Ratos saudáveis são criados com técnica que pode permitir gerar bebês sem óvulos

Por , em 14.09.2016

Quem não tem óvulos saudáveis poderá, em um futuro próximo, ter filhos fertilizando uma célula comum do corpo – como da pele – com o material genético masculino. De acordo com um estudo recém-publicado, um óvulo não será mais necessário para ter filhos.

Assim, casais homossexuais poderão ter um bebê unindo uma célula comum de um pai com o espermatozoide do outro pai. Ou um homem solteiro poderá fazer o mesmo com suas próprias células, sem a necessidade do material genético de uma segunda pessoa. Mulheres inférteis também poderão ter filhos biológicos com o gameta masculino. É claro que em todos os casos é necessário que o embrião gerado seja implantado no útero da mulher que vai gerar o bebê.

Bebês ratos

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Um trabalho publicado na revista Nature Communications nesta terça-feira (13) relata a experiência de sucesso em que ratos são criados sem a tradicional fusão entre óvulo e espermatozoide.

Os cientistas da Universidade de Bath (Reino Unido) utilizaram um óvulo não fertilizado no experimento. Com a ajuda de substâncias químicas, este óvulo foi “enganado” para se tornar um pseudo-embrião. Esses embriões falsos compartilham muitas características com células comuns, como as da pele, na forma em que se dividem e controlam o seu DNA.

Os pesquisadores acreditam que se é possível injetar espermatozoides nestes pseudo-embriões para gerar bebês saudáveis, então um dia pode ser possível fazer o mesmo com células humanas comuns.

Até agora, porém, estes pseudo-embriões morriam poucos dias depois de sua formação. Com a ajuda de um sal chamado cloreto de estrôncio, foi possível manter o pseudo-embrião vivo, para que o material genético do espermatozoide fosse injetado e dali surgisse um embrião verdadeiro.

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No experimento com ratos, a união entre o pseudo-embrião e o gameta masculino resultou em 25% de sucesso de gestação. “Esta foi a primeira vez que foi possível unir esperma com algo que não é um óvulo para resultar em descendentes”, aponta Tony Perry, um dos pesquisadores. “Isso revoluciona 200 anos de pensamento científico”.

A ideia de que a única forma de gerar mamíferos é através da união entre óvulos e espermatozoide existe desde 1827, desenvolvida pelo biólogo Karl Ernst Ritter von Baer.

Os bebês ratos gerados neste processo nasceram e cresceram de forma saudável, e até tiveram seus próprios filhos de forma tradicional.

Novos tratamentos

A pesquisa não deve ser aplicada em seres humanos tão cedo, mas os conhecimentos tirados dela podem trazer novas ideias para o tratamento da infertilidade humana. O estudo não traz esperança apenas para os seres humanos, mas também para mamíferos em extinção, que poderiam ter seus números multiplicados com a ajuda da pesquisa.[Futurism, BBC, Nature]

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1 comentário

  • Eduardo Pooter Reis:

    “Os cientistas […] utilizaram um óvulo não fertilizado no experimento.” Não fecha:
    “[…] unir esperma com algo que não é um óvulo”.

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