A monogamia na raça humana pode existir por um motivo menos nobre do que nós imaginávamos

Por , em 17.04.2016

Quando comparada com a dos nossos parentes mais próximos, como chimpanzés e gorilas, a estratégia de acasalamento humana é uma raridade. Na verdade, dentro de todo o reino animal, criaturas que praticam a monogamia são extremamente raras, o que levanta a questão de por que os humanos tornaram esta a norma social. Um novo estudo, publicado esta semana na revista Nature Communications, relata que isso pode não ter muito a ver com amor e lealdade, mas com sífilis e clamídia.

Quando antropólogos e biólogos observam nossa própria espécie, o Homo sapiens, muitos têm concluído que todas as evidências – desde o fato de que os machos de nossa espécie são, em média, maiores que as fêmeas até o fato que meninas atingem a maturidade sexual mais cedo do que os rapazes – parecem apontar para que nosso sistema de acasalamento natural deveria ser poligâmico, com um macho tendo relações com muitas fêmeas. Então, por que vemos a monogamia ser socialmente imposta através de uma multiplicidade de culturas diferentes?

Unidos pelas DSTs

Os pesquisadores do novo estudo sugerem que tudo poderia estar relacionado com o impacto das doenças sexualmente transmissíveis, juntamente com a pressão dos colegas, conforme comunidades maiores de pessoas se estabeleceram em um só lugar durante o advento da agricultura. Usando modelos de computador, os pesquisadores fizeram simulações de diferentes comportamentos de acasalamento, e depois avaliaram o quão bem se saíram quando infecções sexuais bacterianas, como a clamídia, a sífilis e a gonorreia foram introduzidas. Além disso, eles, em seguida, acrescentaram uma outra dimensão da pressão da sociedade.

“Esta pesquisa mostra como os eventos em sistemas naturais, tais como a propagação de doenças contagiosas, podem influenciar fortemente o desenvolvimento de normas sociais e, em particular, os nossos juízos orientados para o grupo”, explica Chris Bauch, da Universidade de Waterloo, no Canadá, coautor do estudo. “Nossa pesquisa mostra como os modelos matemáticos não são utilizadas apenas para prever o futuro, mas também para compreender o passado”.

Eles descobriram que em comunidades poligâmicas menores, que é o que muitos pensam que os primeiros caçadores-coletores formaram, os surtos de DSTs foram rapidamente resolvidos. Isso significava que eles produziram mais descendentes do que aqueles que formaram relacionamentos monogâmicos.

Mas os pesquisadores então descobriram que houve uma mudança quando as comunidades cresceram em tamanho. Neste momento, eles descobriram que as DSTs se tornavam endêmicas se a sociedade era em grande parte poligâmica, reduzindo a fertilidade do macho e, portanto, tornando aqueles que ficaram monogâmicos mais bem sucedidos. Quando inclui-se na equação o fato dos casais monogâmicos punirem os poligâmicos, ficar apenas com um parceiro se tornou a melhor estratégia.

Outra versão

Apesar disso, ainda existem aqueles que não compram a ideia de que nós, como espécie, somos naturalmente polígamos. Ao olhar para as poucas sociedades sobreviventes de caçadores-coletores restantes, que são frequentemente utilizadas pelos antropólogos como uma janela para o nosso passado, a monogamia é realmente mais comum do que se poderia esperar.

Há também o fato de que, em uma espécie em que a proporção entre os sexos é de aproximadamente 50/50 como a nossa, a poligamia criaria um monte de machos não reprodutores que poderiam se tornar socialmente disruptivos. A poliginia também é desfavorável às mulheres em tais sociedades, que não só tendem a ter menos filhos conforme competem com outras mulheres, mas também enfrentam uma ameaça crescente de infanticídio por parte dos machos.

Sem contar o fato de que essa poligamia unilateral, na qual só os homens teriam várias parceiras e as mulheres não, adicionaria um pouquinho mais de injustiça na nossa sociedade para o sexo feminino, no final das contas. [IFLS]

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8 comentários

  • Patinho:

    É um estudo “non sense”…. DSTs induzem a monogamia !!!! E os milhares de exemples de bandos, manadas e matilhas de animais poligâmicos ?!

    • Cesar Grossmann:

      Está falando daqueles que só tem sexo uma vez por ano, na estação da reprodução?

  • Israel Filósofo:

    Achei o estudo interessante, em partes. Mas está incompleto pelo fato de não ter sido incluído a poliandria como dado possível. Vide Engels.

    • Cesar Grossmann:

      Acho que só tem um lugar no mundo onde é praticada a poliandria até hoje…

  • João Carlos Agostini:

    As sociedades “atuais” de caçadores-coletores já são social e tecnologicamente muito distantes daquelas do passado remoto poligâmico.

    • Francisco Carlos Lacerda:

      Na verdade, elas perceberam que era mais vantajoso ligarem-se com exclusividade ao seu provedor. E eles já não davam conta do recado.

  • Marvel:

    Porque poligamia e crime, dã.

    • Cesar Grossmann:

      É crime agora, mas antes mesmo de existir uma lei definindo a poligamia como crime, já havia o costume da monogamia. E onde a poligamia não é crime, ainda assim tem casais monogâmicos.

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