Teste do bafômetro: como funciona

Por , em 27.12.2018

Se você dirige e gosta de beber, uma preocupação sempre presente durante a época de festas é com o temido bafômetro.

Dado que esses dispositivos podem ser o fator decisivo entre um boa noite amigável de um policial e uma ofensa criminal cara, é justo se perguntar como funcionam – e se funcionam.

Como os bafômetros funcionam

Os bafômetros foram desenvolvidos na década de 1940 para ajudar a polícia americana a avaliar não invasivamente o nível de intoxicação das pessoas enquanto trabalhavam nas ruas, já que coletar amostras de sangue ou urina nessas situações não é muito conveniente (ou constitucional).

Agora usados em todo o mundo, os bafômetros determinam o teor alcoólico de uma pessoa medindo a quantidade de etanol na sua respiração.

O etanol é uma molécula muito pequena solúvel em água e, como tal, é absorvida prontamente através do tecido do estômago para os vasos sanguíneos. Como o produto químico também é muito volátil, quando o sangue saturado de álcool passa pelos capilares nos alvéolos do pulmão, algum etanol vaporizado se difunde nos sacos alveolares e se mistura nos gases dos pulmões.

Ao expirar em um bafômetro, um feixe de radiação infravermelha é passado pela câmara de coleta de amostras de ar. Ao quantificar quanto infravermelho atinge o outro lado da câmara versus quanto foi absorvido pelas moléculas de etanol, o dispositivo pode calcular a concentração de etanol por 100 mL de ar.

Usando uma relação de conversão para estimar a quantidade de álcool na respiração versus álcool no sangue (de 2.100:1), o dispositivo então extrapola a quantidade de etanol no mesmo volume de sangue e fornece uma leitura digital imediata.

Bafômetro no Brasil

A chamada Lei Seca entrou em vigor no Brasil em 2008 e desde então só se tornou mais rígida. A última atualização, este ano, aumentou a punição para o motorista embriagado que causar acidente para até 8 anos de prisão.

Em resumo, não há tolerância para qualquer nível de concentração de álcool no corpo. Existe apenas uma margem de erro definida pelo Inmetro para os bafômetros, por isso a infração é confirmada se o resultado do teste for igual ou superior a 0,05 mg/L de ar expelido.

A multa se você falhar no ou se recusar a fazer o teste do bafômetro é de R$ 2.934,70. Além disso, o motorista tem a CNH recolhida e responde a um processo administrativo que leva a suspensão do direito de dirigir por 12 meses, depois de todos os recursos possíveis. O veículo também é retido até que um outro condutor habilitado se apresente.

A nova regulamentação também permite que uma autoridade possa constatar embriaguez se houver alteração da capacidade psicomotora (cambalear, sonolência, hálito, atitude, desorientação, etc) ou até por meio de imagem, vídeo ou testemunho. Para confirmar a alteração, a autoridade deve considerar não somente um sinal, mas um conjunto de sinais, e incluir a descrição no auto da infração.

Se o motorista for flagrado com concentração igual ou superior a 0,3 mg de álcool por litro de ar ou de 0,6 g/L no sangue, pode ser multado pelo artigo 165 e também enquadrado em crime de trânsito. Neste caso, o condutor é levado a uma delegacia, onde é aberto um inquérito. A pena para esse crime é de detenção de 6 meses a 3 anos, multa e suspensão temporária da carteira de motorista ou proibição permanente de se obter a habilitação.

Bafômetros são confiáveis?

Bafômetros portáteis para aplicação da lei são bons, mas não são 100% precisos. Vários estudos científicos concluíram que os dispositivos em uso oficial têm amplas margens de erro, muitas vezes maiores do que as aceitas.

E vários fatores podem tornar as leituras do bafômetro ainda mais imprecisas. Se uma pessoa tomou um gole dentro de 15 minutos antes de fazer um teste, o álcool que permanece na boca inflará o resultado.

Pessoas com refluxo gastrointestinal também podem soprar valores mais altos do que seu verdadeiro teor alcoólico, porque o álcool aerossolizado de seus estômagos que ainda não foi absorvido pela corrente sanguínea pode ser introduzido em sua respiração por arrotos.

Indivíduos com diabetes frequentemente também apresentam valores falsamente elevados, porque o sangue deles contém altos níveis de acetona, que os aparelhos com bafômetro podem confundir com o etanol.

Tem como enganar o teste do bafômetro?

Naturalmente, muitas pessoas gostariam de encontrar uma forma de passar no teste do bafômetro sem precisar parar de beber. Existem inúmeros boatos e sugestões de métodos que, já adianto, não funcionam.

Um dos mais populares truques envolve lamber ou chupar uma moeda de cobre, já que isso supostamente “neutraliza” o álcool em sua boca e, portanto, diminui sua leitura. O ar analisado por esses aparelhos vem de seus pulmões, não de sua boca, portanto, a remoção do álcool da boca não afetará os resultados. E, mesmo que isso funcionasse, pouquíssimas moedas são feitas com altas concentrações de cobre.

Comer alimentos picantes ou usar enxaguante bucal também não mascara o álcool em seu sistema. Ironicamente, o último pode até inflar a leitura do bafômetro, já que muitos líquidos para bochechos contêm álcool.

Absurdamente, existe até uma recomendação que envolve comer papel higiênico, roupas ou fezes. Diluir o conteúdo do seu estômago ou consumir algo absorvente retardará a difusão do álcool do estômago para a corrente sanguínea, mas não fará nada para alterar a quantidade de etanol já dissolvida no sangue. Além de não diminuir a leitura do bafômetro, consumir itens indigestos pode causar evacuações desagradáveis e, na pior das hipóteses, uma obstrução intestinal potencialmente fatal.

Fumar um cigarro também não engana o bafômetro. Esta é outra dica que vai sair pela culatra. Quando cigarros são queimados, os açúcares adicionados ao tabaco produzem uma substância química chamada acetaldeído. Dispositivos de bafômetro mais recentes, que utilizam sensores de gás em vez de análise de infravermelho, medem o álcool vaporizado detectando a quantidade de etanol que foi oxidado em acetaldeído por um eletrodo interno. Logo, sua leitura provavelmente aumentará.

Finalmente, outro mito urbano observa que um bafômetro pode ser enganado se você inspirar no bocal ao invés de expirar. Isso não funcionará porque esses dispositivos podem dizer se o ar está sendo soprado para eles ou não. Tudo o que você vai conseguir fazer é parecer um idiota culpado na frente de um policial.

Ou seja: não beba e dirija

A única maneira de impedir verdadeiramente uma infração é não beber e dirigir. No final, é nisso que devemos nos concentrar porque, mesmo se houvesse meios de enganar os testes de sobriedade, isso não reverteria a deficiência mental transitória causada pela intoxicação alcoólica, que colocaria você e todos os outros na estrada ao seu redor em perigo. [IFLS, G1]

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