“Viagra feminino” está mais perto de chegar às farmácias

Por , em 8.06.2015

Um medicamento destinado a ajudar mulheres que perderam o desejo sexual eliminou um obstáculo importante na última semana, ao ganhar o apoio de um painel da Administração de Drogas e Alimentos (FDA) dos Estados Unidos. Um comitê consultivo da FDA votou por 18 a 6 a recomendação de que a agência aprove a flibanserin, droga para o tratamento da frigidez em mulheres na pré-menopausa.

A recomendação desta banca será dada à FDA, que decidirá se aprova ou não a droga, frequentemente chamada de “Viagra feminino”. A agência normalmente segue as recomendações feitas pelos comitês consultivos, mas não é obrigada a fazê-lo.

“Estou entusiasmada, muito feliz em ouvir isso”, afirma Margery Gass, especialista em disfunção sexual da Cleveland Clinic, um centro médico acadêmico sem fins lucrativos que oferece atendimento clínico e hospitalar e é líder em pesquisa, educação e informação sobre saúde. “Acho que as mulheres ficarão muito gratas de ter algo para tentar [resolver] este problema”.

Questão complexa

Não há dúvida de que as drogas do sexo voltadas para os homens têm sido uma benção para a indústria farmacêutica. A FDA aprovou o Viagra em 1998. No ano passado, o medicamente rendeu mais de US$ 1,6 bilhões para a Pfizer (no câmbio atual, cerca de R$ 5 bi).

Mas as empresas farmacêuticas têm lutado para chegar à fórmula certa para as mulheres. Por quê?

De acordo com um estudo de 2002, até um terço das mulheres adultas pode enfrentar frigidez – o termo técnico para quando uma mulher tem uma falta ou ausência de desejo ou fantasia sexuais. Contudo, alguns especialistas dizem que para as mulheres, é mais provável que a cura para a baixa libido seja encontrada em seus cérebros do que em uma cartela de pílulas.

“A sexualidade das mulheres é muito complicada. Não é apenas uma questão de tomar essa pílula e, de repente, as luzes se acendem”, explica Judy Kuriansky, psicóloga clínica e terapeuta sexual. “Você tem que se sentir bem sobre o seu corpo. Você tem que se sentir bem consigo mesma. Você tem que sentir que o cara realmente te ama. É complexo. Não é o mesmo que um homem tomar uma pílula”.

Mesmo que esteja sendo chamada de “Viagra para mulheres”, especialistas dizem que este é um termo impróprio para descrever a flibanserin, já que a forma como a droga funciona é bastante diferente. Ela age sobre o sistema nervoso central, na mesma categoria de um antidepressivo. O Viagra, ao contrário, centra-se no físico; é um tratamento da disfunção erétil, mas não faz nada para induzir o desejo sexual.

Terceira revisão pelo FDA

A reunião do último dia 5 foi a terceira vez que a FDA revisou a flibanserin, produzida pela Sprout Pharmaceuticals. No passado, a agência rejeitou o medicamento, dizendo que ele tinha muitos efeitos colaterais, e não excitava as mulheres de forma alguma. Em 2010, um comitê disse à gigante farmacêutica Boehringer Ingelheim, que inicialmente desenvolveu a droga, que a empresa deveria voltar à mesa de trabalho para desenvolver dados mais conclusivos sobre o assunto. Em 2013, o medicamento foi rejeitado sem ir perante a comissão.

Em 2014, a Sprout Pharmaceuticals disse se preparar para realizar estudos adicionais após a FDA ter dado à empresa uma “orientação clara” sobre “o caminho a seguir”.

Um estudo de 2013 na revista “The Journal of Sexual Medicine” mostrou que as mulheres que tomaram a droga relataram um aumento médio de 2,5 eventos sexuais satisfatórios em quatro semanas, em comparação com um aumento de 1,5 entre mulheres que usavam um placebo.

Disparidade de gênero?

Nos dias que antecederam esta última votação, a Sprout Pharmaceuticals fez parte de uma campanha que alega que a FDA não faz o suficiente para ajudar as mulheres que lidam com disfunção sexual. A campanha, chamada de “Iguale o Placar” (“Even the Score”, no original), argumentou que houve uma disparidade de gênero significativa entre as drogas que a FDA tem aprovado.

Essa é uma alegação que a agência nega veementemente. “A FDA se esforça para proteger e promover todas as áreas importantes da saúde das mulheres, incluindo distúrbios da função sexual feminina”, disse a porta-voz Andrea Fischer. [CNN]

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