Japonês vive em ilha deserta como um ermitão pelado

Publicado em 29.04.2012

Perigosas correntes oceânicas passam pela ilha Sotobanari, no Japão, próxima de Taiwan, onde não há uma gota de água potável e onde pescadores raramente param.

Mas Masafumi Nagasaki, 76 anos, fez dessa ilha seu local de aposentadoria, com um código de vestimenta bem incomum: nada.

Pelado, ele enfrenta tufões e insetos como um ermitão. “Eu não faço o que a sociedade me diz, eu sigo as regras da natureza”, diz Nagasaki. “Você não pode vencê-la, por isso temos que obedecê-la por completo”.

Magro e com a pele açoitada pelo sol de duas décadas na ilha, o ermitão costumava trabalhar como fotógrafo e depois foi para a indústria do entretenimento. Quando a aposentadoria chegou, ele quis ficar bem longe de tudo.

Ele escolheu Sotobanari, que tem cerca de mil metros de comprimento e que significa “ilha distante exterior”, no dialeto local. E sua determinação não demorou a ser posta à prova. Logo no início de sua vida natural, um tufão varreu a ilha e destruiu a maioria das árvores e moitas que ele costumava utilizar quando queria sombra, além de carregar para longe sua única barraca.

“Foi aí que sequei sob o sol”, conta Nagasaki. “E pensei que seria impossível viver aqui”. Assim, seu embaraço em ficar nu foi sumindo aos poucos. “A sociedade normal pode não aprovar, mas na ilha isso parece o certo, como um uniforme”, defende.

O único momento em que veste roupas é quando vai de barco até um vilarejo próximo, distante uma hora de barco, onde ele compra comida e água potável, e recolhe os 10 mil yens que sua família manda para ele viver. O valor corresponde a aproximadamente 220 reais.

Sua dieta consiste basicamente em bolinhos de arroz, que ele cozinha quando a fome bate – cerca de quatro vezes por dia. Já água, para tomar banho e para barbear-se, ele coleta da chuva, com potes.

E, ao contrário do que o senso comum pode pensar, o ermitão japonês tem uma agenda bem rigorosa. Ele começa seus dias fazendo alongamentos na praia. Depois, é uma corrida contra o tempo, em que ele prepara sua comida e limpa sua área de acampamento.

Ele admite que seu estilo de vida não é dos mais saudáveis, mas não se trata disso, segundo Nagasaki. “Escolher um local para morrer é importante. E decidi que aqui é meu lugar”, confessa. “Nunca havia pensado no assunto, e, quando percebi, decidi que não queria morrer em um hospital ou em casa. Morrer cercado pela natureza é imbatível”, sentencia. [Reuters]

Autor: Luan Galani

é jornalista. Entusiasta da Teoria-M, é um rato de biblioteca apaixonado pelo que a ciência pode nos proporcionar. Nas horas vagas, é um amante inveterado de música erudita, que pede perdão aos russos por ainda considerar Mozart a grande lenda.

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5 Comentários

  1. população japonesa tem um cultura totalmente distorcida e estranha … alguns escritores definem o japão como um “grande manicômio”.

    Thumb up 3
  2. dever ser bom vive longe de intrigas; pessoas falsas, vive na natureza sem estresse na paz.

    Thumb up 16
  3. É um louco, coitado!
    Dentro do nosso referencial, é claro!
    E nós somos todos loucos dentro do referencial dele!
    E assim gira o mundo.

    Thumb up 30

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