“Propensão a estuprar” pode ser considerada doença mental

Por , em 17.05.2011

Em fevereiro de 2010, o “transtorno parafílico coercitivo” (PCD, na sigla em inglês) foi proposto para inclusão na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, com publicação prevista para 2013.

Isso significaria que uma “propensão” a cometer estupro seria considerada doença mental. Mas será que é mesmo? Isso existe? Muito debate tem girado em torno da questão, mas parece que não vai ser dessa vez que tal “transtorno” vai entrar para o manual de diagnóstico da psiquiatria.

Um grupo de especialistas, convocado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA), argumentou que o PCD não é a mesma coisa que “sadismo sexual”.

Segundo eles, o transtorno se aplica a homens que vivenciam intensas fantasias ou impulsos que envolvem coerção sexual ao longo de um período de pelo menos seis meses, e isso lhes causa sofrimento significativo ou deficiência, ou ainda os leva a forçar sexo não consensual com três ou mais pessoas em ocasiões separadas. Já os críticos não concordam que o PCD é um distúrbio mental diferente.

O debate tornou-se altamente acirrado, porque muitos estados dos EUA têm leis que permitem que criminosos sexuais que cumpriram penas de prisão sejam detidos indefinidamente em um hospital, se forem considerados “predadores sexuais perigosos”.

Agora, uma decisão da Suprema Corte dos EUA afirma que isso só pode ser feito se esses “predadores sexuais” tiverem um transtorno mental que os torna mais propensos a cometer atos de violência sexual.

Atualmente, muitos dos detidos sob estas leis têm um diagnóstico vago de “parafilia” (padrão de comportamento sexual, por vezes considerado perverso ou anormal), não especificados, sob contestação jurídica.

O site do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais diz que o PCD está sendo considerado para inclusão no seu apêndice – destinado a condições que precisam de mais investigação -, ao invés de como um novo diagnóstico.[NewScientist]

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9 comentários

  • Mauricio Cambraia Sanches:

    Acho que precisa sim ter vários parafusos a menos na cabeça para ter uma ereção diante de uma mulher gritando desesperada.

  • Navathumini:

    e aonde o DSK se enquadra neste artigo??????

  • Mario:

    caminhanos para tempos no qual tudo que é degradante será legalizado pelos políticos inconsequentes, e já começou em brasilia.

  • luciana:

    Sou mais da opinião daquêle pai, que ao vêr o avô estrupando a filhinha de 3 anos, cortou-lhe uma das mãos, jogou ácido nos genitais, e ateou-lhe fogo.

  • cicero:

    Não acredito neste papo furado que estuprador é doente, este argumento já esta virando moda nos tribunais para livrar a cara destes safados, por mim queria que fossem executados ou servissem de cobaias de medicamentos ou banco vivo de orgãos e sangue se tivessem saúde é claro. Me perdoem os mais sensíveis mas eu me coloco do lado da vítima principalmente se for criança, quem sofreu nas mão de um amaldiçoado destes sofre uma mágoa incurável durante toda a sua vida. Melhor seria se pudéssemos eliminar tais criaturas de nosso meio e Direitos Humanos na minha opinião é para Humanos Direitos.

    • Filipe Mondego:

      Vingança vs Justiça

  • Lena:

    Todo e qualquer estudo comportamental científico é bem-vindo.

    Eu, sessentona, só vim a saber da existência do estrupo, como ocorre hoje, a partir da década de 1960 e ainda de maneira bem velada pela imprensa.

    Sabemos que grande parte dos estrupadores foram vítimas de violência sexual na infância ou adolescência.
    Mas sabemos, também, que os meios de comunicação (cinema e novelas) têm dado sua contribuição para incentivar o estrupo.

    O garçon do buteco que frequento contou-me que seu filho de 8 anos, brigou com uma garotinha de 6 anos e ameaçou que iria estrupá-la. A menina não quer ir mais à escola.

    Quem viu o filme Lipstick (1976) com Margaux Hemingway exibido no Brasil como “A Violentada”, pode verificar que o que motivou o estrupo da modelo, foi sua sensualidade exposta num outdoor de propaganda de baton.
    O cara foi julgado inocente e ela… (Não vou contar o final, pois se você resolver assistir, perderá o impacto)
    O filme questiona a justiça e o machismo.

    Lena

  • manuel leite:

    Que é um distúrbio mental, é e ninguém pode dizer o contrario, se o fizer estará a mentir. mas contudo o facto de ter propensão genética para cometer um crime isso não significa que o irá fazer. Acho que seria bom se conseguíssemos identificar os potenciais abusadores, contudo iria contra os direitos humanos obrigar tais pessoas a fazer tratamento psicológico, sem sequer mostrarem os sintomas da doença….
    seja como for espero que descubram uma forma de se poder identificar um potencial violador e evitar que este cometa tais crimes…..

  • anderea:

    daria para diagnosticar uma doença mental a todos nossos atos

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