Paciente vegetativo é capaz de prestar atenção

Por , em 3.11.2013

Um paciente em estado aparentemente vegetativo, incapaz de se mover ou falar, mostrou sinais de consciência atenta que nunca haviam sido detectados antes.

Pesquisadores do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido, da Unidade de Ciências Cognitivas e Cerebrais, em conjunto com cientistas da Universidade de Cambridge, também do Reino Unido, descobriram que um paciente vegetativo era capaz de se concentrar em palavras que foram pedidas com tanto sucesso quanto pessoas saudáveis.

Se esta capacidade puder ser desenvolvida de forma consistente em pacientes vegetativos, pode abrir a porta para dispositivos especializados que possam ajudá-los a interagir com o mundo exterior no futuro. O estudo foi publicado na revista Neuroimage: Clinical.

A pesquisa

Os pesquisadores usaram eletroencefalografia (EEG), que mede de forma não invasiva a atividade elétrica do cérebro, para testar 21 pacientes diagnosticados como vegetativos ou minimamente conscientes, e 8 voluntários saudáveis.

Um estado vegetativo ou de consciência mínima pode deixar alguém sem função cognitiva superior. O trauma pode ser causado por um acidente de carro ou ataque cardíaco, por exemplo. Enquanto os pacientes podem ainda ser capazes de mover os olhos e membros, não podem fazer isso voluntariamente.

Os participantes ouviram uma série de palavras diferentes – uma palavra a cada segundo durante 90 segundos – enquanto foram avisados para contar o número de vezes que a palavra “sim” ou “não” aparecia durante o fluxo dessas outras palavras. Cada uma apareceu 15% do tempo. Isso foi repetido várias vezes ao longo de um período de 30 minutos, para detectar se os pacientes eram capazes de prestar atenção à palavra-alvo correta.

Os cientistas descobriram que um dos pacientes vegetativos foi capaz de filtrar informações irrelevantes e prestar atenção às palavras relevantes que deveria.

Utilizando imagens de seu cérebro, os pesquisadores também descobriram que esse paciente poderia seguir comandos simples para se imaginar jogando tênis.

Por fim, outros três pacientes minimamente conscientes reagiram a palavras novas, mas irrelevantes, embora tivessem sido incapazes de prestar atenção seletivamente à palavra-alvo.

Estes resultados sugerem que alguns pacientes em estado vegetativo ou de consciência mínima podem ser capazes de dirigir sua atenção para sons do mundo ao seu redor.

“Não só descobrimos que o paciente tem a capacidade de prestar atenção, como encontramos evidência independente de sua capacidade de seguir comandos – informações que podem permitir o desenvolvimento de uma tecnologia para ajudar pacientes em estado vegetativo a se comunicar com o mundo exterior”, disse o Dr. Srivas Chennu, da Universidade de Cambridge.

“Nossa atenção pode ser atraída por alguma coisa por sua estranheza ou novidade, ou podemos decidir conscientemente prestar atenção a ela. Estes resultados significam que, em certos casos de indivíduos vegetativos, podemos aumentar essas capacidades e melhorar o seu nível de comunicação com o mundo exterior”, concluiu o Dr. Tristan Bekinschtein, do Conselho de Pesquisa Médica. [MedicalXpress, NWN, BBC]

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3 comentários

  • Airon david Silva:

    Sempre achei esses pacientes, de alguma forma, tinham sim um pouco de consciência e poderiam ouvir e entender estímulos externos, muito em breve, esses estudos vão evoluir e assim teremos mais certeza de tudo isso.

  • Cesar Grossmann:

    Um pouco otimista, a conclusão. Um único paciente vegetativo reagiu de forma aparentemente voluntária, e três outros reagiram de forma aleatória.

    Acho que dá para inverter a conclusão: em 17 casos de 21, os pacientes que apresentam estado vegetativo ou minimamente consciente não apresentam reação alguma a estímulo.

    Na minha opinião é preciso estudar mais isto, e fazer diagnósticos caso-a-caso quando alguém aparenta estar em estado vegetativo. Na maioria dos casos está mesmo, mas pode ser que ele seja parte dos 5% que não estão (se esta pesquisa tem alguma relevância estatística).

  • JOTAGAR:

    Hardware danificado não significa que o software esteja corrompido.

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