Hackeando o trabalho: quebrando regras para ser mais eficiente

Publicado em 19.05.2012

O local de trabalho e a maneira de trabalhar estão passando por grandes mudanças, criando uma nova força de trabalho que se move mais rápido, pensa mais rápido e produz inovações e produtos melhores. O surgimento de tecnologias e o acesso livre à informação está proporcionando o surgimento de unidades independentes, que estão de certa forma hackeando o mercado a seu favor, aliciando os especialistas que as grandes empresas necessitam.

O que fazer, neste caso? Junte-se a eles! Se sua empresa está sofrendo com ineficiências, falta de visão, estagnação ou está saindo de moda de alguma forma, a solução está nestes iconoclastas que estão ocupados reescrevendo as regras do mercado.

Josh Klein, autor do livro “Hacking work: Breaking Stupid Rules for Smart Results” (“Haqueando o trabalho: Quebrando Regras Estúpidas Para Ter Resultados Inteligentes”, em tradução livre) que desenvolveu um método para ensinar gatos a usar o banheiro, sugere os seguintes “exercícios”:

  • Se a empresa usa o Excel e o Word, experimente fazer as tarefas com o Google Docs: os documentos podem ser compartilhados, editados em conjunto, e versões anteriores podem ser recuperadas com poucos cliques (como quando a tua editora apaga a tua tarefa da pauta quando você ainda não havia copiado a mesma; experiência própria). Ou experimente o DropBox (serviço gratuito de armazenamento e compartilhamento de arquivos e documentos, baseado no conceito de computação e nuvem) em vez de ficar usando pendrives para compartilhar arquivos com os colegas ou com os clientes. Faça a experiência por uma ou duas semanas, e veja o quanto você se tornou mais eficiente;
  • Faça uma lista das políticas que você considera ruins ou que estejam prejudicando a empresa. Procure as alternativas. Coloque a economia que a sua empresa pode fazer com cada uma destas soluções em valores monetários. Faça a lista chegar à mesa do seu chefe;
  • Pergunte para o teu filho ou sobrinho o que ele acha da última campanha publicitária da tua empresa, ou o último lançamento de carro, ou análise de performance. Ouça o que ele diz e pense em maneiras de implementar as sugestões deles (maneira barata de conseguir ideias novas, aliás);
  • Crie uma situação no local de trabalho (como o wiki, um tipo específico de coleção de documentos em hipertexto) que permita a inclusão de informações anônimas, e encorage os colegas a discutir as dificuldades do trabalho, e veja até onde isto pode levá-lo;
  • Se tem algum dispositivo que esteja tornando a tua vida mais difícil, estude uma forma de melhorá-lo ou de contorná-lo. Veja se não existe uma versão mais nova do firmware do roteador Wi-Fi, haqueie o celular para poder colocar um software melhor nele, coloque uma fita na frente da webcam que o seu chefe usa para espionar a sala (fomos longe demais?). Tudo isto é hacking: é quebrar as regras do trabalho para poder trabalhar melhor.

Prós e contras

O objetivo aqui é conseguir melhorar estes sistemas, de forma que não só você, mas todos se beneficiem e tenham melhoras na eficiência.

Quando as empresas implementam políticas de software e uso de recursos seguindo os conselhos do setor de tecnologia e esquecem do feedback dos usuários, o que acontece na maior parte das vezes é que se o sistema fica no caminho do usuário. É o que se está vendo na dissolução de empresas arcaicas e com modelos de gestão ultrapassados, e com o surgimento de novas empresas mais ágeis, motivadas por resultados

Mas existe o reverso da medalha: você pode perder o emprego se começar a “hackeá-lo”. Mas segundo o Josh, os benefícios superam os riscos.

Considerando que a segurança no emprego é ilusão, e que os melhores empregados conseguem destacar-se apesar do ambiente corporativo que os cerca, tentar melhorar o local de trabalho quebrando regras estúpidas no pior caso vai te ensinar muita coisa, e no melhor caso vai fazer de você um herói.

Libertando-se das ineficiências e das limitações artificiais, você se torna capaz de fazer um serviço melhor, o que vai te ajudar a entender o que realmente te motiva, e como se tornar excelente em algo que você gosta de fazer.

Não é algo que pode ser feito do dia para a noite, mas tudo que você precisa é dar o primeiro passo. Tem alguma ideia para melhorar seu serviço que vai contra as regras da empresa? Se arrisque mesmo assim![BBC]

Autor: Cesar Grossmann

Formado em Engenharia Elétrica, é funcionário público, gosta de xadrez e fotografia. Apesar de se definir como "geek", não tem um smartphone, e usa uma câmera fotográfica com filme (além da digital).

Quer copiar nosso texto? Siga estas simples instruções e evite transtornos.
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7 Comentários

  1. Trata-se de gerência de risco. Até onde posso inovar ou assumir riscos decisórios e processuais (operacionais) sem perda de controle (minimização burocrática) e maximização dos objetivos? O novo processo (idéia) minimiza tempo e maximiza resultados? A defesa da proposta deve ser tabulada sintéticamente e quantificada comparativamente. O diferencial gerencial aparece quando a decisão é tomada em segundos para uma situação nova e esses tipos de decisões apresentam um alto índice de acerto. Só não erra quem não trabalha. Erro admissível = 2% do global.

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  2. Interessante a ideia… o porém é que muitas dessas investestidas alternativas, como utilizar softwares e/ou sistemas que não estejam homologados pela empresa, sempre são barradas pela TI, por serem consideradas inseguras, sem capacidade de serem criptografadas de maneira mais eficiente.
    Guardar dados nas “nuvens”, por exemplo: quem garante que minhas informações estarão seguras em um servidor que não é da empresa?
    Agora, burlar normas, inventar meios mais dinâmicos (porém éticos) para fazer fluir melhor o trabalho, aí eu concordo.

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  3. Pois é…De fato, as pessoas que sabem aliar o espírito empreendedor ao audacioso se sobressaem…

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  4. Trabalhei por um tempo num almoxarifado, e apesar do chefe ser bem durao, fui mudando as coisas aos poucos, o resultado foi incrível, tudo se tornou mais ágil e eficiente, bem organizado, recebíamos elogios pela qualidade do atendimento..
    Alguns anos depois que sai encontrei com um dos “clientes”, que se queixou sobre como as coisas pioraram depois que sai, pois ninguém conseguiu manter o sistema que deixei pronto.
    Recebi uma proposta pra voltar lá, porém já estou em outra área e aquele tinha sido apenas algo temporário pra mim

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  5. Cesar,
    achei ótimo o seu artigo!
    Sei que você o escreveu com a melhor das intenções, ou seja, ajudar pessoas como eu a otimizar as atividades no trabalho.
    A dica do “google docs” foi bárbara!
    Grata!

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  6. Lembro aos 18, quando fui trabalhar, na primeira semana percebi a desarrumação da oficina. Causava desconforto, prejudicava movimentos. Na sexta feira, depois da hora,
    quando o chefe ja tinha saido, resolvi dar outro leiout ao ambiente. Houve reação, mas predominou a lógica. Na segunda semana sugeri mudança no fluxo do serviço. O pessoal me criticou, mas mudaram o fluxo da entrada até a entrega do equipamento pronto. Na terceria semana reclamei que da relação produção e lucros, o salário poderia ser melhor. Fui despedido. Hoje sou dono de 5 empresas. Nunca recebi um empregado atrevido como eu fui.

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    • E se em uma de suas empresas você contratar um empregado assim?
      o que faria? daria o devido valor a ele, pelo seu empenho ou mandaria embora?

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