Pássaros adúlteros acabam sendo traídos

Por , em 1.12.2011

Um novo estudo com pássaros do gênero Parus aponta que machos que saem dos ninhos para aventuras adúlteras talvez deixem um espaço para que a companheira também traia.

Enquanto os machos acabam adotando filhos dos amantes das fêmeas, eles também deixam seus “frutos” em outros ninhos. Na média, os infiéis acabam tendo o mesmo número de filhos do que os que ficam no ninho.

“Se um macho tem uma personalidade ousada, ele acaba tendo mais paternidade fora do que dentro do próprio ninho”, afirma a pesquisadora Samantha Patrick. “Já que o macho é ausente, a fêmea fica desprotegida”.

Esse gênero de pássaros é socialmente monogâmico, o que significa que ficam com um parceiro por toda a vida. Baseados em pesquisas anteriores, os pesquisadores sabiam que as espécies mais ousadas e aventureiras tendiam a trair os parceiros. Mas eles não tinham certeza se isso dava a chance das fêmeas também “pularem a cerca”.

Por três anos, os pesquisadores estudaram um grupo selvagem de Parus major, um pequeno pássaro comum na Europa e Ásia, com ninhos em caixas perto da Universidade de Oxford. Eles capturaram-nos e estudaram como eles reagiam a um ambiente de laboratório. Os pássaros “corajosos” eram mais aventurosos e inquisitivos no novo local, explorando os cantos e voando.

Os pesquisadores pegaram amostras do DNA dos pássaros, e depois os soltaram novamente. As amostras foram usadas para determinar quem era pai de quem, e como isso se relacionava com as infidelidades dos machos.

Cerca de 13% eram descendentes de “traições” dos machos, com cerca de metade dos ninhos abrigando filhos de “adultérios”. Os machos que tinham mais parceiras eram os mais suscetíveis a ter filhos de pares extras, mas também, já que passavam muito tempo fora de casa, as fêmeas tinham mais filhos de fora. No saldo final, o resultado era igual.

“Machos que eram corajosos, que exploravam rapidamente, eram muito menos fiéis à companheira, mas também tinham menos paternidade no ninho”, afirma Patrick. “O que foi revelado é que sua personalidade não previa quantos filhos você teria, mas sim a estratégia da companheira”.

O pesquisador do Instituto Holandês de Ecologia, Kees van Oers, afirma que o estudo é de grande valor, porque “o papel da personalidade nas decisões de relacionamento e a paternidade extra não são muito estudadas”.

Nem todos os machos ousados obtinham sucesso nas aventuras, conseguindo às vezes apenas uma fêmea, enquanto outros conseguiam quatro ou cinco. Os pesquisadores sugerem que os arredores podem influenciar o sucesso: se um dos ousados era cercado por outros tímidos, eles tinham mais chance de conseguir seu objetivo.

“Talvez seja um subproduto das suas personalidades, do nível de exploração. Pássaros mais corajosos talvez sejam mais ativos, encontrem mais fêmeas e tenham mais oportunidades”, comenta Patrick. “Os tímidos talvez explorem menos e encontrem menos pássaros, e daí sejam mais fiéis à parceira”.

As condições ambientais também podem dar uma ajuda a alguns pássaros, já que os ousados tendem a ir mais longe em busca por comida e serem mais dominantes nas questões territoriais. O resultado é mais sobrevivência – e consequentemente, uma melhor genética.[MSN]

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2 comentários

  • Ezio José:

    É interessante notar que a traição entre os pássaros só podem acontecer no período do acasalamento, antes de construirem os ninhos. Esse período, a maioria das espécies de aves, sempre mantem fidelidade entre os casais com rara excessões. Os felinos domesticados sõa mais propenso à atividade de traição. Pássaros já não é bem assim em sua maioria.
    Daquí à pouco aparecerão leitores defedendo a traição entre humanos em virtude da matéria publicada. Farão como fizeram sobre o comportamento gay entre os animais publicada recentemente neste site.

  • Diogo Vieira:

    Isso nos leva a saber que até em outras espécies existe traição por ambas das partes.

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