Adolescentes acima do peso nem sempre consomem mais calorias

Publicado em 12.09.2012

Será que basta que as crianças e jovens mais cheinhos “fechem a boca” para se aproximar do peso ideal? Uma pesquisa da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, indica que não. Os nutricionistas descobriram que gordinhos às vezes ingerem menos calorias do que o grupo de peso ideal. Isso sugere que eles têm dificuldade de emagrecer por outro motivo, que não a alimentação.

Uma espécie de “complexo de Magali” parece se aplicar à vida real. A personagem criada por Maurício de Souza é comilona, abusa das guloseimas, mas está sempre magra como um palito. A Mônica, por outro lado, tem apetite normal e não consegue se livrar da silhueta redondinha.

Os pesquisadores explicam que uma criança acima do peso imediatamente acende a suspeita nos pais de estar se alimentando pior do que uma criança comum. Mas é difícil imaginar, em um mundo onde todos os pequenos são bombardeados com publicidade de salgadinho e chocolates, que os magros tenham uma alimentação exemplar à base de frutas e verduras, e só os gordinhos comam porcarias.

Para se aproximar de uma realidade mais tangível, os nutricionistas americanos dividiram 12.650 crianças e adolescentes (recrutados de 2001 a 2008) em faixas etárias dos três aos 17 anos e analisaram suas dietas em amostragens de dois dias por pessoa. Jogados no papel, os números mostraram uma tendência interessante: quanto mais velha a criança, maior o índice “come-e-não-engorda”.

Um gráfico desigual

Na primeira infância, gordinhos são realmente os que comem mais. Nos dois grupos etários mais jovens (3 a 5 / 6 a 8 anos), os meninos e meninas mais obesos pesquisados ingeriam até cem calorias diárias a mais do que o grupo saudável. Até aí, dentro do esperado.

A partir dos 9 anos, contudo, a situação se inverteu: os que possuíam Índice de Massa Corporal (IMC) normal eram os que ingeriam mais calorias. E a diferença era significativa: entre meninas de 12 a 14 anos, as que têm sobrepeso (mas não são obesas) ingeriam 110 calorias a menos do que as saudáveis. E as obesas consumiam 300 calorias a menos do que as que têm sobrepeso.

Entre os garotos, a diferença é ainda mais notável. Um menino com sobrepeso já ingere 220 calorias a mais do que os obesos. E os adolescentes que estão no peso ideal vão muito além: têm uma dieta diária com 375 calorias a mais do que os de sobrepeso. Entre os saudáveis e os obesos, abriu-se uma diferença de 595 calorias!

Quase 600 calorias. O equivalente a dez panquecas de 30 gramas cada, ou a cinco coxas de frango cozidas, ou ainda a 250 gramas da gordurosa costeleta de porco. Isso é o que um rapaz saudável de 15 a 17 anos ingere, por dia, a mais do que um obeso. Como explicar esse fenômeno? [Confira tabela calórica de alimentos]

O triunfo da atividade física

Em 2008, nas Olimpíadas de Pequim, saíram reportagens sobre a dieta do nadador americano Michael Phelps, que se tornou o maior medalhista da história dos Jogos quatro anos depois, em Londres. Magro como um peixe-espada, ele consumia incríveis cinco vezes mais calorias do que um adulto comum.

A prática de exercícios regulares seria, de acordo com os cientistas da Carolina do Norte, mais importante em uma dieta de emagrecimento do que a alimentação em si. Os números dessa pesquisa e o corpo esguio de atletas que comem muito seriam provas irrefutáveis. A dica dos especialistas não poderia ser mais clara: matricule seu filho acima do peso em uma escolinha esportiva hoje mesmo. [Today Health/Eurekalert]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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1 comentário

  1. A conclusão dessa pesquisa parece bem lógica.Afinal,estamos diante de um geração que fica horas parada navegando pela internet.

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