Professora cai no sono toda vez que se enfurece com os alunos

Por , em 28.10.2012

Na sala de aula, Jane Barlow precisa tomar cuidado para não perder a paciência com a turma, pois corre o risco de desmaiar por causa da irritação. Sustos e até mesmo piadas podem fazê-la perder a consciência.

Jane sofre com um efeito colateral da narcolepsia (condição neurológica que pode deixar a pessoa constantemente sonolenta) chamado cataplexia, despertado por emoções repentinas – mesmo positivas, como o riso depois de uma boa piada. Se não tomar cuidado, ela pode simplesmente desmaiar.

Apesar das dificuldades, Jane aprendeu a “domar” a doença e não deixar que ela atrapalhe seu trabalho como professora em uma escola de Newcastle-under-Lyme (Inglaterra).

“Se eu me concentrar em outra coisa, posso impedir o desmaio”, explica. “Todos os meus amigos sabem sobre a minha condição e podem me avisar quando vão contar uma piada, para que eu possa me concentrar em outra coisa”.

Os sintomas da narcolepsia começaram a aparecer ainda na adolescência, mas Jane só descobriu que tinha a doença depois de fazer uma pesquisa por conta própria, aos 19 anos. O cansaço anormal (equivalente, em alguns casos, a ficar 72 horas sem dormir) e as noites de sono perturbadas (a pessoa muitas vezes acorda assustada, por causa de alucinações) atrapalhavam a sua concentração. Muitos achavam que Jane não conseguiria se sair bem nos estudos ou iniciar uma carreira.

“Fico feliz por não ter deixado isso me impedir e ter mostrado que eles estavam errados”, conta. Além de trabalhar como professora, ela dá conselhos a pais de crianças com narcolepsia sobre como lidar com a doença.

Seu marido, Carl, assume muitas tarefas do lar, em especial quanto aos cuidados com o filho, Thomas, de três anos. “Eu tenho de ir para a cama entre 19h30 e 20h30 porque a narcolepsia me faz ter sono perturbado, e tem dias em que eu acordo 30 vezes na mesma noite”, explica Jane. “É difícil ver que nos fins de semana, enquanto outras mães estão brincando com seus filhos, eu estou dormindo”.

No trabalho, ela precisa suprimir suas emoções para evitar o desmaio. “Em casa eu tento não fazer isso, já que as coisas podem ficar deprimentes se você nunca rir ou expressar seus sentimentos”. Além de suas técnicas de controle, Jane toma medicamentos para levar uma vida tão normal quanto puder.

De acordo com John Cherry, diretor executivo da entidade Narcolepsy UK, foi somente nas duas últimas décadas que médicos começaram a compreender melhor o que é a narcolepsia. “Embora não tenha uma cura, diversas medicações, combinadas com boas técnicas de sono, podem trazer um grande alívio a pessoas com narcolepsia”, ressalta. E, como ocorre com outras doenças, quanto mais cedo for feito o diagnóstico (e o controle), melhor.[Daily Mail UK]

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