave espacial para visitar uma estrela já é algo bastante difícil com as condições tecnológicas atuais, manter pessoas vivas a bordo poderia ser uma tarefa ainda mais complicada. Uma viagem, mesmo para uma das estrelas mais próximas de nós, levaria décadas ou, quem sabe, centenas de anos. Quem chegaria ao destino certamente seriam os filhos ou netos dos astronautas.

Mas, para que as futuras gerações existissem, seria necessário haver reprodução dentro na nave espacial – o que pode não ser tão simples assim. Ainda não se sabe se crianças teriam um desenvolvimento bem-sucedido na microgravidade espacial em uma missão rumo à outra estrela.

Até agora, não conseguimos enviar uma sonda para além do nosso próprio sistema solar, muito menos para a estrela mais próxima, a mais de 4 anos-luz de distância. Para se ter a ideia da dimensão disso, um ano-luz – a distância que a luz percorreria em um único ano – é de cerca de 10 trilhões de quilômetros.

A menos que cientistas inventem um método prático para simular a gravidade em uma nave espacial, uma viagem interestelar seria feita na ausência de gravidade. Com o tempo, a microgravidade acabaria com o corpo, diminuindo o volume de sangue, atrofiando os músculos, diminuindo o conteúdo mineral ósseo e prejudicando a visão.

Os efeitos sobre um feto em desenvolvimento seriam ainda mais graves, talvez interrompendo o desenvolvimento embrionário normal e o funcionamento neurológico. O corpo e os ossos de um bebê podem se desenvolver de maneira diferente na ausência de gravidade.

E o nascimento poderia ser ainda mais complicado. Afinal, dar à luz em gravidade zero deve ser um inferno para a mãe, que dependeria essencialmente do peso do bebê.

Isso considerando que os futuros pais chegassem tão longe assim. Aparentemente, sexo também não é algo fácil de ser feito em gravidade zero, porque não há tração e você continuaria batendo contra as paredes. Sem atrito, também não há nenhuma resistência.

Vamos considerar que bebês humanos consigam ser concebidos e nascidos no espaço. Ainda sim, existiria uma série de outras dificuldades. Além dos efeitos negativos da microgravidade sobre o corpo, as pessoas em uma viagem tão longa poderiam ser vítimas de uma doença, e não deve ser difícil desenvolver problemas psicológicos estando preso a bordo de um veículo no vácuo do espaço até o fim da vida.

Chegando ao destino – uma outra estrela, com um planeta habitável que os humanos pudessem colonizar – ainda haveriam dificuldades. Planetas habitáveis podem não ter tão parecidos com a Terra. Por isso, os humanos possivelmente teriam que construir uma cúpula com uma biosfera similar a do nosso planeta para viver. Além disso, existe a questão ética a cerca de alterar radicalmente outro mundo, e até erradicar outra forma de vida microbiana, com a tentativa de deixar o planeta humanamente habitável.

A melhor opção poderia ser alterar humanos geneticamente para que suportassem outro ambiente. Mas, nesse caso, poderia surgir uma segunda espécie de seres humanos – tão diferentes dos terrestres que os dois poderiam não ser capazes de cruzar e se reproduzir em um possível encontro. É mole ou quer mais? [LiveScience]

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25 comentários

  • Kilote César:

    Poxa, seria muito triste não é? Uma pessoa nascer só para atingir os objetivos de outra pessoa

    • Felipe Granado:

      Boa dica de filme de ficção cientifica. Terá pitadas de drama.

  • Christoffer:

    Mas que porcaria de artigo esse. Nunca na história da humanidade, se cogitou fazer uma viagem interestelar numa nave sem gravidade artificial. Bastaria imprimir à nave um movimento de rotação para que a força centrífuga criasse uma gravidade artificial idêntica à da Terra para os astronautas. Eu acredito que uma combinação de uma nave gigantesca, como um cilindro de O’Neill combinada com uma propulsão de pulso nuclear, como a idealizada para o Projeto Orion dos anos 50, que usaria uma propulsão de bombas nucleares para acelerar a nave a até 12% da velocidade da luz, poderia resolver o problema da viagem interestelar. Se criassemos uma nave Orion com o formato do cilindro de O’Neill, poderíamos transportar até dez milhões de pessoas numa viagem geracional até outro sistema estelar. Tudo isso, feito com tecnologia atual, sem precisar desenvolver nenhuma tecnologia nova.

  • Pedro Bó:

    m outro problema seria nas proximas gerações.

    E se, os filhos nascidos no espaço, não tivessem capacidade de perpetuar a especie, seja por problemas genéticos ou incapacidade intelectual.

    A seleção de astronautas é bem rigorosa e em cada 200 treinados, apenas 1 terá capacidade de realmente ir em uma viagem espacial.

  • Jonatas:

    Prefiro bases na Lua e microbiosferas em cúpulas em Marte. O Sistema Solar tem atrativos o suficiente pra ocupar a humanidade do futuro próximo por gerações. Imaginem apreciar Saturno e seus anéis a partir de uma base em seu satélite Encéladus? Imaginem os turistas podendo saltar entre montanhas e desfiladeiros de gelo desse um mundo glacial com menos que um centésimo da gravidade da Terra? Deixem o guia do mochileiro das galáxias guardado por enquanto. Na moral, nem nosso planeta ainda conhecemos por completo.

  • magoado:

    mas por que não ficar na terra ???
    se a viagem e complicada…
    as pessoas que entrarão na nave não vão chegar..e nem voltam
    levaria [se tudo der certo] centenas de anos
    e o pior até para transar ia ser complicado..

    • Cesar:

      A Terra está condenada. E não estou falando de poluição e aquecimento global, mas de um fato simples: quedas de asteroides como o que está associado à extinção dos dinossauros acontecem a cada 60 milhões de anos, em média, e a última aconteceu há 65 milhões de anos (justamente a que liquidou os dinossauros). Além disso existem outras catástrofes nos aguardando ali, depois da esquina.

      Se a raça humana quiser sobreviver como espécie, terá que aprender a viver no espaço, e expandir a humanidade para as estrelas, levando consigo uma biosfera.

  • Rock:

    Este tema sempre me fascinou.Quanto a gravidade pode ser obtida por rotação como comentado (filme 2001 de 1968 a Discovery tinha um tambor giratorio para os astronautas se exercitarem e a estação espacial era em forma de torus, ou como uma camara de pneu, giratorio) Gravidade também pode ser simulada pela aceleração constante de 1G.Mas ai entra o problema de combustivel.Porém, o projeto Jato-embolo de Bussard considera captar hidrogenio interestelar com imensos campos eletromagneticos sem necessidade de carregá-lo em tanques o que seria totalmente impraticavel. Tal nave foi considerada no livro de ficção cientifica de Paul Anderson chamado “Tau-zero”. Minha opinião final é que a viagem interestelar depende de uma nova física.Se ficarmos presos nas limitações que a teoria da relatividade impõe, sem olhar por cima da tampa do caixote, nao tem jeito.

  • sanep:

    pois!?dá que pensar, e voltar a pensar…muitos problemas com um fim incerto, é algo que sem querer mos nos invade a imaginação, com o sentido de procurar mos responder as perguntas; seremos únicos no universo? existe mais algum planeta com condições de habitabilidade? como viajar para alem do nosso sistema solar, como habitualmente viajamos em transportes no nosso quotidiano necessitando de procriar para manter a missão até à meta? a curiosidade é imensa e as repostas são tão incertas como infundadas; penso que só a bóia da ciência um dia as poderá responder…

  • @lucianolee:

    Bem, o problema da gravidade é bastante complicado de se resolver. Mas veja para tirar o stress da viagem. Com os atuais jogos de RPG e Impérios, muitas pessoas vivem sem a necessidade de coexistir com o mundo real, rsrsrsrs.

  • JPX:

    Sobre o assunto “a questão ética a cerca de alterar radicalmente outro mundo, e até erradicar outra forma de vida microbiana, com a tentativa de deixar o planeta humanamente habitável” tem uma animação muito interessante chmada “Batalha por T.E.R.R.A.” no título em português. ALERTA DE SPOILER – Nele, os humanos, após a destruição da Terra e garações viajando pelo espaço, chegam a outro planeta para colonizá-lo. O problema é que já existem formas de vida aparentemente pacíficas por lá e a atmosfera do planeta é tóxica aos humanos, por isso eles querem, pelo menos os militares, “terraformar” o planeta e entram em conflito com seus habitantes. Pra não estragar o filme vou parar por aqui, mas vale a pena assistir. Eu baixei na net então é só procurar.;)

  • Big Bang:

    Não precisa de nada de gravidade, basta técnicas eficientes de criogenia. Deixando o resto para uma inteligência artificial q comandaria a nave. O sexo ficaria pra depois.Mas isto é pra outro filme de ficção cientifica. Muito boa a matéria!

  • Renys Kenys de Andrade:

    Eu não estarei mais aqui para saber se isso será possível

  • Glauco:

    Sexo é fácil de fazer, basta usar a imaginação de como deixar isso gostoso no espaço…

    O problema da gravidade artificial já foi resolvido por Hollywood no filme Marte, o Planeta Vermelho. Basta instalar um módulo rotacional na parte de frente da nave que você teria gravidade artificial tranquilamente.

    • João:

      2001 – Uma Odisséia no Espaço, é de 1968 e já mostra esta ideia.

  • Jonatas:

    Pessoas nascendo atraves de gerações no espaço estariam sujeitas a mudanças físicas, genéticas e psicológicas tão drásticas que dificilmente se adaptariam a viver em um planeta habitável. Embora interessante e até a única maneira que estaria perto do viável nas próximas décadas, viajar por gerações no espaço seria praticamente sacrifício, e dificilmente as pessoas topariam. Mesmo que encontrem formas de simular gravidade e cultivar uma microbiosfera, ainda seria bem complicada uma odisséia dessas. Apenas o futuro nos dirá que consigamos ou não alcançar as estrelas. Mas não se preocupem, o Sistema Solar já tem muita coisa interessante, sou mais bases na Lua e estufas em Marte do que viagens interestelares.

  • Josmar:

    Caso a viagem fosse concluída com êxito e um planeta com as condições de vida semelhante ao nosso fosse encontrado, quem garantiria que ele não tivesse dono? E esses donos iriam querer dividir o seu mundo com uma raça invasora? Além disso os habitantes do nosso planeta jamais saberiam se a missão teve sucesso ou não. Seria uma missão arriscada que não traria nenhum conhecimento sobre a existência de mundos habitáveis, já que a distância seria uma barreira para haver uma comunicação. Talvez até a humanidade estivesse extinta, quando esse sinal chegasse de volta, na hipótese de êxito na missão.

  • André:

    Seria muito difícil. A única forma da humanidade conhecer as estrelas distantes da nossa galáxia, e até mesmo outras galáxias, é com a manipulação do espaço-tempo. Talvez eu esteja errado.

  • E se:

    E se…
    A Terra fosse uma espaçonave interestelar com gravidade criada não sei como e biosfera criada da mesma forma somente para tornar possível que humanos (ou a sua descendência – talvez completamente modificados e adaptados às circunstâncias que se apresentam)consigam consigam chegar a outro ponto no Espaço… O problema maior que eu vejo, é que os descendentes que supostamente chegariam a outra estrela não conheceriam absolutamente nada do nosso Sistema… Pra nada serviria.

    • Anita:

      Provavelmente os pais ensinariam tudo que podiam aos filhos, logo não ponha a hipótese de eles não saberem o sistema solar.

    • sanep:

      não nos esqueçamos que a terra só é habitável na posição actual relativamente ao sol…

  • EltonPaes:

    Isso me lembra o filme Pandorum…

    Não adianta, enquanto não criarem gravidade artificial (que eu acho impossível) o negócio vai ser difícil até lá…

    • Jonatas:

      Tem um jeito, atualmente, que poderi criar pelo menos uma sensação de gravidade no espaço. Seriam gigantescas estações espaciais giratórias, com uma rotação muito forte que gerasse uma força centripeta contra as “paredes” da estação. Nela seria, em hipotese, possivel para os astronautas trocarem alguns passos.

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