Sono bifásico: nova pesquisa mostra que a insônia não é prejudicial

Uma nova pesquisa contraria anos de conselhos médicos. A questão é: se você tem “insônia”, talvez esteja fazendo as coisas certo. De acordo com historiadores e psiquiatras, é o sono comprimido e contínuo de oito horas que não tem precedentes na história humana.

Mais de um terço dos adultos americanos acordam no meio da noite em uma base regular. Daqueles que experimentam “despertares noturnos”, quase metade são incapazes de voltar a dormir logo em seguida. Os médicos frequentemente diagnosticam esta condição como um distúrbio do sono chamado “insônia do meio da noite”, e prescrevem medicação para tratá-lo.

Novas evidências sugerem, no entanto, que despertares noturnos não são anormais; são o ritmo natural do corpo. O padrão dominante de sono, desde tempos imemoriais, era bifásico.

Segundo os pesquisadores, os seres humanos dormiam em dois blocos de quatro horas, separados por um período de vigília no meio da noite com duração de uma hora ou mais. Durante esse tempo, alguns ficavam na cama, orando, pensando em seus sonhos, ou conversando com seus cônjuges. Outros se levantavam, faziam tarefas ou até mesmo visitavam vizinhos antes de voltar a dormir.

As referências ao “primeiro sono” ou “sono profundo” e “segundo sono “ou “sono da manhã” abundam em depoimentos jurídicos, literatura e outros documentos de arquivo de épocas pré-industriais européias. Gradualmente, porém, durante o século 19, a linguagem mudou e referências ao sono segmentado diminuíram. Agora as pessoas o chamam de insônia.

E o que mudou e por quê? Segundo os pesquisadores, é possível culpar a lâmpada de Thomas Edison e a Revolução Industrial. No passado, especialmente durante o inverno, a escuridão se estendia até 14 horas cada noite. Exceto para aqueles ricos o suficiente para queimar velas durante horas, as pessoas tinham pouco a fazer a não ser ir para a cama cedo.

Isso deu uma grande flexibilidade às suas necessidades de sono noturno. Os padrões de sono segmentados ou bifásicos evoluíram para preencher o longo trecho de noite, e, como observado por antropólogos, o sono segmentado continua a ser a norma para muitas pessoas em partes subdesenvolvidas do mundo, como o grupo Tiv na Nigéria central.

Em locais com eletricidade, porém, a iluminação artificial prolongou a experiência do dia, o que permite aos seres humanos serem produtivos por mais tempo. Ao mesmo tempo, reduz a noite, assim as pessoas agora dormem o suficiente de uma só vez.

O sono “normal” exige a renúncia aos períodos de vigília utilizados para romper a noite. Mas as pessoas com ritmos circadianos particularmente fortes continuam a acordar no meio da noite. Na década de 1990, um cientista do sono descobriu que todos dormem bifasicamente quando submetidos a padrões naturais de luz e escuridão.

Ele submeteu os participantes a 14 horas de escuridão por noite, e descobriu que eles gradualmente transferiram sua rotina de sono a duas fases de quatro horas separados por cerca de uma hora de vigília, modelo que combina exatamente com os resultados históricos da nova pesquisa.

Outra conclusão é que dormir bifasicamente é o padrão de sono mais natural e benéfico. Um dos benefícios do sono bifásico pode ser que ele torna mais fácil a convocação e acesso aos sonhos.
No estudo antigo, por exemplo, as pessoas despertavam normalmente do sono REM, que é o estágio de sono profundo durante o qual os sonhos ocorrem. De acordo com os pesquisadores, a evidência histórica demonstra isso muito bem.

Acordar diretamente após sonhar abre caminho ao subconsciente. Os sonhos matinais não, porque a luz está lá e as pessoas saem da cama imediatamente. Assim, em breve, as pessoas perdem o que no passado era considerado uma parte extremamente importante da vida: o viver nos sonhos.

Essas descobertas estão sendo cada vez mais aceitas por psiquiatras e especialistas do sono. No entanto, a mudança de paradigma comportamental tem sido lenta. O senso comum do sono ininterrupto continua prevalecente.

Porém, ninguém nega certos benefícios clínicos do sono bifásico. Psiquiatras clínicos estão descobrindo que, se os seus pacientes com insônia pararem de ver seu sono como problemático, a sua condição se torna mais tolerável.

Se eles perceberem o sono interrompido como normal, eles experimentam menos sofrimento quando acordam a noite, e voltam a dormir mais facilmente. Em outras palavras, se você acordar no meio da noite, não se preocupe com isso. Pode ser o sono normal. Se as pessoas não lutarem contra isso, vão cair no sono novamente depois de aproximadamente uma hora. [LiveScience]

Por: Natasha RomanzotiEm: 20.02.2011 | Em Bem-estar, Principal  | Tags: , ,  
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3 respostas para “Sono bifásico: nova pesquisa mostra que a insônia não é prejudicial”

  1. Agora faz sentido! Sempre que chego em casa e me deito às 19:00 acordo lá por 23:30. Daí eu fico sem sono e saio, só volto pra casa pelas 02:00 da madruga(até mesmo de segunda-feira), e durmo até as 8:30 da manhã pra ir trabalhar.

    Sempre achei estanho isso, pensei que eu tinha algum problema de insônia ou algo assim, mas eu nunca achei ruim, muito pelo contrário, depois do primeiro sono eu sempre fico mais atento e disposto, agora depois do segundo é muito desagradavel, porque eu acordo por ser obrigado a trabalhar, diferente do primeiro sono que desperto sozinho. É essa rotina que temos hoje que atrapalha nosso sono correto.

    Boa notícia… pelo menos pra mim se aplica muito bem.

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