O app Uber das garotas de programa já existe

Por , em 11.08.2015

Até agora, aplicativos como Tinder têm aproveitado a fronteira entre namoro e encontros sexuais casuais. Outros, como o Grindr, são bem mais descarados. O que eles têm em comum é o sucesso, o que parece que um novo programa, uma espécie de app Uber da prostituição, tem tudo para alcançar.

No ano passado, a empresária alemã Pia Poppenreiter criou o Peppr, um aplicativo que conectava clientes a profissionais do sexo, no qual a pessoa enviava um pedido de reserva diretamente para a profissional. Em meio a um furor publicitário, principalmente na Alemanha, o Peppr rapidamente encontrou problemas com a mecânica pela qual funcionava. Se houvesse um espaço de algumas horas entre o envio do pedido e a resposta, era muito provável que o pedido fosse cancelado.

Além disso, as acompanhantes também não se sentiam confortáveis, afirmando que não queriam ser rotuladas e preferiam ter mais controle sobre seus perfis. Poppenreiter, então, matou o serviço e voltou à estaca zero, consultando as mulheres que trabalham na indústria para descobrir o que realmente poderia funcionar.

De cara nova

Agora, a empresária está lançando um novo conceito, rebatizado Ohlala, primeiramente em Berlim, mas que deve ser distribuído em inglês em breve. Embora seja um site responsivo por enquanto, deve se tornar um aplicativo nativo nas próximas semanas, de acordo com a aceitação. Ainda não há previsão de expansão para o Brasil.

A Ohlala é uma plataforma na qual as pessoas se conectam para marcar “encontros pagos” offline. Uma pessoa quer ser paga e outra quer pagar. É simples assim. “O que quer que essas duas pessoas queiram fazer – seja ter companhia em um jantar ou acabar na cama juntos – é um assunto privado e deve ser acordado no bate-papo antes do encontro”, diz Poppenreiter ao site TechCrunch. “Nós combinamos as pessoas para encontros pagos imediatamente. O app realmente resolve problemas neste mercado que sites de namoro e a maioria dos sites de acompanhantes não resolvem: nós alinhamos expectativas, de maneira imediata”.

Ela diz que isso resolve três obstáculos: reservas imediatas, privacidade (não existem perfis públicos) e segurança para ambas as partes.

Mais poder feminino

Um aspecto fundamental é que a velha tradição de mulheres serem “escolhidas” por homens é invertida e o poder de escolha é devolvido a elas.

O processo “tradicional” de reserva com uma acompanhante funciona assim: um cara envia uma solicitação de reserva para uma profissional e pergunta se ela tem tempo. Ela provavelmente não irá responder imediatamente. Ele ficará frustrado e vai cancelar. Com o Ohlala, as mulheres decidem para quem elas querem mostrar o seu perfil.

No Ohlala, o homem diz o que ele está procurando. Ele escolhe um preço por hora, duração, local e preferências pessoais e as envia para mulheres disponíveis por perto. Se elas acharem a proposta interessante, respondem ao seu pedido de reserva e, em seguida, conseguem conversar através da plataforma. Porém, isso só acontece se a mulher concordar explicitamente. Até este momento, o seu perfil é privado.

Fim das coincidências

É aí que terminam as semelhanças com o Uber, porque ele seleciona o condutor que está mais próximo e disponível. No novo app, as mulheres ainda podem se recusar a dizer que estão disponíveis, estando por perto ou não.

Além disso, o Ohlala planeja verificar cada perfil das acompanhantes com um telefonema curto para assegurar que eles representam as “pessoas certas”. Os perfis dos homens/clientes não serão verificados, mas os desenvolvedores garantem que vão gerenciar as inscrições para equilibrar oferta e demanda.

Nascimento do app

O Ohlala conseguiu um pequeno financiamento em junho, para o lançamento, mas irá captar mais recursos em breve. A equipe, com base em Berlim, é formada pela cofundadora e CEO Pia Poppenreiter e pelo cofundador Torsten Stüber e outros cinco membros. Poppenreiter é ex-banqueira de investimento, com um diploma em negócios e especialização em ética nos negócios. Stüber é ex-professor da TU Dresden e tem doutorado em aprendizagem automática.

Claramente, a empresária parece ter encontrado um nicho promissor. Se for bem sucedido, Ohlala poderia remover completamente os intermediários do negócio de acompanhantes femininas (mais ou menos o que aconteceu com o advento de aplicativos como 99Táxis e TáxiJá, que eliminam os insuportáveis telefonemas para as centrais). Obviamente, o app será controverso, mas mesmo que seja apenas ligeiramente bem sucedido, dará às mulheres que optam por aderir a essa indústria muito mais opções e poder do que elas têm atualmente.

Para conhecer o site (em alemão ou inglês), basta clicar aqui. [TechCrunch]

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