Secreta vida sexual das espécies assexuadas

Por , em 29.12.2015

Para os cientistas que estudam o sexo e suas origens misteriosas, as espécies animais que pulam esse ato na hora da reprodução são intrigantes. E o mistério só aumenta: muitas dessas espécies supostamente assexuadas parecem oscilar para os dois lados.

Pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona, nos EUA, estudaram um tipo de formiga que antes acreditavam que havia sobrevivido sem reprodução sexual por milhões de anos – até que descobriram que os artrópodes comedidos estavam, secretamente, copulando.

Do ponto de vista evolutivo, o sexo é um negócio não muito vantajoso. No entanto, a maioria das espécie acasala para se multiplicar. Para os pesquisadores às voltas com a questão de por que o sexo existe, as espécies assexuadas forneciam uma pista, um pequeno empurrão na direção de uma resposta.

Isso é o que deixa as formigas interessantes. Quando os cientistas começaram a coletar espécies amazônicas no México, Argentina e em outros países da América do Sul, eles acreditavam que as colônias de fêmeas das formigas se reproduziam estritamente sem sexo. Mas em um novo conjunto de amostragens em novas localidades, a mesma espécie foi encontrada se propagando sexualmente com a habitual mistura de genomas de ambos os sexos.

O que parece ter acontecido é que as colônias de formigas isoladas perderam a capacidade de se reproduzir sexualmente, devido a uma mudança genética ao longo do tempo. Uma vez que esta mudança ocorreu em uma colônia, não havia como voltar atrás.

As formigas são a mais recente adição à uma pequena lista de espécies que têm uma vida às vezes sexual, às vezes assexuada. Os genomas desses invertebrados são uma rica fonte de ideias para os cientistas que ainda estão tentando decifrar um dos mistérios mais básicos da natureza: por que o sexo existe.

Vermes fazem, caracóis fazem… ou não

Os cientistas que estudam a vida sexual do nemátodo C. elegans ofereceram um motivo para a existência do sexo. O verme se propaga de duas maneiras: às vezes cruzando com outro verme, e às vezes se autofecundando. Comparando os filhotes de diferentes tipos de reprodução, eles descobriram que os filhos geneticamente diversos tinham menos probabilidade de ser infectado por parasitas do que filhos de um pai solteiro. Isto se alinha bem com uma grande ideia chamada de hipótese Rainha Vermelha, que compreende o sexo como um comportamento que permitiu que uma maior combinação de genomas, ajudando na evolução das espécies.

Alguns pesquisadores acreditam que não se chegará a uma solução universal para o sexo, e esperam que a resposta seja confusa e complicada, exatamente como o sexo é.

As coisas ficam ainda mais bagunçadas quando consideramos um caramujo de água doce que, como o C. Elegans, às vezes é assexuado, às vezes é sexuado. Por motivos ainda desconhecidos, o destino do caracol – fazer ou não sexo, eis a questão – é decidido antes deles nascerem. Alguns lagos têm ambos os tipos de caracóis, um cenário muito bom para fazer a comparação dos genomas.

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Algumas espécies não têm vida sexual

Algumas espécies parecem ter permanecido o tempo todo sem atividade sexual, o que os cientistas chamam de “assexualidade antiga”. Um estudo recente mostrou que duas espécies de bichos-pau são assexuadas por mais de um milhão de gerações.

Apesar de parecer muito tempo, as estrelas da falta de atividade sexual ainda são os rotíferos – seres microscópicos unicelulares (e solteirões) que parecem ter se mantido sem relações sexuais por 40 milhões de anos.

Seja por coincidência ou causalidade, outras habilidades de sobrevivência extremas são encontradas no genoma dos rotíferos: eles podem sobreviver até a um jato de radiação. Para os cientistas, o talento excepcional dos rotíferos de corrigir seu DNA poderia explicar por que eles não precisam do sexo para misturar e “melhorar” seus genomas. [CosmicLog]

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