Uma falha comum nos relacionamentos da qual ninguém quer falar

Por , em 18.02.2020

Quando se trata de relacionamentos, procurar aquela pessoa que você acha ser tudo o que você merece talvez não seja o melhor caminho.

Não estamos falando para você se contentar com o primeiro que apareça em sua frente; no entanto, se a psicologia tem algo a nos ensinar é que o “viés da negatividade” pode atrapalhar – e muito – o que seria um relacionamento basicamente ideal.

Veja o que Gary W. Lewandowski Jr., professor de psicologia da Universidade de Monmouth (EUA), tem a compartilhar sobre isso.

Viés da negatividade     

Pesquisas científicas sugerem que um problema comum nos relacionamentos é o “viés da negatividade”, ou a tendência das pessoas em enfatizar as qualidades negativas de um parceiro, diminuindo suas características positivas.

Em outras palavras, você pode desvalorizar um relacionamento ao constantemente identificar e reparar nas suas imperfeições, muitas vezes criando questões onde elas não existem. Se tudo está indo bem, você não nota. Se algo, ainda que pequeno, acontece, isso captura toda a sua atenção.

Estudos descobriram que essa tendência negativa é tão pronunciada que até mesmo quando um relacionamento não possui grandes problemas as pessoas tratam de encontrar um, ao inflar uma questão menor.

E por que isso é prejudicial? Bom, inconvenientes ocorrem em todos os relacionamentos. Sim, a pessoa amada provavelmente vai fazer um comentário chato de vez em quando, ou largar uma toalha em cima da cama e, enquanto tudo isso é irritante, também pode te fazer esquecer as coisas boas que vocês têm juntos.

Não procure demais, não queira mais do que o bom demais

Hoje em dia, as pessoas se tornaram mais exigentes no que diz respeito a com quem se relacionam. Isso é normal e até desejável – não somos mais obrigados a casar com quem não queremos, muito menos aguentar um marido ou esposa abusivos por não podermos nos separar, felizmente. No entanto, tais expectativas altas também podem rapidamente se tornar irreais.

Por um lado, parece interessante ser o tipo de pessoa que não se contenta com menos do que merece e que demanda apenas o melhor, sempre. Esse tipo de personalidade é chamado de “maximizadora”, sendo o seu contrário a personalidade “satisfeita”.

Enquanto os maximizadores só aceitam o que consideram ideal, os satisfeitos (como o nome sugere) se satisfazem com qualquer coisa que ultrapasse um limite mínimo de qualidade ou aceitabilidade. O famoso “bom o suficiente”.

Maximizadores são pessoas que costumam esgotar todas as suas opções antes de tomar uma decisão, a fim de garantir o parceiro “impecável”. Só que existem diversas desvantagens envolvidas com essa personalidade.

Por exemplo, estudos descobriram que os maximizadores sentem mais arrependimento, são mais propensos a depressão e se sentem mais ameaçados por outras pessoas que eles pensam estar se saindo melhor na vida. Além disso, possuem mais baixa autoestima e menos otimismo e sentem menos felicidade e satisfação.

No geral, são pessoas que preferem tomar decisões reversíveis, o que para relacionamentos é algo péssimo. Para ter uma boa relação, é preferível um “até que a morte nos separe” do que um “até eu encontrar alguém melhor”, não é mesmo?

Conclusão: a busca contínua por perfeição pode entravar a vida das pessoas. E, enquanto pode não ser tão ruim na hora de comprar um carro, no que se trata de relacionamentos pode fazer com que você não enxergue a excelente relação que possui, confundindo-a com algo muito pior do que realmente é.

Como saber se o seu relacionamento é bom?

Será que você possui um bom relacionamento e está procurando pelo em ovo, ou será que é hora de partir para a próxima? A ciência pode te ajudar a colocar as coisas em perspectiva.

O segredo é separar questões menores de problemas reais. O que você REALMENTE não pode suportar em um parceiro? Uma pesquisa realizada com 5.000 americanos entre 21 e 76 anos identificou os dez maiores motivos para se terminar um relacionamento:

  • Aparência desgrenhada;
  • Preguiça;
  • Carência em excesso;
  • Falta de senso de humor;
  • Morar a mais de três horas de distância;
  • Sexo ruim;
  • Falta de autoconfiança;
  • Assistir muita TV/jogar muito videogame;
  • Baixo desejo sexual;
  • Teimosia.

Faça a sua lista e reflita sobre o que você não quer. Logicamente, você não deve aceitar um parceiro que não te respeite, que grite com você ou te machuque de qualquer forma. Você também pode não desejar uma pessoa teimosa ou carente demais.

Para além dessa lista, no entanto, alguns aborrecimentos devem ser tolerados – caso contrário, o fato de que seu parceiro dobra o lençol de um jeito que você não gosta pode ofuscar o fato de que ele é engraçado, companheiro e fiel.

O que é desejável em um parceiro?

Um estudo de acompanhamento também perguntou aos participantes quais eram as características que eles mais desejavam em um parceiro romântico.

Infelizmente, os cientistas descobriram que os defeitos tinham mais peso do que as qualidades na hora de determinar a viabilidade de um relacionamento – novamente, o problema é nosso viés de negatividade -, o que os levou a concluir que as pessoas podem estar negligenciando as coisas boas em suas relações.

Será que você dá crédito suficiente a seu parceiro, ou só repara no que você não gosta nele?

Confira abaixo uma lista de características que homens e mulheres valorizam em um parceiro, de acordo com um estudo que envolveu 300 pessoas heterossexuais:

Mulheres:

  1. Carinhoso;         
  2. Confiável;
  3. Justo;
  4. Inteligente;
  5. Conhecedor;
  6. Fiel;
  7. Seguro;
  8. Trabalhador;
  9. Emocionalmente estável;
  10. Espontâneo;
  11. Perceptivo;
  12. Leniente;
  13. Consciente;
  14. Energético;
  15. Generoso;
  16. Sociável;
  17. Curioso;
  18. Organizado;
  19. Flexível;
  20. Relaxado ou tranquilo.

Homens:

  1. Confiável;
  2. Carinhosa;
  3. Justa;
  4. Inteligente;
  5. Conhecedora;
  6. Consciente;
  7. Fiel;
  8. Trabalhadora;
  9. Segura;
  10. Espontânea;
  11. Emocionalmente estável;
  12. Perceptiva;
  13. Calma;
  14. Energética;
  15. Prática;
  16. Curiosa;
  17. Sociável;
  18. Criativa;
  19. Organizada;
  20. Relaxada ou tranquila.

Pense nessas qualidades; elas se alinham com o que você valoriza, também? Seu parceiro as possui? Será que você tem deixado de ver que ele é carinhoso, inteligente, organizado, trabalhador, seguro, relaxado?

Em resumo, talvez seja hora de ser menos crítico com seu relacionamento e, ao invés disso, olhar com mais gentileza para a pessoa com quem você está. Você pode se dar conta de que há muitas mais razões para continuar do que para terminar essa relação.

E o contrário?

Ok, só ver as coisas ruins do seu parceiro não é bom para os seus relacionamentos. Mas o que a psicologia tem a dizer sobre o contrário, ou seja, ver qualidades demais (às vezes exageradas) em um parceiro romântico?

De acordo com Lewandowski, não é tão ruim assim. Na verdade, alguns estudos sugerem que você deveria dar mais crédito ao seu parceiro do que ele merece.

Isso se chama “ilusão positiva” e pode diminuir os conflitos enquanto aumenta a satisfação, o amor e a confiança em um relacionamento.

Embora você não esteja sendo realista tanto quanto otimista, se convencer dos valores de seu parceiro reflete bem nele e em você.

Isso pode fazer com que ambos se sintam bem (ele por ser apreciado, você por estar com uma pessoa tão legal), além de levar a profecias autorrealizáveis – ou seja, uma vez que você possui opiniões e expectativas tão boas em relação ao seu parceiro, ele pode querer ser o melhor possível sempre para não te decepcionar.

Que tal tentar? [ScienceAlert]

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