O que move os cientistas a fazerem descobertas?

Publicado em 31.01.2012

As descobertas científicas, em menor ou maior grau, são possíveis graças a uma intrigante condição humana que os pesquisadores têm de sobra: a curiosidade. Muito já foi pesquisado sobre os objetos de estudo da ciência, mas pouco sobre o estímulo que move os experimentos. Esta é a chamada “psicologia da ciência”: um campo que se dedica a descobrir porque os cientistas querem sempre saber mais.

Um psicólogo americano, Greg Feist, desenvolveu um estudo comportamental. Esta análise não se aplica, conforme conta ele, apenas a cientistas. O conceito vale para todos aqueles que pensam no mundo cientificamente, ou seja, como um conjunto de condições que podem ser observadas e examinadas. Isso está embutido na personalidade humana, de acordo com Feist.

O americano explica que os seres humanos são compostos de duas condições básicas: seu próprio perfil psicológico e a influência do meio em que vivem. No quesito da personalidade, ele defende que realmente existem algumas mentes mais abertas que outras, mais dispostas a receber ideias novas. Isso não se relaciona necessariamente a nível cultural ou inteligência, é uma característica separada.

A respeito da influência, Feist explica que alguns grupos sociais podem estimular sua busca por respostas de maneira mais intensa que outros. Ele cita o exemplo da doutrina judaica: um dos princípios básicos do judaísmo afirma que não existe uma verdade absoluta, ninguém a detém. Dessa forma, todos devem buscar chegar o mais próximo dela através do debate, e não aceitar conceitos prontos. Isso explica, segundo ele, que 30% dos vencedores de Prêmio Nobel na história foram judeus.

Dessa maneira, é possível determinar psicologicamente quão interessada em descobertas uma pessoa é. Isso é importante principalmente na educação, conforme explica Feist, para identificar crianças com potencial investigativo, dentro das escolas. Muitos futuros cientistas brilhantes foram perdidos, segundo o psicólogo, devido à falta de estímulo na primeira infância. [NewScientist]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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17 Comentários

  1. Além da curiosidade; o fato da descoberta cientícica de hoje se tornar item de consumo amanhã! =]

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  2. Eduardo eu não concordo com vc, acredito que o capitalismo pelo contrário bloqueia e não ajuda.

    Um exemplo é no meu caso, e no caso de algumas pessoas que conheço, tenho muita curiosidade sobre alguns assuntos que ainda não existem respostas científicas e nem religiosas e que eu poderia começar a estudar e pesquisar PORÉM pelo motivo de que pesquisas só trazem um retorno financeiro caso vc descubra algo muito excepcional, acabo optando por utilizar o tempo que eu gastaria nessas pesquisas em estudos, cursos etc…

    No meu caso eu penso que se eu ganhasse na loteria e não precisasse mais trabalhar meu hobby seria pesquisar assuntos relacionados a ciência independente de me dar um retorno financeiro ou não.

    Mas infelizmente, vivemos num mundo capitalista e preciso me sustentar, então, deixo essas pesquisas para qdo me aposentar….

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    • concordo com você, o mundo capitalista so deixa a ciencia se desenvolver se houver retorno, mesmo assim temos otimos cientistas, preocupados com o bem estar social, eu por exemplo sou academico de bacharelado de historia, e o projeto da minha manografia é o estudo de plantas medicinais no qual pretendo estudar a fundo para dominar esse conhecimento e repassa-los ás pessoas de baixa renda, com orientações em format de cartilha, tudo isto gratuitamente claro,se alguem puder me ajudar com algo relacionado a plantas medicinais agradeço.

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  3. Curiosidade…
    Pode até ser. Mas penso que o mundo tá tão capitalista, que é difícil acreditar que a motivação venha puramente da curiosidade.
    Sem generalizar, mas acho que, em sua maioria, as pessoas que buscam a ciência e tecnologia como profissão estão ávidas a ganhar dinheiro com suas descobertas.
    Por um lado é bom, pois acirra ainda mais a busca por novos medicamentos, por exemplo.
    O problema é que tal achado acaba se tornando tão caro, que grande parte da população não têm acesso…

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    • O principal movedor disso tudo é o lucro. Mas tem, também, aqueles cientistas que pesquisam pelo conhecimento, pelo saber, ou seja, a arte de aprender sempre, de descobrir o verdadeiro sentido da vida que, provavelmente esta muito alem do capitalismo! Como o Jonatas citou “pela busca da excelência no conhecimento”.

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  4. O mais interessante da matéria é sobre a doutrina judaica:
    NÃO EXISTE UMA VERDADE ABSOLUTA, NINGUÉM A DETÉM.

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    • Não é uma bela questão? Os Judeus são muito mais inteligentes do que eu pensava.

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    • Embora a doutrina seja louvável, não tenho tanta certeza que os judeus sejam muito inteligentes. A situação deles com os palestinos não demonstra isso.
      O que sabemos com certeza é que eles são meticulosos, trabalhadores e mestres das finanças. Não é a toa que os EEUU se mantém na liderança do país mais rico do mundo há décadas, já que toda a sua economia foi criada e sustentada pelos judeus.

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    • Inteligentes no sentido capitalista e materialista. Espiritualmente acho que não, esse potencial é bem maior nos povos orientais baseados no induísmo e budismo.

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    • Perfeito. Um abraço.

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    • Leia “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”: a prosperidade capitalista foi consequencia do protestantismo calvinista.

      Claro, isso não elimina a ação dos judeus, que eram párias até 1948 e tinham que sobreviver aprendendo e descobrindo novas formas de “existir” sobre o planeta, perseguidos como sempre foram por vários povos, sempre. E os negócios se tornaram uma de suas artes!

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  5. Interessante que os psicólogos dessa pesquisa estavam buscando entender o que também eles são, pesquisadores procurando respostas ou mais perguntas.

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  6. as escolas nao tem nenhuma ferramenta para identificar isso
    mandar tarefa de casa/trabalho não é uma delas,
    um trabalho feito interamente dentro da sala de aula ou na escola,em q o professor vai junto com o aluno na biblioteca , na sala de informatica coletar dados , seria uma boa,
    porem tem q começar cedo para os alunos acustumarem,
    nenhum professor meu entrou comigo numa biblioteca, para me ajudar a achar livors;
    afinal eu acho q só os professores universitarios utilizam/entram biblioteca, os fundamentais nem passam perto

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  7. Ser um cientista é a excelência do conhecimento, é buscar a verdade removendo o véu dos dogmas e dos conceitos pré-estabelecidos.

    Sente-se diante dos fatos como uma criança, e prepare-se para sacrificar todas as noções preconcebidas, siga humilde por toda parte e por todos os abismos que a natureza o levar, ou você não aprenderá nada.

    _________T.H. Huxley

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    • Só pela frase, eu já daria o prêmio nobel à T.H.Huxley.
      Pena que ele já se foi e parece que não deixou herdeiro.

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    • Pode crer que ele mereceria também por muitas outras razões. Um escritor com jeito de filósofo e psico-cientista, as ideias de Huxley indiretamente abriram a vanguarda para a grande hipótese do Universo Holográfico. Mas o que o tornou mais conhecido está nesse trecho da Wikipédia:

      Foi um entusiasta do uso responsável do LSD como catalisador dos processos mentais do indivíduo, em busca do ápice da condição humana e de maior desenvolvimento das suas potencialidades.

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    • Mais um nobel. Valeu.

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