Porque ter nojo pode ser bom

Por , em 6.11.2011

A cara de nojo que fazemos é universal. Podemos imaginar a face contorcida que comunica um sentimento de repulsa e nojo. Aranhas, criaturas gosmentas e muco podem provocar isso. A reação geralmente é se distanciar da causa.

Como resultado, sensações de nojo nos ajudam a evitar, ou pelo menos reconhecer, aquilo que nos faz sentir assim – e por uma boa razão, dizem os psicólogos.

Quando se trata de doenças infecciosas, o nojo surgiu para nos ajudar a manter distância de doentes, água suja, vômito, fluídos corporais e tudo que nos faz dizer “eca”.

Em um artigo, o Dr. Val Curtis argumenta que evitar o que nos dá nojo é essencial para prevenir a transmissão de todas as grandes doenças infecciosas.

Diarreia, infecções respiratórias, malária, sarampo, HIV, tuberculose e vermes parasitas podem ser evitados se pensarmos em aspectos de higiene, comenta Curtis.

Lavar as mãos e a comida pode prevenir doenças como cólera e hepatite A, evitar o sexo com outros que estão infectados ajuda a prevenir a transmissão do HIV, enquanto manter distância de pessoas com gripe ou sarampo é um movimento a mais para reduzir o risco.

“A ideia de entrar em contato ou consumir substâncias como saliva, fezes ou vômito, ou de contato íntimo com aqueles que sabemos estarem doentes é muito desconfortável, até mesmo de presenciar”, escreve Curtis. “A limitação desse comportamento é tão automática e intuitiva que é frequentemente ignorada como a principal defesa contra doenças”.

Conheça os maiores traços de doenças infecciosas que provocam aversão:

  • Aids – fluídos sexuais e corporais
  • Diarreia – fezes, água e comida contaminada, vômito
  • Hepatite – fezes, água e comida contaminada, vômito
  • Lepra – lesões na pele, muco nasal
  • Sarampo – feridas, secreções nasais e da garganta
  • Peste – feridas, pessoas contaminadas, ratos, moscas
  • Raiva – saliva, animais infectados, cachorros, morcegos
  • Sífilis – feridas, lesões de pele (principalmente nos órgãos genitais), insanidade
  • Tuberculose – muco nasal, saliva, pouca ventilação

Algo simples como lavar as mãos com sabão poderia salvar um milhão de vidas anualmente, pois assim a transmissão seria impedida.

O sentimento de nojo é frequentemente usado em campanhas públicas e saúde. Um panfleto do governo inglês, na época da gripe influenza, em 2009, mostrava um homem espirrando diretamente no leitor. O propósito era encorajar uma higiene melhor, e o aumento no uso de lenços.

A campanha com mais sucesso da Fundação Cardíaca Britânica mostrava cigarros pingando gordura. Era sobre o impacto do fumo nas artérias. Um estudo recente mostra que quanto mais aversão essa figura despertou, com mais força a pessoa tentou parar de fumar.

Mas, ao mesmo tempo em que o nojo pode nos ajudar, ele também pode levar a ansiedade e comportamento obsessivo.

Graham Davey, professor de psicologia da Universidade de Sussex, diz que a aversão não é uma emoção inata. “Nós só desenvolvemos nojo aos dois ou três anos. Bebês enfiam tudo na boca, e só aprendem o que é ruim ao ver a expressão de nojo ou negação da mãe”.

Nojo também pode cegar, e fazer agir irracionalmente, principalmente quando se trata de fobias de animais pequenos.

Fobias de aranhas são muito comuns, mesmo na Inglaterra, onde elas não são perigosas. Mas, assim como roedores e insetos, todos despertam sensações de nojo, e são causas comuns de fobias. “As pessoas tendem a ter fobias de animais que não são necessariamente perigosos”, diz Davey.

“É diferente do medo. É basicamente uma aversão a animais ou objetos que acabam sendo veículos de doenças”, comenta. “Mas a aranha é completamente inocente. Tem uma conexão histórica com o nojo, e as pessoas imaginam que elas têm mordidas venenosas, apesar de raramente possuírem”.

Há evidência também de que o nojo esteja envolvido em muitos casos de doença mental, incluindo problemas alimentares, disfunções sexuais, claustrofobia e psicose.

O professor Davey diz: “Algumas pessoas tem alta sensitividade a aversões, e isso pode evoluir até uma complicação de ansiedade. E isso invade cada parte da vida de uma pessoa, geralmente o trabalho e relacionamentos”.

Stephen Fry, que se declarou celibatário no passado, é citado no artigo de Curtis, descrevendo como o nojo se tornou um dos motivos para abster-se de sexo. “Eu seria grato ao homem que me explicasse o que há de interessante naqueles lugares úmidos, escuros, mal cheirosos e peludos do corpo, que constituem os pratos do homem no amor”.[BBC, foto de Alan Shapiro]

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15 comentários

  • Gyver:

    Eu tenho um sentido de contaminação bastante desenvolvido. Tenho nojo de beijar raparigas que sei que já tiveram o pirilau de outros homens na boca, e durante o sexo começo a pensar quantos já estiveram nesta vagina antes do meu!

    • Tijolo:

      Lavada com sabonete antibacteriano e depois com desodorante vaginal…
      Tudo novo em 2012.

    • Apeliadada:

      Deveria casar comigo então srsrs, confesso que nunca conheci alguém que penssasse como você. Pessoal faz propaganda de sexo e os homens vivem buscando isso, nem se lembram desse pequeno detalhe.

  • Mario:

    antes morrer infeliz do que com aids.

  • Mario:

    talvez tenha beijado sem saber, se soubesse nunca beijaria é uma questão de precaução como diz o texto acima, todos nos temos o direito de gostar do que quisermos não do que a sociedade diz, não se trata de preconceito, não sei nem o que é isso.

  • Mario:

    eu não beijaria uma pessoa com aids, outro dia ví um sujeitinho falando que esta se sentindo bem por estar com aids. morra bem.

    • Brasileiro:

      Mário talvez vc já tenha beijado alguém com HIV/AIDS, o que não deve fazer é confundir nojo com preconceito. Se vc tiver nojo secreção não terá ninguém nunca, morrerá sozinho e infeliz.

  • Ezio José:

    Aonde a boca vai é muito relativo. Nojo de cabelo na comida e nojo de comida nos cabelos.

  • Eca!:

    Tenho nojo, muito nojo de espirros, ônibus,minhoca, IMBUÁ(CENTOPÉIA) pode ser frescura mas sinseramete se vc ficar pensando nas coisas como elas são realmente, eu teria nojo de muitas coisas mas evito e tento agir racionalmete ris…mais não tenho nojo de pegar um gato ou um cachorro na rua.]

    Os nojos e medos são concequencias de como vc foi criado!

  • 666 ¬¬:

    Mas é claro que o medo e o nojo são defesa, num é só pra enfeitar a vida não.

  • DEMOLIDOR ALVIVERDE:

    eu tenho nojo de tudo que me soa estranho nem chego perto vai saber

  • Baltazar:

    Mais que nojo o espirro dessa japa!

  • A mosca ou o Lobisomem:

    Acredito que o medo e não o nojo seja realmente um mecanismo de defesa muito forte e importante para a manutenção da sobrevivência da nossa espécie. O nojo não é universal, é socialmente construído, e bem particular. Acho que deveríamos pensarmos até mais sobre esta “palavrinha” muito bem, pois, foi ela que ( sem exagero!) dizimou pessoas e cultivou enormes preconceitos, – e no seu maior dano, não nos esquecemos dos campos de concentração que retratou o tão conhecido “nojo étnico, ” onde milhares de crianças morreram por isto. O problema é que quando o nojo deixa de ser referente apenas animais, insetos ou objetos e transfere o seu valor a uma pessoa ou a um grupo, acontecem tragédias irreparáveis. Então gente vamos ter cuidado com essa “palavrinha” : nojo.

  • Alter ego: Lógica:

    Se for por isso é melhor ser covarde do que corajoso.

    • Hugo:

      Melhor ainda é ser inteligente e agir racionalmente…

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