46 novas espécies são encontradas na densa floresta do Suriname

Por , em 26.01.2012
“Sapo Cowboy”

O “sapo cowboy” da foto no topo do artigo (Hypsiboas sp.), que ganhou esse nome por causa das franjas nas pernas e da espora na “pata”. O anfíbio foi descoberto durante uma saída noturna, em uma área pantanosa do rio Kutari

Uma pesquisa revelou 46 novas espécies no Suriname. Elas foram descobertas em um expedição dentro do país com uma das mais densas florestas tropicais do mundo.

“Nossa equipe é privilegiada de estudar uma das últimas áreas selvagens vastas e intocáveis no mundo”, comenta Trond Larsen. “Como cientista, é emocionante estudar essas florestas remotas onde diversas descobertas estão nos esperando, especialmente quando se acredita que devemos proteger esses territórios para manter a biodiversidade e os ecossistemas do planeta, necessários para as gerações que virão”.

A expedição, que durou três semanas, passou por três locais remotos ao longo dos rios Kutari e Sipaliwini, perto da vila de Kwamalasumutu, entre agosto e setembro de 2010. O objetivo era catalogar a vida selvagem e ajudar a desenvolver o ecoturismo sustentável entre os indígenas locais. Fizeram parte dela 53 cientistas, indígenas e estudantes.

“Água esteve na expedição inteira”, comenta Larsen. “Após subir o rio de bote por muitas horas, nós montamos um acampamento na floresta. Nossa cozinha, construída com pedaços de madeira, foi levada embora poucos dias depois, por culpa das fortes chuvas”.

“Nossa decida diária das tendas para o local de refeições virou um jogo de escorregar e cair. Em um dos dias, quando escorreguei, consegui me segurar em um galho, para descobrir depois que ele estava coberto de espinhos. Após alguns dais, nossas roupas estavam espalhadas pelo local, na esperança de um pouco de sol que pudesse secá-las. Uma noite, quando entrei em minha barraca, vi meu saco de dormir com uma formiga-cabo-verde (formiga bala) dentro, que tem esse nome pela dor absurda que sua picada causa, durante 24 horas”, conta.

Apesar desses desafios, os pesquisadores documentaram quase 1.300 espécies, entre uma diversidade incrível de plantas, peixes, répteis, anfíbios, pássaros, pequenos mamíferos, formigas, libélulas e besouros.

Entre as espécies, estão:


Um bagre “com armadura” (Pseudacanthicus sp.), com as placas ósseas externas cobertas com espinhos para se defender das piranhas gigantes que habitam as mesmas águas. Um dos guias locais da expedição estava quase comendo essa espécie até que os cientistas notaram as características únicas e o preservaram. Poucos são conhecidos no Suriname, e esse é o primeiro encontrado no rio Sipaliwini. “Nós trabalhamos muito perto do povo Trio, que depende principalmente de caça e pesca”, afirma Larsen. “Eles pescaram e comeram muitos peixes durante nossa expedição, incluindo uma grande variedade de bagres. Uma vez que você tira os espinhos, imagino que deve ter um gosto comum”;


O “sapo Pac-Man” (Ceratophrys cornuta), um predador que usa a técnica “sentar e esperar”, com uma boca enorme que o permite engolir uma presa quase do seu tamanho, incluindo pássaros, ratos e outros sapos. Um dos pesquisadores estava usando coleiras para rastrear pássaros, e acabou encontrando o animal e a coleira na barriga do sapo;


O “grande besouro de chifre” (Coprophanaeus lancifer) tem o tamanho de uma tangerina e pesa mais de seis gramas. Tem cor metálica azul e roxa. Os machos e as fêmeas têm chifres, que usam em conflitos.

Para ver fotos de outros animais descobertos clique aqui.

Os cientistas também descobriram extensas cavernas rochosas, perto da vila de Kwamalasamutu, em uma região conhecida como Werehpai, o local de vida humana mais antigo do sul do Suriname, com estimativas recentes que sugerem a habitação há 5 mil anos. A Conservação Internacional está trabalhando com as comunidades locais para preservar e promover Werehpai e o ecoturismo, já que aqui está a maior concentração de cavernas rochosas da Bacia Amazônica.

“A natureza intocada e a cultura de Kwamalasamutu a tornam um destino único para turistas mais aventureiros, que gostam de caminhadas ao longo da floresta tropical, em busca de fauna e flora”, comenta Annette Tjon Sie Fat, diretora do programa da Conservação Internacional no Suriname.

Os pesquisadores vão voltar ao Suriname em março, para continuar a exploração.

“É necessário documentar e entender sua biodiversidade, para que possamos protegê-la, mas um dos pontos mais importantes da expedição foi a chance de trabalhar com a comunidade local, a Trio”, afirma Larsen. “Nossas descobertas vão ajudar os Trio a promover o ecoturismo sustentável, oferecendo novas oportunidades econômicas ao mesmo tempo que mantém a conservação dos ecossistemas. Nossos cientistas trabalharam com vários estudantes do país, durante a expedição, oferecendo um treinamento de valor para a próxima geração de biólogos e conservacionistas”. [LiveScience]

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20 comentários

  • Jairo Wilson Muller:

    NÃO HÁ NECESSIDADE DE SE DISCUTIR GENTEMMMMMMMM

  • carlos manuel da silva simoes:

    Acho que a época dinaussárica, está pregando-nos mais animais pré históricos que outra coisa, embora em ponto pequeno, mas que nos deixa de boca aberta e abismados e muito entusiastas.
    Venha mais descobertas para que possamos apreciar o mundo maravilhoso em que vivemos.
    Já agora podem dar uma olhada para as mil novas espécies Australianas, vejam com olhos de ver, vale a pena.

  • Flor de Lis:

    Besourinho Star Wars!

  • alx:

    ESSE BESOURO NÃO É NOVIDADE, ESCARAVELHO, JA VI ATE LIVROS LITERARIOS COM HISTORIA DELE KKKKKKKKKKKKKK

    • Giovana Pereira da Silva:

      Verdade tb já vi

    • Cesar Crash:

      Escaravelhos obviamente não são novidade, mas bagres e sapos também não. No entanto, você está certíssimo, o Coprophanaeus lancifer não é novo para a ciência, deve ser novo no Suriname e olhe lá.

    • Giovana Pereira da Silva:

      Vc ta falando comigo?

    • Cesar Crash:

      Olha, Giovana, não por que ambos estamos alinhados abaixo do Alx e por que eu disse “certíssimo”, mas sim por que penso que em um debate aberto como esse, de certa forma estamos todos falando com todos.

  • Roni Pensador:

    Belo post. Isso mostra o quanto o planeta é grande. Eu amo florestas tropicais. Só de ver as fotos já da a sensação de ar puro e cheiro de mata, bichos, humidade e chuvas! . É claro florestas tropicais ainda existem no continente sul americano e central americano, africano e asiático. ( lugares deslumbrantes: Bornéo, Sumatra, Papua nova guiné…

  • Henrique:

    Isto quer dizer que ainda temos muito a descobrir aqui na Terra.

    • Giovana Pereira da Silva:

      Como eu disse o homem não sabe onde ele mora

  • Doug:

    Nosso querido Deus nos surpreendendo a cada dia!

    • Ferreira:

      Nosso querido Darwin nos surpreendendo a cada dia!

    • Marcus:

      precisamos de santos e deuses não de darwins e einsteins. eles não salvam ninguém.

    • Rafa:

      E por acaso é Deus que faz a porra dos remédios que você toma né, quando estiver doente se cura com reza então.

    • Kbo_MaM:

      sim, claro, darwins e Einstens não foram importantes, e claro, você é a pessoa mais importante do mundo, como é seu nome mesmo? precisamos de mais deusses para que? 1 já não é o suficiente?

    • Gabriel.¿:

      pois é, são os santos e deuses que criam vacinas e estudam a vida inteira hehehe

    • Hugo:

      Até respeito esses crentes e não discuto, acredito que contra a fé, não há argumentos lógicos. Mas acho que estão no site errado, não?

    • Flor de Lis:

      Deixa o Doug, minha gente. Cada um com aquilo que crê!

    • Skeeter Valentine:

      É isso aí, Hugo, deixa o Doug em paz!

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