Simpatia e interesse sexual: a diferença entre homens e mulheres

Por , em 8.02.2015

Homens e mulheres constantemente se desentendem quando se trata da diferença entre ser amigos ou parceiros sexuais. Mas será que isso também acontece em um país sexualmente liberal, onde a igualdade de gênero é forte – como a Noruega? A resposta, surpreendentemente, é sim.

Imagine a seguinte situação: uma mulher e um homem estão conversando. Ela está interessada na conversa, e é simpática, sorridente e amigável. Ele interpreta o comportamento dela como interesse sexual.

Ou então isso: um homem está sexualmente atraído por uma mulher que acaba de conhecer, e sinaliza isso de várias maneiras. Ela acha que ele está apenas sendo simpático.

Reconhece essas situações? Caso a resposta seja “sim”, você não está sozinho.

Nós não conseguimos nos entender

Em um estudo recente do Departamento de Psicologia da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (UNCT), mulheres relataram que os homens muitas vezes interpretam mal os seus sinais de simpatia como interesse sexual. Por outro lado, os homens no estudo relataram que as mulheres muitas vezes interpretam mal os seus sinais de interesse sexual como simpatia. Parece uma combinação que não tem como dar certo, certo?

“Os resultados não são nenhuma surpresa, analisando por uma perspectiva evolucionária”, explica o pesquisador Mons Bendixen. “O mais fascinante é que nossos resultados são idênticos aos de um estudo feito nos EUA, embora a Noruega seja um dos países mais sexualmente liberais e com mais igualdade de gênero no mundo”.

O estudo recente da UNCT incluiu 308 participantes heterossexuais entre as idades de 18 e 30 anos, dos quais 59% eram mulheres. Metade das mulheres e 40% dos homens estavam em relacionamentos. As questões eram idênticas às perguntas feitas em um estudo norte-americano realizado em 2003.

Na maioria das áreas da psicologia, há pouca ou nenhuma diferença entre os sexos: capacidade mental, realizações intelectuais, preferências alimentares. Homens e mulheres são todos mais ou menos a mesma coisa. Mas quando se trata de reprodução e desafios relacionados à procura de um parceiro sexual, de repente há diferenças a serem encontradas.

Visto através da lente da psicologia evolutiva, podemos entender melhor por que os homens muitas vezes presumem equivocadamente que mulheres que sorriem e dão risada durante uma conversa podem querer dormir com eles.

Os homens não podem ser exigentes

Instintivamente, a capacidade do homem de se reproduzir tem tudo a ver com aproveitar todas as oportunidades. Ele tem que gastar tempo e dinheiro fazendo “a corte”, ainda que isso possa não levar ao sexo. Porém, custa ainda mais não tentar, porque então ele não será capaz de se reproduzir.

Por outro lado, o custo é potencialmente alto para uma mulher se ela acha que um homem está sexualmente mais interessado do que ela. Uma mulher corre os riscos da gravidez, parto, de cuidar e educar uma criança, bem como perde oportunidades de se reproduzir com os outros. Por milhares de gerações, a psicologia das mulheres evoluiu para que elas fossem mais seletivas, o que significa que elas precisam de sinais muito mais claros do que os homens para considerarem fazer sexo.

“Mesmo que estes processos não sejam conscientes, ainda podemos medir empiricamente os resultados”, afirma Bendixen.

Os resultados mostram que tanto os homens como as mulheres acham que os seus sinais sociais são mal interpretados pelo sexo oposto. As mulheres no estudo responderam que tinham sido amigáveis com um homem e tiveram sua atitude mal interpretada como interesse sexual cerca de 3,5 vezes no ano passado, em média. Os homens no estudo também relataram ter sido mal interpretados pelo sexo oposto, mas com muito menos frequência.

Os resultados também mostram que os homens raramente interpretam mal as mulheres que realmente sinalizam interesse sexual – independente de a pessoa estar em um relacionamento estável ou não.

“O fato de que a hipótese em psicologia evolutiva se sustenta mesmo quando a pesquisa é realizada uma sociedade onde a igualdade de gênero é forte enfraquece reivindicações alternativas de que os papéis sociais de homens e mulheres em diferentes culturas determinam sua psicologia nessas situações”, explica Bedixen.

Nada é desculpa para o assédio sexual

Os pesquisadores do Departamento de Psicologia agora vão usar dados coletados de estudantes do ensino médio para ver se os resultados atuais também são válidos para pessoas com idade entre 16 e 19 anos, e se essas falhas de comunicação podem levar ao assédio sexual.

“Mesmo que a psicologia evolutiva e nossas descobertas possam ajudar a explicar alguns comportamentos sexualmente inapropriados nos homens, isso não significa que os psicólogos evolucionistas defendem que isso aconteça”, esclarece o cientista, destacando que há medidas que podem ser tomadas para evitar o assédio sexual. “[O estudo] vai ajudar a ensinarmos aos homens que se uma mulher ri de suas piadas, fica perto ou toca seu braço em uma festa, não significa que ela está sexualmente interessada, mesmo se ele ache que ela está”. [Science Daily]

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