Porque o perdão pode ser ruim

Publicado em 11.04.2011

O senso comum é de que o perdão faz bem. A ciência gostaria de discordar. Uma nova pesquisa sugere que, em alguns casos, pode ser melhor dar uma de Elizabeth Edwards, que deixou seu marido traidor John Edwards fora de seu testamento, do que de Hillary Clinton, que perdoou Bill Clinton por seus flertes com uma estagiária da Casa Branca.

Segundo o estudo, ouvir “está tudo bem, querida(o)”, pode ser apenas o combustível que seu parceiro estava esperando para transgredir as regras novamente. Os recém-casados que perdoaram o mau comportamento de seus parceiros eram mais propensos a enfrentar o mesmo comportamento no dia seguinte, em comparação com aqueles que ficaram bravos.

Porém, os pesquisadores alertam que os benefícios ou não do perdão ainda precisam ser pesados contra os riscos. Você pode se sentir melhor se perdoar. Mas a questão é: o que acontece mais tarde?

O perdão pode ter um efeito de longa duração. No estudo, os pesquisadores acompanharam os participantes durante uma semana. Portanto, é provável que os cônjuges não perdoados tenham se comportado melhor apenas em uma tentativa de sair daquela situação naquela semana.

No entanto, em outro estudo, os pesquisadores seguiram casais durante quatro anos e os resultados mostraram um padrão semelhante. Eles mediram, basicamente, a tendência das pessoas de perdoar e as tendências dos parceiros em se envolver em agressões verbais e físicas.

As pessoas que perdoavam mais tinham parceiros que continuavam agindo agressivamente durante os quatro anos. Os pesquisadores também disseram que há uma linha tênue entre o perdão e se tornar um “capacho”.

Segundo eles, os cientistas sociais, teólogos e médicos têm elogiado as virtudes do perdão, muitas vezes sem perceber às suas desvantagens. Não há como manter a ideia simplória de que o perdão é sempre bom.

135 casais heterossexuais recém-casados preencheram diários de relacionamento individuais por uma semana. Os diários incluíam um questionário sobre se o cônjuge da pessoa fez algo para aborrecê-lo, e se eles tinham perdoado a transgressão.

Os pesquisadores analisaram dados de todos os entrevistados que informaram estarem chateados com seus parceiros em um dia e descreveram o comportamento dessa pessoa no dia seguinte.

165 indivíduos (76 homens e 89 mulheres) se encaixaram nesse perfil. Os maridos relataram o mau comportamento de suas mulheres em cerca de 29% dos dias, enquanto as mulheres relataram o mau comportamento de seus maridos em cerca de 34% dos dias.

Em geral, os cônjuges que perdoaram os seus parceiros eram quase duas vezes mais propensos a relatar que seu parceiro se comportou da mesma maneira no dia seguinte. As infrações mais comuns relatadas foram leves, tais como discordâncias, reclamações, ou um dos cônjuges ter falta de consideração com o outro.

Alguns, entretanto, foram mais graves: 9% dos homens e 5% das mulheres relataram abuso psicológico. Um homem relatou uma traição e uma mulher relatou coerção sexual pelo marido.

As descobertas não sugerem que o perdão é sempre ruim, apenas que nem sempre é bom. Há muita variação entre os casais, e o perdão tem maior probabilidade de ser maléfico quando o parceiro transgressor tem uma tendência a abusar da confiança de seu cônjuge. Quando se perdoa, não se dá nenhuma razão para a pessoa parar.

Segundo os especialistas, os casais devem se concentrar na resolução de problemas ao invés do simples perdão. Você não tem que condenar o seu parceiro por um comportamento descuidado. Em vez disso, você pode reconhecer que ambos são seres humanos falíveis, fazer o que é necessário para corrigir os problemas, e depois perdoar uns aos outros. [LiveScience]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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12 Comentários

  1. Rá, eu sempre soube que quem perdoa é tolo.
    eu não perdoo mesmo, quando erram comigo eu sou severa, dura e fria, não tem volta, não há perdão.

    Não sou idiota e troxa pra perdoar, começe a perdoar e vire um capacho.

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  2. Isso e logico…. perdoar e dar aval ao “agressor” pra continuar a fazer, pois não ha punição pelo seu ato. Quando não se perdoa se cria o medo da “punição” e se vê o limite que o agredido vai aceitar.

    Isso e tão Humano quanto errar…

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  3. O problema em NÃO perdoar não fica com o transgressor, mas com quem guardou a mágoa. Quem não perdoa sofre com a mágoa… Perdoar tem mais a ver com QUEM PERDOA que com quem é perdoado… Perdão liberta o agredido da dor…

    Perdoar NÃO é aceitar desculpas… Podemos perdoar mesmo que o transgressor não peça perdão… Porque perdoar é a auto-libertação de uma dor causada por outro… e só você tem a chave.

    Entendo a questão “científica” da coisa… o problema é que o perdão não pode ser tratado de forma científica… é um ceticismo exagerado.

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    • eu não perdoo e nunca sofri por isso, muito pelo contrario, nas poucas vezes que perdoei ( que fui obrigada a fingir que perdoei ) me arrependi, pois abusaram denovo, e me senti mal por ter sido tola e deixado me pressionarem, por isso eu remoi e muito, mas depois parei de me deixarem pressionar e passei a jogar na cara, tem gente que mesmo vc mostrando que não quer ver nem pintado de ouro abusa de vc sem a menor consideração.

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  4. Perdão é sentir que o que foi feito nao nos afetou, que estou acima. Na maioria das vezes estamos sim no mesmo nível.Quanto ser bom ou ruim, para quem? Infrator ou vítima? Analisemos em que nível estamos na conecção do outro lado com DEUS.

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  5. Concordo…por experiência própria…perdoei de mais e não fui reconhecida. A pessoa no dia seguinte fazia tudo de novo…É de amargar….rsssss

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  6. A melhor forma de controlar o comportamento é através da punição e da recompensa. Não deve haver perdão, deve haver justiça, lei de causa e efeito.

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  7. É, pra mim isso faz todo sentido ahaha.. sabe quando você dá a mão e a pessoa te puxa o pé?

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