Por que a ciência possui credibilidade?

Por , em 18.03.2013

Como vimos no artigo da semana passada, Karl Popper proporciona através de seu Racionalismo Crítico um dos mais sólidos pilares para solucionar o problema da demarcação em Filosofia da Ciência, ou seja, distinguir o científico do não científico. E a essência dessa distinção está em seu célebre princípio da falseabilidade.

Em síntese, todo o conceito para ser considerado científico deve admitir em seu próprio enunciado a possibilidade de ser refutado.

Com isso a ciência resolveu um dos grandes impasses que é o argumento de autoridade. Por não atender o princípio da falseabilidade todo argumento de autoridade não é considerado científico.

Além disso, Karl Popper propõe uma solução para outra questão em Filosofia da Ciência que é o problema de indução, que procuraremos tratar de forma sucinta nesse artigo,  sem a pretensão de esgotar o tema.

O método indutivo, ou indução empírica, é o raciocínio que, após considerar um número suficiente de casos particulares por meio da observação, conclui uma verdade geral.

Parte da experiência sensível, dos dados particulares para chegar-se à generalização.

Típico das ciências naturais a indução também aparece na Matemática por intermédio da Estatística, na qual as características de alguns componentes de um conjunto são utilizadas para caracterizar todo o conjunto, estabelecendo-se aí maior ou menor grau de probabilidade quanto maior for o universo de dados que possam ser utilizados na construção desse modelo. Em outras palavras, já que tantos se comportam de tal forma, é muito provável que todos se comportem assim.

Em função deste “salto” do particular ao geral, existe uma grande possibilidade de erro nos raciocínios indutivos, uma vez que basta encontrarmos uma exceção para invalidar a regra geral.

Por outro lado, é esse mesmo “salto” em direção ao provável que torna possível a descoberta, a inovação, a proposta de novos modos de compreender o mundo, bem como a generalização, tão útil em efetuar previsões de cenários futuros.

Aliás, o ser humano adora generalizações. Por isso o cuidado que se deve ter com a indução.

Vejamos a alguns exemplos:

Exemplo 1 – Amostragem

Retirando uma amostra de uma saca de arroz que foi previamente sacudida e revirada para que ficasse com composição homogênea, observou-se que aproximadamente 95% dos grãos são do tipo extrafino. Conclui-se, então, que a saca de arroz é do tipo extrafino.

Exemplo 2- Pesquisa Eleitoral

Através da amostragem de eleitores realiza-se uma pesquisa, que aponta a tendência de votação, simulando os resultados que se obteria no dia da eleição.

É evidente que a validade dos resultados dependerá da representatividade da amostra e da correta aplicação dos métodos estatísticos.

No primeiro caso poderemos encontrar alguns grãos de arroz que não se encaixam no padrão “arroz extrafino” e a pesquisa em boca de urna poderá prever como ganhador o candidato errado, embora também seja possível retirar muitos quilos de arroz que se encaixem no padrão, bem como acertar os resultados da eleição.

As conclusões obtidas por intermédio do método indutivo correspondem a uma verdade que não está contida nas premissas consideradas como hipóteses, por essa razão chega-se a conclusões que são apenas prováveis, porém muito mais gerais do que o conteúdo das hipóteses iniciais. Isso é bom ou é ruim?

O problema da indução é, portanto, proposto por uma questão filosófica que pode ser assim enunciada:

O raciocínio indutivo, ou seja, a generalização, leva ao conhecimento?

Será que afirmar acerca de todos, aquilo que foi possível observar apenas em alguns não produziria muito mais erros do que acertos?

O problema põe em evidência todas as reivindicações empíricas feitas na vida cotidiana ou por intermédio do método científico.

Assim, Popper, propõe uma solução simples ao problema da indução, que é justamente embutir em toda a afirmação científica o princípio da falseabilidade.

Em outras palavras não aceitar com credulidade qualquer generalização. Deve-se buscar pela observação e/ou experimentação pelo menos um caso que refute a afirmação e evidentemente isso obrigue a reformulação da afirmação ou a busca de novas hipóteses.

Por exemplo, ao assistir um programa do canal de compras encontramos:

“Compre o nosso chá emagrecedor! É um produto natural! Logo não faz mal à saúde!”

É fácil observar a indução: ar, alimentos e água são produtos naturais e fazem bem para saúde.

Consequentemente todos os produtos naturais fazem bem para a saúde!

Agora, aplicando o princípio da falseabilidade de Popper:

Basta encontrarmos apenas um produto natural que faça mal para a saúde que a generalização foi falseada e o problema da indução foi resolvido.

De fato: só no nosso jardim poderemos encontrar algumas plantinhas tóxicas que põe por terra o argumento do chá emagrecedor. Afinal, nem tudo que é natural faz bem para a saúde.

Como vimos anteriormente, esse princípio de falseabilidade proposto por Popper é o principal motor do Racionalismo Crítico e um dos mais sólidos pilares para a demarcação entre ciência e não ciência.

E por que é tão importante essa demarcação?

Por que a ciência possui credibilidade?

E é justamente dessa credibilidade que muitos “vendedores de chás milagrosos” querem se valer, quando procuram revestir com o manto do cientificismo suas artimanhas para explorar a ignorância e a boa fé alheias?

A meu ver, esse não é o principal foco da questão.

Essa demarcação entre ciência e não ciência é fundamental para protegermos a principal conquista histórica que temos contra o obscurantismo e a impostura: que é o pensamento crítico.

Nas palavras de Carl Sagan:

“Queremos buscar a verdade, não importa aonde ela nos leve. Mas para encontrá-la, precisaremos tanto de imaginação quanto de ceticismo. Não teremos medo de fazer especulações, mas teremos o cuidado de distinguir a especulação do fato”.

 

-o-

[Imagem: Foto de Karl Popper wiki commons]

[Leia os outros artigos de Mustafá Ali Kanso]

 

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18 comentários

  • aguiarubra:

    Parabenizo-o, professor, por mais esse excelente artigo!

  • Eduardo Cruz:

    Olá Sr. Mustafá Ali Kanso,

    Me parece que o Sr. não foi bem sucedido em responder à pergunta que propôs. A pergunta “porque a ciência possui credibilidade?” é um tanto ambígua. Me parece também que o senhor interpretou mal qual era a proposta original de Popper. Vamos as clarificações:

    A pergunta que o senhor faz é fácil de responder, caso definamos o que é credibilidade. Credibilidade é a facilidade que temos ao crer num enunciado. O enunciado “A água é H2O” é mais credível do que o enunciado “Existe vida alienígena” porque existem mais indícios que o sustentem. A ciência tem credibilidade porque os padrões de justificação para sustentar uma hipótese científica são muito elevados. Os cientistas não estão apenas interessados em mostrar que é possível que suas hipóteses sejam verdadeiras, mas também em mostrar que a probabilidade de que sejam falsas é baixa. Bom, os bons cientistas se preocupam com isso. Para tanto, eles experimentam, testam, observam e argumentam seguindo os critérios mais rigorosos que podem ser exigidos para tais atividades.

    A proposta de Popper para demarcar ciência e não ciência é falha. Um exemplo: encontre, por favor, um enunciado da matemática ou da lógica que sejam falseáveis. Ainda assim essas duas disciplinas são consideradas ciências. Bom, talvez seja um pouco controverso o estatuto científico das duas disciplinas que citei, mas existem vários casos na ciência em que teorias foram salvas da falsificação. É o caso da descoberta de Netuno. A órbita de Urano era diferente das previsões feitas pela física newtoniana. Era o mínimo necessário para que o estatuto científico da teoria newtoniana lhe fosse retirado. Os cientistas que perceberam a deformação na órbita de Urano resolveram seguir a teoria e postular a existência de um outro planeta que lhe deformasse a órbita. E pouco tempo depois a existência de Netuno foi confirmada. A atitude daqueles cientistas que postularam o planeta que deformava a órbita de urano foi anti-científica? Pouco provável, pois levou a uma descoberta científica significativa.

    Seu raciocínio final é um pouco estranho. Os argumentos indutivos visam dar força a um enunciado geral, tendo como base um número significativo de observações. Os médicos acreditam que os antibióticos podem curar uma infecção grava porque observaram um número significativo de casos isolados nos quais a administração do antibiótico causou melhora no quadro de infecção. Ou seja, é altamente provável que os antibióticos curem infecções, bem como é altamente provável que certas classes de produtos naturais façam bem à saúde. O problema com os vendedores de chás naturais é uma falácia: a falácia da ambiguidade. “Credibilidade”, “Natural”, “Porco” e, muito provavelmente, a maioria das palavras dos idiomas naturais são altamente ambíguas. Os vendedores sem escrúpulos se valem do significado que as pessoas atribuem à palavra “natural”: algo bom, de alto valor para o corpo humano, como contrário a “artificial” ou “industrializado”. As pessoas entendem que “natural” é algo que faz bem, pois não tem adições químicas perniciosas ou não saiu de uma linha de montagem. Mas nós, pessoas esclarecidas, sabemos que “natural” é tudo aquilo que se encontra na natureza, inclusive alguns produtos considerados artificiais ou industrializados.

    O critério de demarcação popperriano NÃO serve para falsear uma hipótese indutiva. Do contrário, falsearia a maioria delas.

    Atenciosamente,

  • Glauco Ramalho:

    Se Karl Popper é tão importate para a ciência, pq as ciências espaciais nunca utilizam sua filosofia em seus modelos?

    Li Karl Popper por uns meses, e as últimas coisas que as ciências espaciais utilizam é a falseabilidade e a Navalha de Occam!

    • Mustafá Ali Kanso:

      Caro leitor,

      Ciências espaciais é uma denominação muito ampla, pois abarca Astronomia, Exobiologia, Astrofísica, Astroquímica, Astrodinâmica, Ciência planetária, entre muitas outras especialidades. Todas aplicam o método científico, portanto incluem Popper e Occam.

      Penso que queira se referir a algumas abordagens dentro de um subcampo da cosmologia (que é uma subdivisão da astronomia) denominada cosmogênese.

      Mesmo com uma fundamentação matemática sofisticada e belíssima o corpo de algumas teorias sobre o multiverso efetuam abordagens muito mais filosóficas do que científicas, face aos próprios limites da ciência, daí, não serem unânimes sua aplicação e/ou sua metodologia.

      O mesmo tem ocorrido com a psicanálise e a teoria marxista cujas abordagens confrontam o problema de demarcação e o princípio da falseabilidade. Isso não invalida nenhuma das duas. Apenas está caracterizando-as como “não científicas” e não pode, portanto, ser encarado como depreciativo ou ofensivo.

      Atualmente essa questão da cosmogênese tange muito mais a demarcação de “graus de confiabilidade” do que simplesmente de exclusão.

      Mas tudo isso reforça Popper, afinal foi ele quem demarcou uma ciência que procura ser grande na virtude da humildade, procurando e assumindo os seus próprios limites. (Leia meu artigo “Os Limites da Ciência” https://hypescience.com/os-limites-da-ciencia/).

      Ótimo questionamento!

      Grato pela audiência

    • Glauco Ramalho:

      Não estou falando de Cosmogênese especificamente, estou falando do Big Bang (ok, isso é cosmogênese), nascimento, evolução e morte das estrelas e planetas, natureza, origem e classificação de corpos celestes (especialmente cometas), colisões planetárias e asteroidais, energia e massa escuras influenciando a formação dos braços das galáxias, buracos negros, núcleos galácticos como sendo buracos negros supermassivos, ruído de fundo, expansão do Universo e Redshifts.

      Nenhum modelo que compreende alguns desses assuntos possuem falsibilidade, navalha de Occam e nem mesmo revisão dos pares que funcione. Basta não discordar que seu trabalho não é publicado.

      Você deve ser ligado ao meio científico, deve ganhar seu dinheirinho no final do mês pelo seu bom trabalho, e talvez realmente acredite nas descobertas científicas, principalmente na área das ciências espaciais. Mas não duvide, fora os nerds apaixonados pelos foguetes da NASA que dão audiência para esse site e similares ao redor do mundo, o resto das pessoas odeiam os astrônomos e astrofísicos. Elas sabem que eles deturpam a ciência e enganam as pessoas, e acredite… no dia em que as pessoas olharem pro céu e virem um cometa gigante interagindo com outros planetas ao nosso redor ou o nosso mesmo, os cientistas vão ser as pessoas mais odiadas do mundo por terem mentido tanto.

      O problema não é a ciência, o problema são os cientistas.

    • Mustafá Ali Kanso:

      Caro leitor,

      A questão ética, do bem x mal permeia toda a atividade humana, e isso não exclui a ciência ou a classe dos cientistas. E na maioria das vezes, penso eu, é uma escolha individual.

      Por exemplo, existem muitos cientistas que, como eu, ganham seu dinheirinho ensinando ciência e divulgando ciência. E de fato, é como você diz: acreditamos na ciência, ou seja, acreditamos no conhecimento científico como um instrumento para fazer o bem.

      Outros “cientistas”, no entanto, o utilizam para fazer o mal; por exemplo, para produzir cocaína, heroína, meta-anfetamina e outras drogas recreativas que são na verdade misturas de venenos que viciam e matam. E o fazem para ganhar dinheiro.

      Penso que a escolha é individual e tem a ver muito mais com o uso da consciência do que com o uso da ciência.

      Logo, foge do campo meramente científico e amplia-se para o campo filosófico: valores, ética, moral e as escolhas que a humanidade quer, deve e pode fazer.

      Evidentemente não é bom, correto ou justo condenar uma classe inteira pelo mau comportamento de alguns;

      É fato que existem cientistas (espaciais ou não) desonestos. Porém, não podemos generalizar e dizer que todos são assim.

      Aliás, é exatamente sobre esse tipo de generalização que Karl Popper nos alerta.

      Daí a importância de usarmos o nosso espírito crítico e aprendermos a separar o joio do trigo.

      Percebe agora como o pensamento indutivo é perigoso?

      Não perca meu próximo artigo. É sobre esse mesmo tema.

      (E mesmo você não sendo “um nerd apaixonado por foguetes da NASA” tenho que agradecer sua audiência e a boa discussão que propiciou em torno dessas ideias tão apaixonantes.)

      Grato pela audiência

    • Glauco Ramalho:

      Quando todos os cientistas, sem excessão, falam a mesma mentira, então o problema é institucional, não individual.

  • Orlando Rios:

    Calma. Pera ae.
    Nao devemos endeusar tanto assim a ciencia pois ela eh feita por homens e homens do planeta Terra erram e descaradamente.
    Senao vejamos:

    Cientistas andam a reboque de interesses escusos e obscuros de paises, tiranos, politicos sem vergonhas, de empresas como grandes laboratorios que impedem curas totais de certas doencas para venderem paliativos mais caros.
    Cientistas produzem armas de destruicao em massa como as as atomicas, bacteriologicas. Alias todas elas sao e sempre foram produzidas pela ciencia a reboque de tiranos e paises sem escrupulos.
    A ciencia produz poluicao alias toda a poluicao terrestre. Sem falar nas milhoes de mortes causadas por remedios experimentais como a talidomida, o lsd, ddt e milhoes de outros exemplos.
    Nao endeuzem a ciencia ou cientistas.

    • Mustafá Ali Kanso:

      Caro leitor,

      Por gentileza releia o artigo e avalie com isenção se em algum momento afirmou-se que a ciência é perfeita, infalível ou digna de ser “endeusada” (ou se o mesmo foi também afirmado para os cientistas).

      Aliás, o cerne do artigo se refere ao princípio da falseabilidade de Popper, que atua como um mecanismo de autocorreção para evitar que erros e inverdades seja perpetuados.

      Mesmo quando nos reportamos à credibilidade da ciência (que é um fato apontado pelas últimas pesquisas e não uma opinião desse cronista), isso foi realizado através de questionamentos (perceba os pontos de interrogação no final de cada sentença).

      Quando à poluição, escalada bélica, mal uso da ciência médica, etc. peço que leia meu comentário ao post do leitor Evandro Oliveira (logo abaixo) e depois me conte se continua tendo a mesma opinião de que é realmente a ciência que produz tais heterogêneos tanto no ambiente natural quando no social.

      Não perca o próximo artigo cujo foco será exatamente esse.

      Grato pela Audiência

    • Breno Gomes:

      Orlando meu camarada senhor só esta lendo e comentando algo totalmente sem contexto com a matéria, graças a Ciência. Abs.

  • Austregon:

    No Brasil sempre existem ressalvas…

  • David Quirino:

    Infelizmente, devo dizer, pelo mesmo motivo que as pessoas depositam credibilidade em deuses e superstições… se não, ninguém faria uso de um medicamento prescrito por seu médico, sem antes dissecar completamente a bula que o acompanha e questionar sua eficácia contra o seu problema, além da compatibilidade com seu organismo. Quem quer entender como funciona um eletrodoméstico, que usa constantemente? Quem quer saber de onde, e como chega até si a água que o mantém vivo?… e, a energia elétrica? …Não! meus amigos!… ninguém quer saber: só querem acreditar e ter esperança de que a ciência ali está para atender suas necessidades. …E, ainda assim, são capazes de acreditar mais em deuses e superstições!

  • Evandro Oliveira:

    De certo modo, a ciência tem credibilidades e descredibilidades. Aliás, algo já complicado está definir ciência como um todo, devido as suas muitas ramificações, e algumas com mais credibilidade e outras menos. Algumas que conseguiram avançar mais e outras menos. Todavia os grandes créditos da Ciência está sem sombra de dúvidas em sua capacidade de permitir ao homem, claro, em niveis diferentes (pois não é todos que tem tal privilégio de desfrutar de tais) de tecnologias de controle. Controle sobre o mundo fisico, controle sobre outras pessoas e, controle sobre nós mesmos.

    Quando digo controle, me refiro quanto ao controle de conseguir gerar um resultado desejado.

    Todavia, em muitos outros campos e aspectos, a ciência não só avançou, como anda estagnado há séculos. Entre eles destaco o de não eliminar as desigualdades sociais (em certos aspectos o intensificou), o de não eliminar a pobreza, o de não eliminar o casos social e das relações sociais o que de certo modo contribuiu para uma piora, uma vez que a ciência permitiu e incentivou mais a autosuficiencia do homem, tornando-os mais centrados, ecentricos, menos coletivos e mais individualistas e materialistas de tecnologias; o que e certo modo, é o produto da Ciência, sobre essa ótica, ela tem escravizado o homem. Além de outros aspectos mais metafisicos, como de não conseguir lidar e resposder problemas que assombram a mente de pensadores e cada individuo desde o inicio como “por que existimos?”, “qual a razão da vida?”… não conseguindo resolver nossos problemas existenciais, mas talvez, agravado-os. Do mesmo modo, os avanços da ciencia também possibilitou e levou o homem a fazer uma grande destruição de Ecossistemas e vidas. Fazendo muitas vezes uma agreção a vida, ao planeta, em prol de um ‘avanço ciencitifico’, de um conhecimento. Como a bomba.

    E de certo modo, o equilibrio sempre permaneceu. Aumentar mais o conhecimento cientifico significa diminuir alguma coisa do outro lado da balança. E até aqui, ainda temos nos permitido arruinar as outras esferas da vida em prol do avanço cientifico. Apesar de muitos já estarem questionando e mesmo protestando contra isso.

    Algo muito a se contrabalançar e pesar. Pois, devemos ser menos positivistas quanto a ciência, e sim, mais ‘céticos’ quanto a ela e seus beneficicios e credibilidade; caso contrário, estaremos adotando-a – cegamente – como uma religião. E quando isso é feito, é perigoso.

    • Mustafá Ali Kanso:

      Meu caro leitor,

      Seu post é bem oportuno, pois evidencia algumas questões pontuais do senso comum que fazem parte de uma tendência, nas últimas décadas, denominada “negação da ciência” que vou tratar em meu próximo artigo.

      Apenas adiantando:

      1) Não é difícil, nem confuso ou complicado conceituar ciência. Seu conceito completo é um dos itens da programação do ensino fundamental.
      2) A credibilidade da ciência tem sido conquistada por seu benefícios para a humanidade e pela atuação de seus mecanismos de autocorreção comprovados historicamente.
      3) A ciência não é perfeita, mas não pode ser eleita a fonte de todos os males da sociedade.
      4) É impossível adotar a ciência (leia-se aqui ciência propriamente dita) como religião, pois os conceitos verdadeiramente científicos são incompatíveis com os religiosos (por favor, leia meus últimos quatro artigos).
      5) As agressões aos ambientes natural e social, a escalada bélica, o individualismo, o egocentrismo, a ambição, o materialismo, o exercício do poder para controlar as pessoas, etc. não são problemas meramente científicos ou tecnológicos. São em sua essência questões políticas, filosóficas e éticas.

      Grato pela audiência.

    • Orlando Rios:

      Sr. Ali, por favor, modere meu comentario logo acima.

    • Danilo Balzaque:

      Realmente não compriendi o seu ponto, acredito que você esta confundindo a responsabilidade da ciencia com todo o resto da sociedade. A busca pelo conhecimento é fundamental para permitir nossa continua evolução e melhor entendimento dos problemas que enfrentamos, sem tal conhecimento os problemas não irão se resolver sosinhos.

      Você fala de ciencia como se a pratica da ciencia tivesse algo a ver com a aplicação de alguns de seus resultados. Tudo pode ser utilizado para piorar ou melhorar a vida de alguem, vai do homem e de sua sociedade tentar instruir e educar para que isso não ocorra.

  • Falcone Big:

    Olha, quanto ao exemplo 2- Pesquisa Eleitoral, no Brasil existe algumas ressalvas! rssss

  • Daaniel Caarlos Coelho:

    Há muito pela frente ainda, Karl Popper se mostrou “acordado”, ainda somos recém nascidos e devemos evoluir mais.

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