Porque alguns animais possuem dois pênis e os humanos apenas um?

Por , em 7.11.2014

Cientistas de Harvard resolveram um dos maiores mistérios da biologia evolutiva: como o pênis se desenvolve, e por que animais como cobras e lagartos têm dois, enquanto os mamíferos e os pássaros têm que se contentar com apenas um.

A pesquisa revela que, em répteis, o pênis cresce a partir de tecidos que se tornarão suas patas traseiras (ou vestígios de membros traseiros, no caso das cobras), assim dois pênis se formam. Em mamíferos e aves, o pênis vem de um tecido que acabará por se tornar uma cauda, portanto, apenas um se forma.

A evolução

Quando os vertebrados saíram do mar e chegaram à terra firme, essa transição desencadeou a evolução dos órgãos sexuais. No oceano, animais marinhos só precisam lançar seu esperma e ovos na água para criar a prole. Mamíferos terrestres, por outro lado, precisam de genitália externa para que a reprodução ocorra dentro do corpo da fêmea. Isto permite que o esperma nade para o óvulo sem que os gametas sequem.

Mas nem todos os vertebrados desenvolveram órgãos genitais externos da mesma forma – os escamados (cobras e lagartos) evoluíram dois pênis, mesmo que só usem um durante o acasalamento, enquanto amniotas (aves e mamíferos) evoluíram apenas um (mas que pode variar em muitas formas e tamanhos).

O estudo

Agora, pesquisadores da Universidade Harvard (EUA) descobriram exatamente quais redes de genes regulam e controlam a ativação do desenvolvimento da genitália em ratos, lagartos, aves e serpentes, e usaram marcadores genéticos para rastrear as células que acabariam por se tornar o pênis.

Os resultados revelaram que, em cobras e lagartos, o pênis surge a partir do mesmo tecido que forma as patas traseiras do réptil. Em ratos, o pênis é construído a partir de tecido da cauda.

Os cientistas também descobriram que, em todas as espécies, a cloaca parecia ser a responsável por este desenvolvimento, e era a posição dela no corpo que determinava se o pênis se formaria a partir de tecido da perna e se transformaria em dois, ou da cauda e se tornaria apenas um.

A cloaca é uma cavidade no final do trato digestivo que serve como “fim” dos sistemas digestivo, urinário e reprodutivo nos animais. Durante o desenvolvimento, ela envia sinais moleculares que recrutam o tecido circundante a se transformar em um pênis. Mas a sua localização varia drasticamente em todos os animais, daí a variação que vemos na formação dos pênis.

“Embora mamíferos e répteis tenham genitália diferente, derivada a partir de tecido diferente, eles partilham uma ‘homologia profunda’ na medida em que essa genitália vem do mesmo programa genético e é induzida pelo mesmo conjunto de sinais moleculares ancestrais”, disse Clifford Tabin, biólogo e coautor do estudo.

O próximo passo da equipe será descobrir por que o tecido da cloaca é posicionado de forma diferente em répteis e amniotas. Os cientistas esperam que isso os ajude a entender melhor o que está acontecendo em malformações genéticas humanas, e também a compreender melhor como a genitália feminina, em especial o clitóris, se forma. [ScienceAlert]

Vote: 1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars

1 comentário

Deixe seu comentário!