Um quarto dos homens em algumas partes da Ásia admitem já ter estuprado

Por , em 16.09.2013

Após a condenação de quatro homens em Nova Delhi, na Índia, pelo estupro de uma estudante em um ônibus, um novo estudo revela como a violência sexual é generalizada em algumas partes da Ásia.

Um décimo dos 10 mil homens asiáticos questionados pela pesquisa admitiram já ter estuprado alguma mulher que não fosse sua parceira. A Ilha de Bougainville, na Papua Nova Guiné, mostrou ser o lugar mais perigoso do mundo sob esse prisma para as mulheres: cerca de 27% dos homens interrogados admitiu ter cometido o crime de estupro.

Com 3%, Bangladesh apresentou o índice mais baixo de homens estupradores dentre os seis países estudados. Mesmo assim, ao considerar que o país possui uma população masculina de aproximadamente 80 milhões, 2,4 milhões deles já estupraram alguém. O estudo também incluiu a China, o Sri Lanka, a Indonésia e o Camboja.

O índice geral dos países pesquisados subiu para 25%, ou um quarto, quando o estupro da parceira foi incluído.

“Os resultados, divulgados esta semana, são um guia inestimável de fatores motivacionais para o estupro”, diz a autora do estudo, Emma Fulu, do programa das Nações Unidas “Parceiros para a Prevenção”, que combate a violência de gênero. “Foi a primeira vez que conversamos com os próprios homens. A pesquisa nos permite chegar às causas subjacentes da violência, e como podemos evitá-la no futuro”, afirma.

Dentre os homens que admitiram ter estuprado, 58% o fez pela primeira vez em sua adolescência, o que sugere que as intervenções durante essa fase são essenciais para a prevenção da violência contra a mulher. Muitos haviam testemunhado ou sofrido abusos na infância, alguns tinham sido – eles mesmos – estuprados ou possuíam um histórico de abuso de suas próprias parceiras. O álcool foi o fator principal de 27% dos estupros, e muitos dos que haviam estuprado também disseram ter pagado pelo sexo.

“Isso realmente destaca a necessidade de se trabalhar com meninos mais jovens, logo na adolescência, para que eles mudem suas atitudes quanto a um relacionamento consensual e saudável. Esses outros fatores subjacentes que contribuem para a violência sexual também devem ser combatidos”, afirma Fulu, que também é coautora de um resumo das conclusões lançado esta semana pelo Parceiros para a Prevenção.

Scott Berkowitz, da Rede Nacional de Estupro, Abuso e Incesto dos Estados Unidos, concorda com essa abordagem. “Os homens começam a cometer esses atos enquanto são ainda muito jovens, por isso os programas de educação devem agir de modo a orientar os adolescentes”, opina.

A pesquisa também revelou a influência das normas culturais que legitimam a violência dentro do casamento e a desigualdade de gênero em geral. Por exemplo, 75%, ou três quartos, das pessoas que tinham estuprado disseram que sentiam que o sexo era seu “direito”. “Eles achavam que tinham o direito de ter relações sexuais com as mulheres, independentemente do consentimento delas”, resume. Quase 60% disseram que cometeram o estupro por “entretenimento”, e um terço teve o objetivo de punir suas parceiras.

Fulu diz que ainda vai levar anos para mudar atitudes, mas já existem programas nesse sentido. Ela cita a campanha brasileira “Você É Meu Pai” (que, em caráter global, recebeu o nome de “Men Care”), lançada pela Promundo, uma ONG aqui do Brasil, cuja missão é “promover a masculinidade não violenta e as relações de gênero equitativas no Brasil e internacionalmente”. O objetivo é disseminar a ideia de que “homens de verdade” são aqueles que são ótimos pais e parceiros respeitosos que cuidam de suas famílias.

“Questionar o conceito de masculinidade é um fator definitivo para a intervenção”, considera Fulu. “Os dados da pesquisa nos mantêm acesa a esperança de uma mudança, porque nos apontam as estratégias que precisamos seguir para que isso aconteça”. [New Scientist]

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1 comentário

  • Victor Sampaio:

    Mostra ai uma prova de que camizinha não evita doença ou gravidez precoce? Evangélico-lavagem-cerebral detected

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