Professores que destacam diferenças entre os sexos causam mais estereótipos

Por , em 18.11.2010

Segundo uma nova pesquisa, quando os professores pré-escolares chamam a atenção ao sexo da criança de qualquer forma, elas conseguem perceber e distinguir. Nas salas de aula onde meninos e meninas sentam separadamente, ou então se os professores dizem coisas como “Bom dia meninos e meninas”, as crianças expressam mais estereótipos sobre sexo e até mesmo discriminam quando decidem com quem brincar, por exemplo.

Os pesquisadores compararam 57 crianças pré-escolares, metade das quais estava em salas de aula onde os professores se abstiveram de fazer divisões por sexo, e metade estava em salas de aula nas quais os professores foram convidados a usar linguagem de gênero e destacar as duas categorias. Por exemplo, havia dois quadros de avisos diferentes, um para meninos e outro para as meninas. Mesmo nessas salas de aula, porém, os professores não pronunciaram estereótipos sobre as diferenças entre meninos ou meninas, e nunca fizeram os dois sexos competirem diretamente ou compararem-se.

Porém, as crianças das salas de aula mais separadas expressaram menos interesse em brincar com crianças de outro sexo. Essa conclusão não veio apenas de pesquisas, mas também da observação das crianças, que até mesmo no seu tempo livre escolheram brincar com colegas do mesmo sexo. Houve uma queda significativa na quantidade de tempo que as crianças nessas salas de aula foram vistas brincando com crianças de outro sexo.

Os resultados mostraram que 37% das crianças cujos professores não falam sobre diferenças de sexo optaram por brincar com um grupo que incluía crianças de outro sexo, enquanto nas salas de aula nas quais os professores destacaram os gêneros apenas 13% optaram por brincar em grupos mistos.

Segundo os pesquisadores, somente o fato de chamar a atenção para o gênero fez com que as crianças concordassem mais com estereótipos. Por exemplo, a ideia de que só as meninas devem brincar com bonecas, ou se tornarem dançarinas, e de que só os meninos devem usar ferramentas ou tornarem-se bombeiros.

Pesquisas anteriores já haviam concluído que o sexo afeta esses estereótipos fortemente, ou seja, no que as crianças pensam que são boas e quais as profissões que elas imaginam para si. Os pesquisadores alertam que, visto que somente a organização presente em sala de aula já afeta os estereótipos, é provável que haja alguns impactos a longo prazo, como as escolhas de educação e emprego.

Além disso, uma vez que as crianças tendem a aprender a se comportar como “garoto” ou como “menina”, a menos que as crianças brinquem com colegas de outro sexo, mais diferenças de gênero tendem a se exagerar e mais os grupos se segregarão. A pesquisa apóia a ideia de que as aulas mistas são provavelmente melhores para as crianças, pelo menos a longo prazo, do que as escolas só para meninos ou meninas, que poderiam perpetuar estereótipos.

Segundo os pesquisadores, os professores também devem estar cientes de como a linguagem que eles usam afeta as crianças. Uma das implicações do estudo é que a estrutura da sala de aula importa, ou seja, eles acreditam que faça mais sentido usar “criança” ou “amigo” do que “meninos” e “meninas”.

Os pesquisadores afirmam que muitas pessoas podem não estar cientes de que a linguagem de gênero pode ser prejudicial, mas os efeitos podem ser similares aos resultados prejudiciais causados pela segregação de crianças com base na raça. Por exemplo, os professores nunca diriam “Bom dia crianças negras e crianças brancas”, ou faria com que os brancos e negros se sentassem separadamente. O mesmo vale para o sexo. [LiveScience]

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4 comentários

  • da silva antonio marcus:

    é por isso que está aumentando os homosexuais, homem criado só com mulher tem mais tendencia de se comportar como mulher, e as mulheresa tao sentindo que ta faltando homem de verdade no mundo, nao é preconceito “como iria dizer os homos”, essa é a realidade que estamos vendo aí.

  • Manuel Bravo:

    Concordo plenamente com o artigo no tocante a
    não separação, porque afinal, frases como: “cozinhar
    é coisa de mulher e jogar futebol é coisa de homem”
    e outros tabus, ja era!!!

  • vielmond:

    A igualdade não existe. É justamente a desigualdade que forma a sociedade. Como bem expressa Gabriel Zambon, cotas só podem aumentar o racismo sob qualquer forma que sejá .
    No Brasil existe até um tipo de racismo “geográfico” (no sul em particular) que consiste a discriminar individuos de outros estados !
    Volto a lembrar os chineses ” Pouco importa a cor do gato, quero saber se apanha ratos”.

  • Gabriel Zambon:

    É interessante que o texto deixa claro que só o fato dividir as crianças em 2 grupos, sem destacar qualidades ou defeitos já reforça os estereótipos, e ao final ele comenta sobre segregação com base na raça.

    Acredito que só a definição de raças já cria o racismo, sou contra a comemoração do Dia da Consciência Negra, do sistema de cotas raciais e de qualquer coisa que ressalte essa diferença.

    Acredito que uma pessoa que defenda o sistema de cotas raciais está só colaborando para o aumento do racismo, não sou a favor de nenhum sistema de cotas, mas se for para ele existir que o critério seja renda familiar, pois isso sim é motivo para uma pessoa necessitar de auxilio.

    Justificar a cota racial com bases históricas ou em dividas sociais é só uma forma de perpetuar o racismo.

    Segundo a lei, segundo a biologia e segundo a Deus somos todos iguais e se devemos lutar por algum direito é o direito de sermos tratados como iguais.

    E se alguma disser o contrário, esse sim, é racista.

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