As redes sociais estão criando a geração mais preguiçosa de todas?

Publicado em 21.07.2011

Esta é a geração do reality show. Ao invés de fazer, assiste. Assiste as pessoas cantando, dançando, escolhendo um marido ou uma mulher, fazendo grandes transformações em suas casas e em seus visuais, aprendendo a cuidar da família, perdendo peso, indo para a reabilitação, enfim, sobrevivendo.

E a natureza voyeur dos seres humanos tem se espalhado na vida cotidiana. Graças ao Facebook, Twitter, Google +, YouTube e uma série de outras redes sociais, todo o mundo agora é verdadeiramente um palco e todos são jogadores do reality show da vida.

Observar os acontecimentos e depois comentar sobre eles nas redes sociais se tornou uma religião. As pessoas esperam ansiosamente pela próxima celebridade que vai dar vexame, por outro político que será flagrado em um escândalo sexual, pelo veredito de um julgamento polêmico ou simplesmente por um amigo que vai fazer algo tão estúpido que será rapidamente adorado no altar das plataformas sociais, onde serão feitas oferendas de opiniões, piadas, comentários, etc.

No passado, os cidadãos contavam onde estavam quando ocorria um evento histórico, como o assassinato de Kennedy, a explosão de um ônibus espacial ou os ataques de 11 de setembro. No futuro, os homens de hoje irão recordar o que tweetaram, o que publicaram ou o que leram em seu mural sobre tais e tais eventos.

De acordo com Dean Obeidallah, comediante que se apresenta em vários programas nos Estados Unidos, utilizar as redes sociais é, sim, divertido e cada um é culpado por fazer a mesma coisa. Mas, para ele, fica uma crescente preocupação: essa geração está se tornando a mais preguiçosa? As redes sociais estão se tornando o ópio das massas, seduzindo e fazendo todos acreditarem que apenas comentando um fato estão de alguma forma interferindo no mundo? Será que a essa geração vai deixar algum legado ou simplesmente milhões de tweets?

Basta olhar para as gerações anteriores: na década de 40 e 50, houve uma geração de praticantes, que através da sua dedicação, ética e sacrifício, fizeram dos Estados Unidos uma superpotência econômica.

Eles foram seguidos nos anos 60 e no início dos anos 70 por uma geração que foi às ruas para se opor à Guerra do Vietnã e pressionar o governo por direitos civis, fazendo a política americana mudar tanto externa, quanto internamente.

Ao contrário do ativismo do passado, muitos, hoje, se realizam apenas em clicar em “Like”, assinar uma petição online ou retweetar os pensamentos de alguém.

É um bom começo, segundo Obeidallah, mas é preciso mais do que isso para realizar mudanças significativas. É preciso olhar mais longe, para as revoluções democráticas recentes no mundo árabe, por exemplo. Os manifestantes recorreram, sim, às redes sociais, mas não basta postar comentários no mural das pessoas no Facebook e sentar; eles tomaram as ruas e arriscaram suas vidas para efetivar as mudanças. Todos os tweets do mundo não seriam capazes de levar os presidentes do Egito ou da Tunísia a renunciarem.

O que é mais provável que leve essa geração às ruas para protestar: uma questão política ou cobrar pelo uso do Facebook?

Nesse mundo cada vez mais complexo e desafiador, parece que um único indivíduo não pode ter um impacto sobre os problemas que nosso país ou o nosso planeta enfrenta. Mas cada um pode ser a mudança que o mundo precisa.

Para Obeidallah, não é necessário defender que se deixe de usar as redes sociais, mas se houver uma mudança que realmente precise ser feita, vai demorar mais do que escrever um tweet de 140 caracteres e será mais trabalhoso que atualizar um status no Facebook. [CNN]

Autor: Patricia Herman

é aspirante a jornalista, tem 21 anos e adora ler, principalmente poemas e a filosofia alemã do século XIX. Tem um único grande vício: música.

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11 Comentários

  1. E vocês espertos mandam os preguiçosos divulgarem seu trabalho pelas Redes Sociais uhasuhasuhasuhas’ TENSO

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  2. Acho lamentável o modo como estamos vivendo agora. Considero que as pessoas não sabem mais o que é amizade e bons valores têm se perdido. Meus conhecidos deixam de ir num bar, tomar sorvete, ir ao cinema, enfim, viver, para ficar nas redes sociais. Sempre que se faz um convite a eles, alegam cansaço ou outra desculpa esfarrapada (que nas próprias redes sociais se descobre que é mentira, pois não fazem questão sequer de esconder). Eu estou diminuindo minhas redes sociais, tinha todas e agora ficarei com apenas uma, que usarei somente uma vez por semana. Acho que o tempo é muito escasso para desperdiçar a vida na frente do computador.

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  3. oque e melhor ,poder ter mais um veiculo de informaçao ,trabalho ,entrenimento dentro de casa ,ou ficarmos nas ruas ,correndo riscos variados de uma bala perdida ,um sequestro etc…

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  4. Olá, boa a matéria. Não acredito que as redes sociais estejam tornando as pessoas preguiçosas. Penso que as pessoas agem de forma mais ativa tanto nas redes sociais como na web como um todo. As gerações que conviveram com o rádio, o telegrama, o telefone convencional, o fax, e depois com a TV se postavam de forma mais passiva diante dos media e da tecnologia. E também nas instituições que ainda preservam o modelo hierárquico e burocrático, como a escola e algumas empresas, sejam públicas ou privadas. Na verdade não tinham um leque de escolhas, de opções como temos hoje. MAS isto não quer dizer que as pessoas se tornaram, ou estão se tornando, capazes de pensar por conta própria. E agir por conta própria. É só ver os grandes grupos de pessoas que só repetem o que ouvem, o que recebem, de forma quase automatizada. Também dá pra citar os emails que são enviados e reenviados quase sem critério. Alguns com um simples comentário: achei legal, outros nem isto. É um assunto bem interessante.

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  5. A questão não é apenas essa…a questão é a velocidade com que as coisas acontecem e a internet só veio aumentar esta velocidade, vivemos na geração mais volátil que já existiu e as coisas tendem a piorar,não apenas por causa das redes sociais,mas pela perda progressiva de valores como respeito aos mais velhos,amor,amizade.

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  6. “pessoas cantando, dançando, escolhendo um marido ou uma mulher, fazendo grandes transformações em suas casas e em seus visuais, aprendendo a cuidar da família, perdendo peso, indo para a reabilitação, enfim, sobrevivendo”

    Se tem tanta gente fazendo isso como podemos ser a mais preguiçosa ?

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    • A gente sempre acha que antes tudo era melhor… aquela coisa de só lembrar das coisas boas… sei não, sinto saudades de algumas coisas, mas prefiro o agora.

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