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Inovação: colete vibratório pode ajudar na orientação de cegos

Por em 7.06.2011 as 20:08

Quem diria que uma peça de roupa causaria uma revolução na orientação espacial de deficientes visuais. Além da bengala ou de um cachorro, os cegos podem ter em breve a ajuda de um colete vibratório para se orientar melhor.

Engenheiros americanos trabalham para utilizar as ferramentas que dão visão a robôs, e usá-las para ajudar a direcionar os cegos ao redor de obstáculos em potencial. Ligado a uma câmera, o colete utiliza as informações coletadas por um software de visão computacional para fazer julgamentos sobre seu ambiente.

Atualmente, o mais sofisticado software de visão de robôs é o chamado mapeamento e localização simultâneos (SLAM, na sigla em inglês). Duas câmeras alimentam o software, fornecendo uma imagem que transmite a profundidade de campo similar à visão humana.

Matematicamente comparando as duas imagens, o sistema constroi um mapa do ambiente ao seu redor. Quando uma pessoa enxerga os elementos de um quarto, por exemplo, ela registra todas as informações captadas de diferentes ângulos e perspectivas. As versões mais recentes do SLAM fazer a mesma coisa.

“Ao passo que a câmera se move, o sistema vai sendo constantemente atualizado”, explica James Weiland, pesquisador de visão e engenheiro biomédico. “Nós pensamos sobre o processo e chegamos à conclusão de que poderíamos criar um protótipo semelhante para ser utilizado por pessoas cegas”, conta.

Para testar a possibilidade, os pesquisadores projetaram um colete especial. O bolso de cada ombro abrigava um pequeno motor que vibrava como um sinal direcional. Dez pessoas cegas, usando esses coletes e câmeras estereoscópicas amarradas às suas cabeças, tentaram caminhar por um percurso com obstáculos simples. As vibrações eram seu único guia.

Segundo os pesquisadores, em geral, os participantes se saíram melhor com o colete do que com suas bengalas. Por exemplo, vibrações no ombro são apenas uma forma de comunicação possível entre o deficiente visual e o colete.

Weiland está em contato com membros da comunidade de cegos para debater outras formas talvez mais eficientes e simples de criar alternativas de orientação. Em vez de um colete, a pessoa poderia usar uma luva, ou o sistema poderia se comunicar através de comandos verbais em um fone de ouvido.[MSN]

Bruno Calzavara é estudante do 4o ano de Jornalismo na Universidade Federal do Parana, mas não vai se formar neste ano. Está fazendo intercâmbio na Universidade de Pisa, na Itália. Volta em agosto. Já trabalhou em vários campos jornalísticos e agora lida com o mundo fascinante dos textos científicos de HypeScience. É dono de um blog de viagem.

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