Este foi o primeiro Facebook?

Publicado em 16.01.2013

Existe a ideia de que nunca foi tão fácil para o cidadão comum, não ligado ao poder público ou à elite intelectual, passar suas mensagens pessoais para a sociedade, graças às redes sociais. Mas será que essa noção é tão recente assim? Já se sabe que na famosa cidade de Pompeia, que desapareceu na antiguidade após a erupção de um vulcão, havia centenas de mensagens grafadas nas paredes. Agora, pesquisadores da Universidade de Helsinque (Finlândia) foram além: aparentemente, as paredes onde se escreviam as mensagens eram controladas pelos próprios donos das casas, e não pelo governo, como antes se pensava.

Muito já se escreveu sobre Pompeia. Situada perto de onde hoje fica a cidade de Nápoles, no sul da Itália, era um dos centros urbanos mais importantes do Império Romano. Sua população foi tragicamente morta em 79 dC, quando as lavas do vulcão Vesúvio soterraram o local. Casas, monumentos e até as pessoas foram petrificadas no tempo e deram um prato cheio a arqueólogos que estudam Pompeia há séculos.

A cidade era governada por dois duúnviros (o equivalente aos cônsules romanos) e dois edis (gestores púbicos). As eleições para tais cargos deviam ser cheias de dinamismo e emoção, pois a maioria das tais mensagens nas paredes tratavam justamente disso: propaganda política. As inscrições continham frases do tipo “bom homem”, “apto para o serviço público”, e coisas do gênero. Mas havia também outros tipos de recados, tais como felicitações a amigos e familiares e notas em geral.

Em uma época na qual não havia spray, os textos eram escritos com carvão vegetal em paredes de estuque, uma espécie de argamassa primitiva feita com água, gesso e cal. E os cientistas finlandeses resolveram se debruçar sobre os grafites para entendê-los melhor. Para cumprir tal tarefa, mapearam três regiões de Pompeia, sendo duas residenciais e uma comercial.

Segundo o que puderam concluir, as casas particulares eram os locais mais populares para mensagens de apoio eleitoral, muito mais do que lugares públicos como bares e centros de comércio. Isso indica, conforme eles explicam, que não havia pichações fora de propósito feitas por transgressores da lei, como hoje em dia, mas eram os donos das residências que escolhiam as mensagens de apoio a serem publicadas. Convenhamos: a cidade de Pompeia, como um todo, não era algo como a bisavó das timelines de Facebook que temos hoje em dia? [Msnbc / Catarse / Livres Pensadores]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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